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ONSTRUÇÃO DO
O
LHAR
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ARADIGMAS NA
H
ISTÓRIA DA
P
ERCEPÇÃO
V
ISUAL
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José Eliézer MikoszPalavras chave
: percepção visual, arte.
Resumo
Os estudos dos fenômenos ópticos e visuais estão ligados a várias áreas deanálise e pesquisa como a Física Óptica, Fisiologia, Psicologia, Semiótica, etc.Concomitantemente a essas inquirições cientificas e filosóficas, o ser humanoproduziu e produz arte, vinculada necessariamente aos avanços das inquietaçõesinovadoras em sincronia com as outras áreas, processos em que a sensibilidadeartística atua como um termômetro que, reagindo aos estímulos externos, trata-ossubjetivamente na imaginação do artista.Neste artigo serão abordados alguns eventos que propiciaram o surgimento emudanças paradigmáticas
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na forma de ver dos artistas em suas buscas criativas.
Introdução: Os Seis Paradigmas Instrumentais do Olhar
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Seis momentos foram escolhidos para exemplificar quebras na construção doolhar. Essas quebras se deveram ao aparecimento de instrumentos ou aparelhos,novas técnicas ou tecnologias que, junto com a criatividade artística, mudaram nossoolhar. O primeiro naturalmente, é do início da civilização (entre 15.000 a 30.000 anosatrás). Não se pode considerar quebra, pois ignoramos o que vinha anteriormente.Então pode ser considerado como o período do “surgimento” daquilo que hojechamamos de arte. Temos apenas o registro das pinturas das cavernas e esculturaspara análise. Quase toda as manifestações artísticas primitivas se encaixam nesse
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Trabalho originalmente apresentado no IV Fórum de Pesquisa Científica em Arte da Escola deMúsica e Belas Artes do Paraná – EMBAP em 2006. Esta é uma versão atualizada.
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Escolhemos definir como paradigmas esses eventos, por ser possível estabelecer modelosespecíficos em cada uma das épocas descritas. A definição por Thomas Kuhn de paradigma: "Consideroos paradigmas como realizações científicas universalmente reconhecidas que, durante certo tempo,
proporcionam modelos de problemas* 
e soluções para uma comunidade científica", serve então paranosso propósito aqui. (*) Grifo meu.
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As obras dos artistas nos dão testemunho do
Olhar 
que nos interessa neste artigo.
 
2modelo, ou seja, o uso de alguns recursos instrumentais rudimentares. É interessantetraçar o percurso da produção artística desde a Pré-História até o Renascimento,passando pelo Egito, Grécia e Roma, pelo período Bizantino Românico, Gótico. Quaisavanços científicos estavam presentes nessas épocas, que tipos de materiaisdispunham, que suportes usavam, de onde extraíam seus pigmentos. Sabe-se quealguns desses pigmentos só se tornaram disponíveis a partir do século XIX, como oamarelo puro e o magenta verdadeiro
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, de modo que é pertinente observar asconseqüências disso nas pinturas realizadas até então e como os artistascontornavam esses limites. Apesar de que as motivações do artista egípcio (ritual ereligioso) serem diferentes do artista gótico (mais simbólico) e do artista Renascentista(mais voltado à representação e à mimese), importa analisar os recursos instrumentaisusados e sua interferência na percepção e o resultado na expressão do fazer artístico.Porém, a primeira mudança instrumental marcante vem apenas com o Renascimento(séculos XV e XVI) com o uso pelos artistas da
câmera obscura 
, nosso segundoparadigma. O terceiro foram os aparatos de animação, a
imagem em movimento.
Oquarto foi a fotografia, o golpe contra a mimese na pintura e precursor da
tecnologia e suas caixas pretas 
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. O quinto a estereoscopia que revolucionou
conceitos científicos/filosóficos 
no século XIX e, finalmente o sexto paradigma, na era atual, oaparecimento do computador, do binário, do digital, onde a
interação humano-máquina 
 aparece.
1. Pensamento Lógico-Matemático no Início da Civilização
Desde as cavernas de Altamira e Lascaux, o ser humano revelou já possuir ogérmen do senso estético. Nossos antepassados das cavernas utilizavam pigmentosnaturais (e.g., óxido mineral, carvão e argila). Não obstante a insipiência dos materiais,o artista já recorria a um sofisticado procedimento lógico-matemático capaz deorganizar o espaço onde realizaria sua obra
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. Assim é que a noção de composição edistribuição espacial encontrada nas pinturas pré-históricas demonstra que a aptidãocriativa daqueles artistas, embora condicionada à técnica então disponível,extrapolava-a. O ímpeto criativo do ser humano, seu "
artistic drive 
", não estava presoao rudimentar à sua volta.A princípio, as técnicas utilizadas eram menos elaboradas. O artista seguia suaintuição, lançando mão do que encontrava em seu ambiente imediato. Ao passar dos
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ELLIOT, Steven; MILLER, Phillip et al. (1998).
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FLUSSER, Vilém (1985).
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HILDEBRAND, Renato (2001).
 
3séculos essas técnicas foram sendo aperfeiçoadas atingindo seu auge nas artesegípcia e grega. O conhecimento de novos materiais, pigmentos, o desenvolvimentoda cerâmica, a arquitetura monumental, as esculturas fascinantes, influenciaram a artenuma tradição que dura até a atualidade.
2. A Câmera Obscura
No Renascimento, a instrumentalização já sofria os inexoráveis embargos dasnoções científicas. Desse modo, o uso da câmara obscura é inequívoca mostra do usoda tecnologia no processo de criação de um desenho ou uma pintura.Em 1490, Leonardo da Vinci descreve a câmara obscura. Para alguém dostatus intelectual do autor da Monalisa, a arte e a ciência constituíam uma única formade atividade intelectual. Os artistas do Renascimento se preocupavam com arepresentação realista do espaço, com a perspectiva e a perfeita imitação da natureza,preocupações que tinham na câmara obscura sua maior aliada.Diversos artistas do período utilizaram a câmera obscura como o próprioLeonardo da Vinci e Jan Vermeer
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.A câmera obscura
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se tornou o paradigma de status dominante do observadornos séculos XVII e XVIII
9
.
3. A Imagem em Movimento, a Persistência da Imagem na Retina
Uma imagem, quando retirada de nosso campo visual, permanece por umbreve período de tempo na retina. Esse fenômeno, a
persistência da imagem 
, éresponsável pelas ilusões de movimento que temos ao observarmos uma seqüênciade imagens estáticas, desde que intercaladas num intervalo de tempo igual ousuperior a 12 imagens, ou
frames 
, por segundo (fps). No caso do cinema, porexemplo, a velocidade de exposição de cada imegem do filme é de 24 fps e, nosvídeos de maneira geral, de aproximadamente 30 fps, fazendo com que o olho nãoconsiga perceber as mudanças de um quadro para outro. A criação dos desenhosanimados se baseou nesses princípios igualmente.
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Para uma completa descrição do método usado e dos artistas que dele se utilizavam
ver 
 HOCKNEY, David (2000).
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Apesar de que o aparecimento da câmera obscura estar relacionado com a Idade Média porRoger Bacon no século XIII, Aristóteles (384-322 AC) havia descrito os principais fundamentos dela.
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CRARY, Jonathan (1992).

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