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O Mito do Eleitor Racional

O Mito do Eleitor Racional

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Published by: Adriel Santos Santana on Aug 21, 2011
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08/21/2011

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 por 
 Bryan Caplan
 Há uma eleição à vista. Será que os eleitores sabem o que estão fazendo? De acordocom o economista mais comum ± e vários cientistas políticos ± a resposta é ³Não, masisso não importa.´ Como isso poderia não importar? O principal argumento é que oserros do público se anulam mutuamente. [1] Por exemplo, algumas pessoas subestimamos benefícios da imigração, e outras superestimam os benefícios. Porém, enquanto acrença do eleitor médio for a verdadeira, os políticos ganham ao promover políticasimigratórias baseadas em fatos.Essa história é boa de se ouvir, mas será que ela é correta? Será que as crenças doeleitor médio são verdadeiras? Em meu livro
The
Myt 
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Rational Vot 
e
[O Mito doEleitor Racional], lançado pela Princeton University Press, analiso um
corpus
 significativo e concluo que, definitivamente, a resposta é "não". Como mariposas emtorno de uma lâmpada, os eleitores gravitam em torno de alguns enganos. E seus errosnão se anulam: eles se combinam.Em meu livro, e nesse ensaio, concentro-me nos enganos do público em relação àeconomia. Em parte, faço isso por ser economista, porém, principalmente, faço-o porque a economia é um exemplo bem claro de um assunto que é politicamenteimportante (³é a economia, seu burro´), mas que é ainda pouco compreendido.Desconfio que os erros dos eleitores estendem-se para muito além da economia. Jáexistem provas convincentes de que a maior parte do público possui crenças poucofundamentadas a respeito de toxicologia e câncer. [2] Em política externa, igualmente,temos o efeito ³reunião em torno da bandeira´, a tendência do público de apoiar guerrasassim que são declaradas. Mas mesmo que o eleitor médio compreendesse cada assuntonão-econômico, os enganos sobre a economia, por si, já seriam um problema sério paraa democracia.
Identificando os enganos
 Suponha que um acadêmico defenda que a crença dos eleitores em relação a X sejaverdadeira, e outro negue essa afirmação. Para esse debate fazer sentido, ambos os ladosdevem afirmar possuir conhecimento sobre (a) o que o eleitor médio acredita, e (b) qualcrença é a correta. Como podemos compreender esse tipo de disputa?É bem fácil compreendermos em que o eleitor médio crê. Existe fartura de boas pesquisas. A parte difícil é compreendermos como ³ranquear´ as crenças do eleitor médio ± encontrar uma régua com a qual suas crenças podem ser medidas. A Pesquisa Nacional sobre o Conhecimento Público das Reformas da Assistência Social e doOrçamento Federal descobriu, por exemplo, que 41% dos americanos acreditam que asajudas externas compõem uma das duas maiores áreas do orçamento federal ± contra14% que acreditam ser a seguridade social.A principal desvantagem dessa abordagem é que várias questões importantes sãocomplexas demais para serem solucionadas com um almanaque. Mas existe outroespelho a ser levantado para a opinião pública. Nós podemos localizar pessoas que possuem maiores chances de saber a resposta correta, ver o que eles pensam, e entãochecar se o público concorda. Mas quem poderiam ser essas pessoas? Os candidatosmais óbvios seriam os especialistas. [3]
 
