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Ensino de LIBRAS - UNIDADE 2 - LÍNGUA DE SINAIS, LETRAMENTO, IDENTIDADES E CULTURA SURDA - IFPA

Ensino de LIBRAS - UNIDADE 2 - LÍNGUA DE SINAIS, LETRAMENTO, IDENTIDADES E CULTURA SURDA - IFPA

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UNIDADE 2LÍNGUA DE SINAIS, LETRAMENTO, IDENTIDADES E CULTURASURDA
OBJETIVO 
Nesta unidade você irá estudar sobre a cultura e as identidades dos sujeitos surdos esua influência no processo de escolarização, no intuito de:
Compreender o processo de letramento dos surdos;
Reconhecer a Língua de sinais como línguada educação dos surdos;
Identificar a língua portuguesa como segunda língua dos surdos
Analisar a língua a partir da constituição da cultura;
Conhecer as múltiplas identidades surdas.
 
2.1. letramento e educação de surdos
Antes de iniciarmos as discussões referentes à educação de surdos propriamentedita, é preciso entendermos o significado da palavra “letramento”. Letramento é umapalavra que circula desde a década de 1980, no Brasil, no campo da Educação e dasCiências Lingüísticas.Segundo Soares (2006) novas palavras são criadas quando os fenômenos passama ser compreendidos de uma forma diferente, quando surgem fatos ou idéias novas.Neste caso específico, a autora argumenta,
Só recentemente passamos a enfrentar esta nova realidade social em que nãobasta apenas saber ler e escrever, é preciso também saber fazer uso do ler e doescrever, saber responder às exigências de leitura e de escrita que a sociedade fazcontinuamente – daí o recente surgimento do termo letramento (SOARES, 2006,pg. 20)
Tal termo foi criado, a partir da tradução literal da palavra em inglês “
literacy 
”. Deacordo com Soares “2006)
letra-
do latim
littera
, e o sufixo
-mento
, que denota o resultado de uma ação(como por exemplo, em
ferimento
, resultado da ação de
ferir 
).
Letramento
é, poiso resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever: o estado ou acondição que adquire um grupo social ou um indivíduo como conseqüência de ter-se apropriado da escrita. (pg. 18)
E porque falar de letramento quando falamos em educação de surdos? Antes deresponder a essa pergunta, é preciso compreender os conceitos a seguir expostos:
2.1.1. Relação entre L1 (Libras) - e L2 (língua portuguesa)
Desde a década de 1980 ocorre um movimento mundial que aponta em direção ànecessidade de se implantar uma política educacional bilíngüe quando se pensaem educação de e para surdos. Em termos gerais, esta educação considera que,inicialmente, os surdos devam desenvolver a língua de sinais como primeira língua(L1), no contato com surdos adultos usuários da língua e participantes ativos doprocesso educacional de seus pares. A partir da L1, os surdos são expostos aoensino da escrita da língua majoritária e, para tal, toma-se como base os estudossobre ensino-aprendizagem de segunda língua (L2) e os trabalhos sobre o ensinode línguas para estrangeiros (LODI & MOURA, 2006, pg. 2)
Segundo Skutnabb-Kangas(1994)
apud 
Lodi & Moura (2006, pg. 5) o conceito de L1 édefinido a partir dos critérios a seguir:a)
origem:
a L1 é entendida como a língua que é primeiro desenvolvida pelos sujeitos; b)
identificação interna:
a L1 e a língua que os sujeitos se auto-identificam como falantes;c)
identificação externa:
a L1 é a língua pela qual os sujeitos são identificados pelos outros comofalantes;d)
competência:
a L1 é a língua que os sujeitos possuem maior domínio;e)
 função:
relacionada ao uso, a L1 é aquela que é mais utilizada socialmente pelo sujeito.
LÍNGUA DE SINAIS: primeira língua dos surdos
Conforme dito anteriormente, desde a década de 1960, quando o Lingüista Willian
 
Stokoe iniciou os estudos sobre as línguas de sinais, comprovou-se que ela é uma línguacomo qualquer outra, composta por todos os elementos legítimos de uma língua.
“Aocontrio do que muitos pensam, as nguas de sinais o o limitadas e nemempobrecidas quando comparadas às línguas orais” 
(PEREIRA, 2002, pg. 47). No casodo Brasil, a Língua Brasileira de Sinais é um sistema lingüístico legítimo e natural,utilizado pela comunidade surda brasileira, de modalidade gestual-visual e com estruturagramatical independente da Língua portuguesa falada no Brasil.Enquanto 1ª língua, sua aquisição se dá por meio da exposição das criançassurdas à língua de sinais desde o mais cedo possível.
“Entretanto, infelizmente, odesenvolvimento da LIBRAS como L1 é ainda restrita aos filhos de surdos usuários destangua e às raras experiências educacionais que possuem, em seu quadro de profissionais, professores surdos
.” (LODI & MOURA, 2006, pg. 2). Assim, a realidadebrasileira revela que os surdos, principalmente os jovens e adultos, não conhecem alíngua de sinais. Tal situação concretiza-se a partir das representações sobre surdos elíngua de sinais compartilhadas pelo olhar clínico-terapêutico, que vê a surdez comodeficiência e a língua de sinais como mímica ou como ponte para o aprendizado da línguafalada. Nos últimos anos, no entanto, percebe-se o surgimento de outros olhares emrelação aos surdos e à língua de sinais, no sentido do reconhecimento da língua de sinaiscomo língua da comunidade surda.Além disso, outro problema pode ser evidenciado. Quando aceita nas escolas, alíngua de sinais é inferiorizada e, na maioria das vezes, utilizada como ferramenta para aaprendizagem da língua portuguesa. Desse modo, Lodi & Moura (2006) ressaltam
torna-se necessário que haja o reconhecimento da LIBRAS, em seu valor social,pois se este processo não for realizado aos surdos cabe, apenas, a submissão aoportuguês, na medida em que esta língua continua a ocupar um papel sócio-ideológico central na constituição dos processos lingüísticos e da subjetividadedesses sujeitos (pg. 10)
É preciso ir além da garantia do conhecimento e do uso da língua de sinais pelossurdos. A LIBRAS precisa assumir o papel de L1 na vida dos surdos. Desse modo, faz-senecessário repensar as práticas educacionais atuais em relação aos surdos. De acordocom Pereira (2002, pg. 49) é através da língua de sinais que
“[...] os alunos surdos poderão atribuir sentido ao que lêem, deixando de ser meros decodificadores da escrita, eé através da comparação da língua de sinais com o português que irão constituindo o seu conhecimento do português.” 
E é neste momento que podemos responder à pergunta: porque falar de letramentoquando falamos em educação de surdos?Porque falar apenas em alfabetização não dá conta da complexidade da educaçãodos surdos. Segundo Soares (2006, pg. 16) “
a ação de
alfabetizar 
, isto é, segundo o Aurélio, de “ensinar a ler” (e também a escrever, que o dicionário curiosamente omite) édesignada por 
alfabetização
” 
(grifos da autora). Portanto, alfabetização é a ação deensinar a ler e a escrever. E
“alfabetizado nomeia aquele que apenas aprendeu a ler e aescrever, não aquele que adquiriu o estado ou a condição de quem se apropriou daleitura e da escrita, incorporando as práticas sociais que as demandam).” 
(Ibid, pg. 19).Portanto, considerar a aprendizagem da ngua portuguesa isoladamente, é oconsiderar o sujeito surdo e sua língua.De acordo com Pereira (2002, pg. 49)

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