Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
5Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
A Coluna Geológica e a Paleontologia

A Coluna Geológica e a Paleontologia

Ratings: (0)|Views: 700 |Likes:
Published by Eduardo Morais

More info:

Published by: Eduardo Morais on Aug 23, 2011
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

11/05/2012

pdf

text

original

 
11
AACCoolluunnaaGGeeoollóóggiiccaaeeaaPPaalleeoonnttoollooggiiaa
Marcos Natal de Souza Costa
Centro Universitário Adventista de São Paulo
Introdução
Muito pouca coisa pode se dizer sobre Geologia sem se referir a Escala de TempoGeológico. Trata-se de uma forma padronizada utilizada pelos geólogos para ordenar ecomparar eventos passados que teriam ocorrido no mundo inteiro.Ela foi construída através da análise de vários tipos de rocha e do seu conteúdofossilífero, funcionando como se fosse uma régua do tempo onde estão registrados aseqüência de eventos que contribuíram para a formação da crosta terrestre.Sua história reflete mudanças significativas nas formas de pensamento sobre a origem eidade da Terra. Assim, qualquer renomado cientista do século XVII que fosse perguntadosobre a idade da Terra e como ela teria se formado diria que a Terra teria 6000 anos eque sua história estaria narrada nos primeiros capítulos do livro de Gênesis. Se a mesmapergunta fosse feita a outro cientista do século XIX ele diria que a Terra seria bem maisantiga, que o Dilúvio de Noé teria sido local ou nem mesmo teria ocorrido e que a históriada Terra estaria registrada nas rochas.Através da coluna geológica é possível prever o conteúdo fossilífero de uma determinadacamada de rochas em qualquer lugar da Terra. Isto porque, de acordo com a biologiaconvencional, a evolução dos seres vivos teria ocorrido de forma irreversível, ou seja, osorganismos que viveram em uma determinada época, deram origem a outros organismosmas nunca reverteram a formas primitivas. Para o criacionismo científico ela também éde grande utilidade uma vez que nos informa sobre a paleogeografia e a paleoecologiado mundo pre-diluviano, ou seja, sobre a distribuição e as interrelações entre ascomunidades bióticas.Neste trabalho faremos uma breve revisão histórica de como se formou a escala detempo geológico, quais seus fundamentos e que tipo de informações podem ser delaextraídas. Esta revisão tem por base o trabalho de Teixeira
et al 
., 2000. Em seguidadiscutiremos também qual o significado das divisões do tempo em Eras, Períodos eÉpocas segundo as proposições da geologia convencional.
Concepções Iniciais Sobre a Origem da Terra
A idéia de que a Terra poderia ser muito antiga só emergiu nos dois últimos séculos emconsequência de dois grandes movimentos da cultura ocidental:
-
O Iluminismo: movimento intelectual europeu do século XVII através do qual o homempassou a substituir as explicações sobrenaturais para os fenômenos da natureza por leisnaturais;
-
Revolução Industrial: movimento técnico-científico e socio-econômico observado naEuropa pela metade do século XVIII o qual incrementou fortemente a demanda por matérias-primas e recursos energéticos oriundos do subsolo.Antes disto, porém, não se cogitava que o mundo pudesse ser muito antigo devido agrande influência religiosa no pensamento intelectual daquela época. Assim, ocristianismo primitivo já afirmava que a Terra teria apenas poucos milhares de anos. Idéiasemelhante continuou a ser difundida na Idade Média e Renacença por sábios europeusque concebiam um mundo criado em conformidade com o relato bíblico de Gênesis, ouseja, há cerca de 6000 anos. Tal concepção foi consolidada no importante trabalho doArcebispo Ussher (1581-1656), primaz da Irlanda, através de cuidadosa pesquisa nas
 