Para verificar se as crenças do eleitor médio sobre os efeitos econômicos da imigraçãoestão corretas, por exemplo, você pode perguntar coisas ao público em geral e aoseconomistas profissionais e ver se, em média, eles concordam. Esse teste é infalível? Não. Os especialistas já erraram. Mas é difícil driblarmos a forte presunção de que, seos especialistas e os homens comuns discordam, os especialistas provavelmente estãocertos e os homens comuns estão errados. E, mais importante, se você tem alguma razãoespecífica para duvidar da objetividade dos especialistas, você pode levá-la em conta.Se você acredita que os bons salários dos economistas influenciam suas crenças, por exemplo, você pode verificar se os homens comuns e os especialistas concordam apóstermos ajustado suas rendas.Foi exatamente essa a abordagem que eu usei para analisar o melhor conjunto de dadosdisponível sobre as crenças econômicas, a Pesquisa Entre Americanos e EconomistasSobre a Economia. A descoberta principal foi que os economistas e o público em geraltêm crenças completamente diferentes em relação à economia. Comparados aosespecialistas, os homens comuns são bem mais céticos em relação aos mercados,especialmente o mercado internacional e de trabalho, e bem mais pessimistas emrelação ao passado, o presente e o futuro da economia. Onde uma pessoa comum vêuma conspiração das empresas, os economistas vêem oferta e demanda. Onde uma pessoa comum vê declínio, os economistas vêem progresso. [5]Enquanto os críticos dos economistas gostam de atribuir esses padrões à sua influência,à segurança em seus empregos e às suas ideologias de direita/esquerda, os fatos dizemoutras coisas. Controlando a renda atual, o crescimento da renda, a segurança em seustrabalhos, gênero e raça, reduzimos apenas suavemente a distância entre os economistase os homens comuns. E, já que o economista típico é na verdade um democratamoderado, controlar a identificação partidária e a ideologia faz a diferença entre elesaumentar. Os economistas acreditam que os mercados funcionam bem não por teremuma ideologia de extrema direita, mas apesar de sua ideologia levemente esquerdista.Segundo certo ponto de vista, essas descobertas não deveriam nos surpreender. Desde otempo de Adam Smith, senão um pouco antes, os economistas têm reclamado que a política econômica se baseia em concepções errôneas e tentam fazer alguma diferençacorrigindo os preconceitos de seus alunos contra os mercados, o comércio internacional,etc. Os economistas preservam essa tradição até hoje, quando dão aulas a universitários,escrevem para o público em geral ou conversam entre si. Entretanto, nas últimasdécadas, a pesquisa econômica construiu uma compreensão contrária, segundo a qual asconcepções dos eleitores seriam as verdadeiras. O que surpreende em meus resultados éque eu comparo uma visão econômica tradicional contra as pesquisas econômicasrecentes, e a visão tradicional vence. [6]
O
que as idéias erradas podem fazer
 Os cientistas políticos quase sempre criticam os economistas por suporem que oseleitores sejam egoístas. Os dados, em conjunto com minha experiência pessoal, meconvenceram que os cientistas políticos estão certos. Não importa o quanto se sabe arespeito dos interesses materiais dos eleitores, ainda sim é difícil prever como votarão.Em contraste, se você sabe como um eleitor pensa ser o melhor para a sociedade, você pode contar que ele votará de acordo.
 
Apesar disso, antes que consigamos deduzir que as políticas que forem melhores para asociedade realmente prevalecerão, nós temos que adicionar exatamente a suposição queestou contestando: que as crenças do eleitor médio sejam verdadeiras. Se suas crençassão falsas, as suas boas intenções o levam a apoiar políticasque não sejam as maisadequadas e que, possivelmente, sejam verdadeiramente ruins. [8]Considere o caso das políticas imigratórias. Os economistas são bem mais otimistas emrelação aos seus efeitos econômicos do que o público em geral. A Pesquisa EntreAmericanos e Economistas Sobre a Economia perguntou ao público se a existência de³imigrantes demais´ seria uma razão que teria muita influência, pouca influência ou seela não teria influência alguma em relação ao fato de a economia não estar tão bemquanto poderia estar. Entre os não economistas, 47% acreditam que a imigração temmuita influência, enquanto 80% dos economistas acreditam que existe influênciaalguma. Os economistas têm várias razões para possuir opinião tão diferente: elessabem que a especialização e o comércio enriquecem tanto os americanos quanto osimigrantes; que existe pouca evidência de que a imigração realmente reduza a rendamesmo dos americanos com poucas qualificações; e, já que os imigrantes são, em suamaioria, jovens do sexo masculino, e já que a maior parte dos programasgovernamentais apóia as mulheres, os idosos e as crianças, os imigrantes acabam pagando mais em impostos do que recebem em benefícios. [9]Dado o que um eleitor médio pensa acerca dos efeitos da imigração, é fácilcompreendermos porque quase toda pesquisa descobre que a grande maioria dosimigrantes deseja reduzir a imigração, e quase ninguém deseja aumentá-la.Infelizmente, tanto para os americanos quanto para os imigrantes em potencial, hámuitas razões para acreditarmos que o eleitor comum está enganado. Se a política fosse baseada em fatos, os americanos estariam debatendo agora como aumentar a imigração,ao invés de tentarem ³endurecer´ com os imigrantes que já estão no país. Não preciso nem dizer que não espero que algum político proeminente vá ler esse artigoe tornar pública a sua mudança de posição em relação à imigração. A democracia é umacompetição de popularidade. Se o eleitor médio acredita que menos imigrantes é melhor  para a sociedade, a democracia recompensa os políticos que se opõem à imigração. Issonão significa, necessariamente, que os detentores de cargos públicos estimulam os preconceitos da população. Os nossos líderes devem ter chegado ao topo do jogo político porque eles, sinceramente, compartilham dos preconceitos do público.Entretanto, independente do que acontece nas cabeças e corações dos políticos, nósdevemos esperar que a democracia dê ouvidos ao eleitor comum, mesmo quando eleestá errado. A evidência empírica indica que ele quase sempre está.
C
omo as idéias erradas persistem
 A maior parte dos enganos econômicos que vemos hoje já eram bem conhecidos notempo de Adam Smith. Como, então, as pessoas podem continuar mantendo políticas públicas errôneas, ano após ano, século após século?Os economistas da escolha pública estão acostumados a culpar o que chamam de³ignorância racional´. Em eleições com milhões de eleitores, os benefícios pessoais dese aprender mais sobre alguma política são desprezíveis, porque é pouco provável queum voto vá mudar o resultado. Então, por que nos incomodaríamos?

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