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Rev. Bras. Cienc. Esporte, Capinas, v. 32, n. 1, p. 59-73, setebro 2010 59
ESPORTES DE AçãO
NOTAS PARA UmA PESQUISA ACADÊmIC
*
mS. LEONARDO BRANDãO
Doutorando e história na Pontiícia Universidade Católica de So Paulo (PUC/SP)mestre e história pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)Bacharel e história pela Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc)Bolsista CNPq (So Paulo – Brasil)E-ail: brandaoleonardo@uol.co.br 
RESUmO
Este artigo tem como objetivo sugerir alguns caminhos possíveis para se pensar, academica-mente, acerca da inserção dos esportes de ação no Brasil, tomando como reerência principala prática do skateboard a partir de uma abordagem histórica. São discutidos alguns elementosacerca do início dessa atividade no país como também a tensão provocada por questões quetransitam entre sua marginalização e esportivização.PALAVRAS-CHAVE: Esportes de ação; skateboard; estudos acadêmicos; história.
*
Este artigo é ruto de alguas refexões surgidas inicialente e inha dissertao de estradoe aproundadas na elaborao de eu projeto de doutorado e história. As entrevistas realiadas ora eitas através da Internet (
e-mail
) e autoriadas a publicao pelos depoentes. O presente artigono contou co apoio nanceiro de nenhua naturea, tapouco houve confitos de interessespara sua realiao.
 
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CONSIDERAçÕES INICIAISEste artigo te coo objetivo sugerir alguns cainhos possíveis para se pen-sar, acadeicaente, acerca da insero dos esportes de ao no Brasil, toandocoo reerência principal a prtica do
 skateboard
(ou soente
 skate
, coo é aisconhecido no país). De orige norte-aericana, o
 skateboard
(e português,
 skate
” signica “patinar” e “
board
” signica “tbua”, sendo ento
 skateboard
o atode patinar sobre ua tbua) é ua atividade ísica – incluída no que atualente sepassou a denoinar “esportes radicais de ao” (
P
ereirA 
 
et al., 2008) – que, ebora tenha tido seu desenvolviento arcado por questões ligadas à arginaliaodos seus praticantes, ve conquistando nos últios anos u auento signicativona quantidade de adeptos tanto e seu país de orige quanto no Brasil. Segundorecentes dados divulgados pela National Sporting Goods Association
1
(NSGA),houve u auento de 5,8 ilhões para 10,1 ilhões no núero de praticantes deskateboard na Aérica do Norte entre os anos de 1998 e 2007, o que equivale au cresciento percentual de 74,1%. No Brasil, de acordo co ua pesquisa doInstituto Brasileiro de Geograa e Estatística (IBGE) e associao co a Dataolha,os adeptos dessa atividade j ultrapassa os 3 ilhões
2
, ato suciente para quealguas pesquisas o aponte coo o segundo esporte ais praticado e regiõesetropolitanas brasileiras
3
.mas toda essa populariao do
 skate
, ebora possa indicar a oraode u capo esportivo (
B
ourdieu
, 1987), ela no signica ua total odicaonos sisteas de representao, que, e u passado recente (década de 1980),associava essa prtica à arginalidade. E 2007, por exeplo, o jornal
Estado de Minas
noticiou u evento envolvendo policiais e skatistas: ua câera de vídeo desegurana urbana lou jovens skatistas sendo agredidos por policiais no centro deBelo Horionte. Esse episódio entrou no ar pela TV Alterosa (liada da SBT) e acabouna Câara municipal e na Assebleia Legislativa da cidade
4
. mais recenteente,no ano de 2008, u jove oi proibido de entrar e u
 shopping center 
na cidadede Curitiba (PR) porque estava usando “roupas de skatista”
5
. Se a arginaliao
1. Disponível e: <www.nsga.or www.oenpr.co>. Acesso e: 3 jun. 2008.2. Ver nota divulgada pela Conederao Brasileira de Skate (CBSk) co base e ua pesquisa realiadapelo Dataolha. Fonte: <http://www.cbsk.co.br/asp/dados.ht>. Acesso e: 20 de. 2008.3. Revista
Isto É
, n. 1.944, 2007, p. 57.4. É possível assistir às cenas de agresso contra os skatistas acessando o link: <http://uaiidia.co.br/htl/webs/módulos/streaing/getstreaing?re=200707D0925485984.wv>.5. Disponível e: <http://www1.olha.uol.co.br/olha/cotidiano/ult95u409566.shtl>. Acesso e:13 jun. 2008.
 
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e a discriinao, ebora e enor escala, ainda persiste, talve seja possívelpensar o
 skate
, para utiliar u tero sociológico proposto por zygunt Bauan(1999), coo u objeto abivalente. De acordo co esse autor, considera-seabivalente todo e qualquer objeto que a ele so possíveis de sere identicadas variaões antagônicas de representao social.Diante dessas questões, este artigo busca evidenciar, alé de alguns depoi-entos acerca da introduo do
 skate
no país, questões relativas tanto à argi-naliao quanto à populariao dessa atividade, sugerindo, desse odo, algunscainhos possíveis para se pensar, no âbito acadêico, e ua aior inserodos esportes de ao nas pesquisas universitrias. A INTRODUçãO DO
SKATE
NO BRASILE u estudo coletivo sobre a prtica social e corporal do
 skate
, realiadopor proessores ligados à Universidade de Concepción, no Chile, e coordenadopelo proessor doutor miguel Cornejo Aéstica, é colocado ser nos Estados Uni-dos da Aérica, ais especicaente na Caliórnia, o lugar “donde se produce unexplosión de prcticas corporales que van recorrer el undo. Estas prcticas se lesdenoinan
Deportes Caliornianos
y incluyen el Skate, Sur, WindSur etc.” (
 A 
MéSticA 
 et al., 2006, p. 42).De ato o
 skate
oi ua inveno estritaente norte-aericana, de jovenscaliornianos que – segundo a verso ais divulgada pelos eios de counicaoespecícos sobre
 skate
– passara a iprovisar tbuas sobre rodas para “curtir” noasalto e épocas de aré baixa para o
 sur 
. Ebora associado ao
 sur 
e tendo seudesenvolviento ligado aos surstas nas décadas de 1960 e 1970, o pesquisador norte-aericano michael Brooke (1999), autor do livro
The concrete wave: thehistory o skateboarding 
, aponta que, antes desses jovens de praia praticare o “
 sur 
 de asalto”, havia outra espécie de
 skate
, que, de ora rudientar, j vinha sendopraticado por jovens norte-aericanos. Tratava-se das
 scooters
, noe e inglês dadopara aqueles patinetes de adeira – alguns eitos até co caixas de laranja – quecontinha u guido coo u ponto de equilíbrio. Segundo o jornalista marco Antonio Lopes
6
, se esse “lee”, jovens norte-aericanos j desliava pelas ruasnas décadas de 1920 e 1930.Tabé outro pesquisador norte-aericano, Rhyn Noll (2000), ara eseu livro
Skateboard retrospective
que o prieiro skate oi patenteado e 1936,
 
6. Disponível e: <http://super.abril.co.br/superarquivo/2005/conteudo_102868.shtl>. Acessoe: 5 de. 2008.
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