12
Sagradas Escrituras e em outros documentos históricos. Ussher chegou mesmo aestabelecer o dia da criação, que segundo ele, teria ocorrido em 23 de outubro de 4004antes de Cristo. Tal foi a influência do trabalho de Ussher que esta data permaneceu atéo início do século XX como nota de rodapé nas Bíblias publicadas pelas editoras dasprestigiosas universidades inglesas de Oxford e Cambridge.Paralelamente aos trabalhos de Ussher, desenvolvia uma escola que, segundo Harter (1998), denominava-se Cosmogonia Especulativa. Esta nova concepção foi liderada por René Descartes cujo modelo de história da Terra influenciou sobremaneira o pensamentode sua época e deu origem a novas cosmogonias nos séculos seguintes. O sistema deDescartes postulava que a Terra teria se formado através de uma imensa bola de fogoque, após se resfriar teria originado uma crosta sobre o grande mar primitivo. Parte destacrosta teria entrado em colapso e liberado grandes quantidades de água para a superfíciedando origem aos oceanos.No clima intelectual dos séculos XVII e XVIII, que mantinha a idéia do ser humano comocentro do Universo e a Terra como de seu uso exclusivo, começou a surgir a Geologia.Os princípios desta nova ciência foram enunciados pelo dinamarquês Nils Stensen, maisconhecido pela forma latinizada como Nicolau Steno (1638-1686). A grande contribuiçãode Steno foi o estabelecimento dos três princípios que regem a organização desequências sedimentares, publicado em 1669 no seu livro
Prodromus
:
-
Superposição: sedimentos se depositam em camadas, as mais velhas na base e asmais novas sucessivamente acima;
-
Horizontalidade: depósitos sedimentares se acumulam em camadas sucessivasdispostas de modo horizontal;
-
Continuidade Lateral: camadas sedimentares são contínuas, estendendo-se até asmargens da bacia de acumulação ou se afinam lateralmente.Apesar de simples, estes princípios são absolutamente fundamentais na análise dasrelações temporais dos corpos rochosos, embora sua aplicação indiscriminada possalevar a interpretações equivocadas. Hoje, eles parecem mais que óbvios, contudo, naEuropa do século XVII, vivendo um período de transição entre os mundos medieval emoderno onde conviviam interpretações eruditas da história da Terra e Inquisições aolado de grandes descobertas científicas como o telescópio, o microscópio e o cálculo,estes conceitos foram inovadores.Por volta do século XVIII, o conceito bíblico da Criação ainda se refletia claramente nasprimeiras tentativas de ordenar a história geológica do planeta. Entre 1750 e 1760,Giovanni Arduino (1713-1795) nos Alpes italianos e J. G. Lehmann (1719-1767) naAlemanha denominaram as rochas cristalinas com minérios metálicos, observadas nonúcleo das montanhas, de primária ou primitivas e as rochas estratificadas bemconsolidadas (calcários, folhelhos) com fósseis de secundárias; as rochas estratificadaspouco consolidadas com fósseis marinhos e intercalações vulcânicas foram denominadasde terciárias. Posteriormente surgiu o termo transicional para acomodar rochasintermediárias entre as primárias e secundárias e em 1829 o francês J. Descoyerscunharia o termo quaternário para sedimentos marinhos recobrindo rochas terciárias naBacia de Paris. Os termos primário e secundário já foram abandonados, mas os termosTerciário e Quaternário ainda constam da escala moderna do tempo geológico, emboracom conceitos diferentes dos originais.Na segunda metade do século XVIII esta divisão simples foi interpretada à luz do relatobíblico da separação da porção seca das águas durante a criação. De acordo com estaidéia, quase todas as rochas, incluindo os granitos e basaltos, teriam se precipitado daságuas do mar primordial, daí a razão do nome Netunismo, em homenagem a Netuno, odeus do mar da mitologia greco-romana.
 
