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Ensino de LIBRAS - História dos surdos no Brasil

Ensino de LIBRAS - História dos surdos no Brasil

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Palestra: História dos surdos no Brasil
Érica Macedo faz um relato sobre as peculiaridaddes da Comunidade Surda.
 
História dos Surdos no Brasil*
Éricka Viviene Faria Macedo
 
Formação: Administração de Sistemas de Informação - Bacharelado pelo CentroUniversitário UNA(Faculdade de Ciências Gerenciais - União de Negócios e Administração), Pós-graduanda em "Gestão em Responsabilidade Social"IEC/ PUCMinas,Diretora Administrativa da Associação dos Surdos de Divinópolis/MG -www.assurdiv.com.br ,Auxiliar de Operações do Núcleo de Apoio aos Negócios de Créditodo Banco do Brasil S/A . e-mail: evfmacedo@yahoo.com.br 
 
N
asceu em Paris, França, no ano de 1822, Eduard Huet, cuja família pertencia ànobreza daquele país. Aos doze anos ficou Surdo em conseqüência de sarampo. Embora já falasse francês, alemão e português, após tornar-se Surdo, aprendeu espanhol, alémde ter estudado no Instituto
N
acional de Surdos de Paris, onde se formou professor.
N
aFrança, Huet foi professor e diretor do Instituto de Surdos de Bourges. Pertencia ànobreza, era Conde. Casou-se em 1851 com uma dama alemã chamada CatalinaBrodeke e emigrou para a Corte Portuguesa no Brasil em 1855, mesmo ano em quefundou a Escola do Rio de Janeiro para a educação de Surdos, a instâncias do Imperador Dom Pedro II, sendo diretor e professor.
 
N
aquela época, segundo Adalberto Ribeiro, numa reportagem publicada na Revistado Serviço Público em 1942, Huet tinha como principal propósito a fundação de umaescola de surdos, pois era "levado por sentimentos de solidariedade humana, cogitou, por sua vez, a fundação de uma casa de ensino e abrigo para seus companheiros surdos-mudos".
N
aquele tempo, no Brasil, não havia uma idéia pública acerca da educação dossurdos e, inclusive, as famílias relutavam em educá-los, dificultando a Huet concretizar seu propósito. Por ter trazido uma carta de recomendação do Ministro de InstruçãoPública da França, no entanto, ele foi apresentado ao Reitor do Imperial Colégio, DomPedro II, que lhe abriu as portas para criar a primeira escola de surdos no país (atualInstituto
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acional de Educação de Surdos - I
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ES), porém também não podemos nosesquecer de que, para desenvolver o seu trabalho, o professor Huet contava com oauxílio da nobreza ligada ao governo.
 
Em janeiro de 1856, apresentou o programa para a educação de surdos e, doisanos mais tarde, apresentou os seus sete alunos ao imperador e realizou o exame públicode seus alunos, de acordo com os moldes daquela época, entusiasmando o público queassistiu, frente aos resultados que eles alcançaram.
 
Logo em seguida, em 1861, abalado em razão de haver se separado de sua esposa,reconheceu que não podia continuar à frente do Instituto de Surdos-Mudos e decidiuvender seus direitos ao então Imperador D. Pedro II, sendo que, naquela época, jáexistiam dezessete alunos estudando no Instituto.
 
Em 1865, o governo do Presidente Juarez enviou uma carta, para a cidade do Rio deJaneiro, ao Sr. Luis G. Villa y Alacazar, convidando o Professor Eduardo Huet, diretor daEscola de Surdo dessa cidade, a ir à Cidade do México com o objetivo de organizar edirigir uma escola para Surdos, oferecendo-lhe todas as facilidades e apoio para realizar tal tarefa. Dom Eduardo Huet aceitou o convite com entusiasmo e mandou seus filhos àFrança, onde continuariam sua educação, como era costume na época. Sua filha iria paraum convento e seus filho estudaria com os irmãos maristas.Chegou ao México no começo de 1866 e encontrou o panorama político mudado. Aescola começou com a inscrição de três crianças. Dizem as crônicas que, em janeiro de
 
