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Confissões Do Pastor - Caio Fabio

Confissões Do Pastor - Caio Fabio

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Published by djair
"Após ler este livro, você certamente perceberá como estou encurralando minha vida numa única opção:
ser apenas o que tenho sido até aqui, em Deus, pois quem conta as histórias que aqui narro, não
pode ser candidato a mais nada na vida, a não ser a viver unicamente da graça e da bondade de
Deus. Se um dia quis ser político, mesmo sem jamais me ter dado conta disto, aqui desisto. Se já
me passou pela cabeça tornar-me um grande figurão da política religiosa, aqui também me
aposento antes da hora. E se, porventura, algum dia desejei ser um homem de reputação entre
meus iguais, aqui também puxo a descarga desse dejeto e o expulso de meu ser, pois mediante
estas confissões digo quem sou, ou quase isso. Mas saiba: andei bem perto de me entregar por
completo."

Caio Fábio D’Araújo Filho

Inverno, Boca Raton, Flórida, Estados Unidos da América — 1996"
"Após ler este livro, você certamente perceberá como estou encurralando minha vida numa única opção:
ser apenas o que tenho sido até aqui, em Deus, pois quem conta as histórias que aqui narro, não
pode ser candidato a mais nada na vida, a não ser a viver unicamente da graça e da bondade de
Deus. Se um dia quis ser político, mesmo sem jamais me ter dado conta disto, aqui desisto. Se já
me passou pela cabeça tornar-me um grande figurão da política religiosa, aqui também me
aposento antes da hora. E se, porventura, algum dia desejei ser um homem de reputação entre
meus iguais, aqui também puxo a descarga desse dejeto e o expulso de meu ser, pois mediante
estas confissões digo quem sou, ou quase isso. Mas saiba: andei bem perto de me entregar por
completo."

Caio Fábio D’Araújo Filho

Inverno, Boca Raton, Flórida, Estados Unidos da América — 1996"

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Published by: djair on Sep 26, 2008
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 Apresentação
E
ra uma vez um jovem rebelde, arruaceiro e dissoluto que amava “alucinadamente” asmulheres e fumava maconha e cheirava cocaína no mesmo ritmo que dirigia sua moto — mais doque uma alma perdida, era a promessa de um legítimo cafajeste.Um dia, esse moço acordou aos gritos achando que estava com uma cobra sucuri enrolada nocorpo, mordendo-lhe o braço e inoculando-lhe veneno. Era uma visão, claro, não uma cena real,mas foi como se fosse. Caio Fábio tinha então 19 anos, já estivera perto da morte por acidente ousuicídio, e aquela foi a última vez que, simbolicamente, se sentiu possuído pelo demônio.No dia seguinte, decidiu, iria nascer de novo: “Vou viver com Jesus e ser um homem de Deuspara o resto da minha vida.” Convertido, o jovem acabou se tornando pastor protestante, assimcomo seu pai, um agnóstico que certo dia, lendo a Bíblia, também se convertera e abandonaratudo, inclusive um próspero escritório de advocacia do qual era sócio o senador Bernardo Cabral,ex-ministro e presidente da CPI dos precatórios. As memórias que Caio Fábio lança agora encerram mais do que a conversão de uma almadesgarrada que escolheu como referência não um presbiteriano como ele, mas um santo, Santo Agostinho, cujas
Confissões
pontuam como epígrafes os capítulos do livro, criando um curiosocontraponto católico a essa saga protestante.Encerram mais do que isso. As
Confissões
são também a emocionante aventura de uma vocação pastoral sem temor e sem preconceitos, que sobe os morros, entra nos presídios,freqüenta palácios, catequiza traficantes, batiza governador, é perseguida politicamente, e nadaabala a sua crença de que o Evangelho é imbatível, de que tem o poder de “mudar bichos,monstros e pervertidos”.No livro, como na vida, pode-se encontrar esse pastor tão pouco ortodoxo em Bangu Iconvertendo Gregório, o Gordo, o maior ladrão de carros da história do Brasil e estrategista doComando Vermelho. Ou batizando o perigoso traficante Isaías do Borel, contaminado pelo vírusdo HIV: “Isaías, eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” E pode estartambém, algumas páginas depois, na casa da maior autoridade do Estado: “Em maio de 1994,batizei o governador do Estado, Nilo Batista, e sua esposa, Vera Malagute Batista.”Que outro líder espiritual seria capaz de uma ação pastoral tão arriscada, eclética eecumênica? As incursões de Caio Fábio, ou melhor, sua imersão permanente no mundo profano, na vida
 
real, lá onde mora o pecado, custaram-lhe incompreensões e inimizades, não só de adversários decrença e de ética como de autoridades políticas e administrativas. O governador Marcello Alencar, por exemplo, abriu contra ele e sua principal obra social, a Fábrica de Esperança, umaguerra que incluiu pesadas denúncias, uma ocupação branca, auditorias e ameaça de interdiçãodo espaço sob a alegação de que ali havia tráfico de drogas.Também com César Maia houve mal-entendidos e bate-bocas públicos. O então prefeitochegou a apelidar Caio Fábio de “Pastor do pó” — pelo menos até visitar a Fábrica e se convencerda importância social do projeto, que passou então a respeitar e apoiar.Como se vê, o livro não é apenas a aventura de um pecador e sua conversão. É também umpouco da história do Rio de Janeiro dos anos 90 — com os episódios que se inscreveram em nossamemória recente: a violência urbana, a criminalidade, a delinqüência, o escândalo do jogo-do-bicho, a ocupação das favelas pelo Exército, a criação da Casa da Paz de Vigário Geral, astrapaças do bispo Macedo, o Viva Rio, a campanha do Desarme-se, e muito mais.Há na primeira parte do livro uma intenção edificante que incomoda pelo menos os que nãotêm muita fé. Será que a ênfase posta na perdição, naquela fase de juvenil entrega ao pecado não éum processo retórico para valorizar e engrandecer a conversão? A credulidade com que essemissionário investe nos pecadores barra-pesada também pode parecer meio ingênua? Valerá apena converter bandidos? Não será uma opção preferencial pelo algoz mais do que pela vítima?Essas dúvidas, que costumam ser levantadas por sua ação pastoral, não abalam as convicçõesdo pastor. Ele acredita na conversão — na sua e, por conseqüência, na dos outros. Muitas vezesrecorre a Jesus para explicar algumas de suas posições: “Jesus morreu entre ladrões, mas não oslivrou da execução.” A sua
ingenuidade
pode se transformar em frio realismo. “A vida de vocês é burra”, écapaz de dizer para um traficante. “Tenho visto vocês morrerem todos os dias. Quem não morre vai para Bangu I, o que é morte também. Vocês são instrumentos úteis nas mãos de um pessoalque nunca é apanhado e que mantém essa porcaria funcionando.”Lições como essas — muito antes de ficar evidente que a conexão internacional do tráfico,essa, sim, milionária, passa longe desses
pés-de-chinelo
cuja alma Caio Fábio tenta salvar, jáque não pode fazer o mesmo com a vida — demonstram que esse pastor sabe onde pisa. Conversacom Deus, não abandona o Evangelho, vive distribuindo bênçãos mas, por via das dúvidas,conhece tudo o que se passa na vida terrena. O espiritual sem o social é um círculo vicioso quenão ajuda a virtude. É mais fácil ser pecador com a barriga vazia.
 Z
UENIR
 ENTURA
  escritor, jornalista e editor especial do
 Jornal do Brasil
 
 
 

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