13
Os netunistas acreditavam que as rochas se formavam em quatro séries sequênciais apartir das águas do mar primevo, como relatado na Bíblia. Para eles, as duas séries maisantigas, incluindo rochas ígneas e metamórficas eram precipitadas em capasconcêntricas sobre toda a superfície original da Terra quando este mar ainda cobria tudo.As outras duas séries, mais restritas geograficamente e caracterizadas por fósseis,marcas de correntes e outras estruturas indicativas de águas mais rasas eram originadasquando os continentes já se expunham acima do nível do mar (Fig. 1). Para explicar adescida do mar primevo os netunistas, como Steno, postulavam que as águas sumiampara dentro de imensas cavidades no interior da Terra.O netunismo teve em Abraão Werner (1749-1817), professor durante 42 anos naAcademia de Minas de Freiberg, Alemanha, seu proponente mais carismático. Ainfluência de Werner se estendeu até cerca de 1840, já no berço na doutrina antagônica,o Plutonismo, que nascera no fim da século XVIII em Edimburgo, Escócia.Enquanto Werner lecionava na Alemanha, o naturalista escocês James Hutton (1726-1797) fazia as observações que serviriam de base para transformar a Geologia numaciência já nas primeiras décadas do século XIX. Próximo à sua casa em Edinburgo,Hutton descreveu evidências de metamorfismo de contato entre basalto e rochassedimentares e interpretou como intrusivo (e não precipitado) um granito que cortavacalcário supostamente mais novo segundo os netunistas. Juntando estas observações,Hutton demonstrou a natureza fluida, quente e intrusiva das rochas ígneas,fundamentando assim o conceito de plutonismo (de Plutão, deus grego das profundezas),em contraposição ao netunismo de Werner. Em seu trabalho mais importante,
Theory of the Earth
, de 1788, Hutton articulou suas idéias modernas sobre a Geologia e a histórialonga e complexa da Terra. Para Hutton todo o registro geológico podia ser explicadopelos mesmos processos que atuam hoje, como erosão, sedimentação, vulcanismo, etc.Este conceito leva o nome de princípio de causas naturais.Hutton ainda estabeleceu outro princípio fundamental da Geologia, ou seja: as relaçõesentrecortantes de corpos rochosos. Este princípio pode ser desdobrado em duas partes,a primeira regida pela lei das relações de corte e a outra pela lei das inclusões. Assim,qualquer feição geológica (rocha ou fóssil) cortada ou afetada por outra (dique,
sill 
, falha,dobra, atividade de organismos, etc.) ou contida em outra (um seixo num conglomerado,uma bolha de gás num cristal) é mais antiga do que a rocha que corta ou que a contémou que a estrutura que afeta.Entre 1830 e 1875, outro escocês, Sir Charles Lyell (1797-1875) popularizaria, em 14edições de seu clássico
Principles of Geology 
, o princípio de causas naturais sob oprisma do Uniformitarismo. Esta obra influenciou várias gerações de geólogos a começar pelo jovem Charles Darwin (1809-1882) que o levou consigo ao embarcar no
Beagle
em1831 em sua fantástica viagem ao redor do mundo.Na visão de Lyell, o presente seria a chave do passado sendo o passado igual aopresente inclusive em intensidade dos processos atuantes na dinâmica interna e externa.Hoje sabemos que isto não é totalmente verdade uma vez que nem todos os processosobsedavas atualmente como erosão, formação de solos, absorção e reflexo da energiasolar, etc. correspondem exatamente e na mesma intensidade a aqueles que atuaram nopassado. Assim, o rigor do Uniformitarismo proposto por Lyell passou por uma revisãoconceitual dando origem ao Atualismo. Este princípio parte do pressuposto da constânciadas leis naturais que regem os processos geológicos, mesmo que no passado osprodutos e a intensidade destes processos tenham sido algo diferentes daquilo que seobserva atualmente.

Activity (5)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
1 thousand reads
Lucas de Abreu liked this
Genielle Gomes liked this
Antonieta Candia liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->