1867, as três crianças foram apresentadas em exame público, com a presença deautoridades da cidade, dos vereadores e dos particulares que financiavam o projeto. Oexame foi classificado de notável, visto que em pouco tempo as crianças davam sinais deinteligência.
O
Início das
O
rganizações Surdas
 
O ano de 1834 pode ser dito como uma grande época de início das organizaçõessurdas.
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os banquetes que as comunidades surdas realizavam na época, falavam muitodo "povo surdo" e da "nação surda", enquanto a expressão "comunidade surda" teveorigem mais recente. O elo que distingue a comunidade surda de outras comunidades efaz com que a comunidade surda determine a marcação simbólica de sua diferença, nãopela nacionalidade, classe, raça, etnia, mas pela cultura.
P
ara o movimento surdo, contam as instânciasque afirmam a busca do direito do indivíduosurdo em ser diferente em questões sociais,políticas e econômicas que envolvem o mundodo trabalho, da saúde, da educação, do bem-estar social (
PERL
IN, 1998)
 
Isso é bastante comum entre os grupos minoritários. E a tendência a buscar aspectos simbólicos que possibilitem a diferenciação como uma das discussões centraisentre o essencialismo e o não-essencialismo.
E
ssencialismo:
pode fundamentar suas afirmações tanto na história quanto nabiologia; por exemplo, certos movimentos políticos podem buscar alguma certeza naafirmação da identidade apelando seja à verdade fixa de um passado partilhado, seja ásverdades biológicas. O corpo é um dos locais envolvidos no estabelecimento dasfronteiras que definem quem nós somos, servindo de fundamento para a identidade.É importante notar que essa busca do essencialismo, em alguns aspectos, torna-sebastante insistente; em outros, ela é mais amena. Isso tudo é importante, pois sempre háespaço para trocas com a comunidade ouvinte. Sobre a designação de povo e naçãosurda, os surdos formam um povo sem território e que seus clubes tomam esse lugar, eeles se sentem em sua casa, no lugar onde eles dominam.Essa história de "povo surdo" começou em 1834, no momento em que osprofessores surdos Ferdinand Berthier (membro da Sociedade dos Homens de Letra deParis, escritor brilhante e professor do Instituto
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acional de Paris) e Lenoir (colega deFerdinand, mais tarde seria diretor da Escola de Lyon, na França) decidiram mobilizar ossurdos. reuniram-se dez surdos, entre eles: Peysson de Montpelier e Mosca (pintores; háquadros de Peyson no Museu Histórico de Versailles na França). Se o objetivo erafestejar o aniversário de nascimento do abade de L'Epée, mais tarde já se constituía umareunião de sessenta surdos entre professores, pintores, gravadores e empregados. Eramsurdos foragidos da elite da sociedade hegemônica, contudo eram surdos bastantecapacitados e eficientes, eram representantes privilegiados da comunidade surda. Aos poucos, as associações foram tomando forma. De início, aqueles surdosnarravam entre si suas conquistas sociais, suas capacidades e suas aptidões. É bastantecerto que esses encontros provocaram mudanças como a redescoberta do passado, ouseja, da forma como aprenderam a língua de sinais e como, a partir dela, posicionavam-se socialmente. Aos poucos, eles foram percebendo suas necessidades e criando as Associações, que, mais tarde, espalharam-se pelo mundo.
 
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uma viagem ao exterior, o professor ouvinte Dr. Brasil Silvado Júnior entrou emcontato com as associações de surdos dos países da Europa e trouxe a idéia de fundar aprimeira associação de surdos do Brasil, no Rio de Janeiro. Segundo a revistaEphaphatha (1915), a idéia foi bem acolhida entre os surdos.
N
a primeira reunião para aorganização dessa associação de surdos, em 24 de maio de 1913, foi registrada apresença de quase todos os surdos residentes no Rio. Dessa forma, iniciou a
 
estruturação da Associação Brasileira de Surdos-Mudos.
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esse período, ao mesmotempo em que os surdos se organizavam, também surgia, no Distrito Federal (atualmenteo Estado de Rio de Janeiro), com sua força avassaladora, as idéias do oralismo, cujoresultado final culminou com o controle dessa associação pelos ouvintes.Em 16 de maio de 1953, uma outra associação denominada "Associação Alvoradade Surdos" surgiu no Rio de Janeiro. Era uma organização especial para um grupo desurdos oralizados da classe alta, da qual os surdos pobres e sinalizantes não podiamparticipar. A presidente dessa associação era a Sra. Ivete Vasconcelos, famosaprofessora ouvinte e adepta do oralismo, entretanto ela, bem mais tarde, aderiu às idéiasda comunicação total e também aos ideais de Gallaudet, porém, com a sua morte,assumiu a presidência dessa associação o Padre Vicente de Paulo Penido Burnier que,por quase dezoito anos, esteve à sua frente. Essa associação mantém suas atividadesaté hoje, mas a grande diferença dos movimentos iniciados pelos surdos no Brasil estánas Associações de Surdos fundadas pelas lideranças surdas, que inauguraram um novocapítulo nas relações políticas entre surdos e ouvintes.Em 1950, na cidade de São Paulo, alguns surdos que tinham liderança e ex-alunosdo I
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ES, costumavam encontrar-se para um bate-papo na praça da Matriz ou em algumarua-ponto, independentemente de sua classe social. Essa prática teve sua origem com osalunos do I
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ES, que se reuniam para conversar quando saíam das aulas. Talcomportamento se justificava principalmente pela possibilidade de trocarem informaçõesna sua própria língua, sem o controle dos ouvintes e, também, pelo prazer de estarem juntos. Sempre que um surdo tinha tempo disponível, ele procurava se reunir com outrossurdos em algum ponto de encontro.
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aquele período, também existiam as atividades de esporte, porém elas eramrealizadas em conjunto com ouvintes devido à dificuldade que tinham para encontrar espaços para praticarem esportes entre si. Esses grupos, apesar de se reunirempermanentemente para um bom "bate-papo", não tinham idéia da existência das Associações de Surdos.Essa reunião de surdos nas ruas de São Paulo não está distante da historia dossurdos de todas as capitais e cidades brasileiras. Quase todas as Associações de Surdos,nos dias de hoje, têm o início de sua história nas reuniões em algum ponto de encontro,tanto nas ruas quanto nas praças. São raras as Associações de Surdos que iniciaramsuas atividades na casa de surdos ou de algum ouvinte.O início da Associação de Surdos de São Paulo deu-se devido a uma viagem depasseio a Buenos Aires realizada por um surdo (Armando Melloni) que participava de umdesses grupos de encontro em Campinas/SP.
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essa viagem, ele conheceu surdos da Argentina que participavam de uma Associação (Associocion dos Sordosmudos AyudaMutua, primeira associação fundada da América Latina, originada nas comunidadessurdas da França) que funcionava naquela capital argentina. Convidado a conhecê-la,constatou que os surdos tinham um espaço próprio para a associação.
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o retorno de suaviagem, esse surdo de Campinas relatou a sua experiência para os grupos de surdos quese encontravam nas ruas. Ao mesmo tempo em que ficaram admirados com a notícia,também tomaram a iniciativa de fazer contato com a diretoria dessa Associação, trazendopara o Brasil a sua forma de ver a organização dos surdos. Assim, os surdos de SãoPaulo fundaram a primeira Associação realmente de surdos no Brasil. Ao ser fundada, em 19 de março de 1954, a Associação de Surdos de São Paulo passoua ter como meta criar novas associações, nos mesmos moldes, em outros Estados dopaís. Dessa forma, em janeiro de 1955, foi fundada a Associação dos Surdos do Rio deJaneiro e, em 30 de abril de 1956, a Associação dos Surdos de Minas Gerais.
 
Engajado nesse novo projeto de construção de Associações de surdos pelo Brasilafora, estava o professor Francisco de Lima Júnior, de Santa Catarina que, a exemplo dos

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