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D. Leonor de Aragão, a “triste rainha”. João Silva e Sousa

D. Leonor de Aragão, a “triste rainha”. João Silva e Sousa

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05/12/2014

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 João Silva de Sousa
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa 
D. Leonor, “a triste rainha” 
Resumo
Portugal teve esplêndidas rainhas que souberam ajudar os seus maridos na gover-nação do reino, através de conselhos adequados e na educação dos filhos. Nunca édemais dizer-se que, por detrás de um bom rei, há sempre uma grande rainha.E exemplos disso bem nossos conhecidos estão Filipa de Lencastre, D. Leonor de Aragão, de quem vamos falar hoje, e uma Infanta que, por acaso, nunca chegou arainha mas que valeu por dois ou três do seu marido: D. Beatriz, mãe de D. João,D. Diogo e do rei D. Manuel I. À morte do Infante D. Fernando, D. Beatriz foi tuto-ra e curadora dos filhos e dos bens destes, e uma das mais exímias administradorasdos bens da Família, tendo-se preocupado, inclusivamente, com a gestão das ilhasdos Açores e da Madeira. D. Leonor ou a “triste Rainha” encarregou-se de ajudar acurar a doença do marido, da educação dos filhos cuja missão acabou por lhe ser reti-rada, passando-se para Castela, por razões de “Estado” e rivalidades entre partidospolíticos, encabeçados por importantes senhores feudais no reino, entre 1433 e 1445.
 Abstract
Portugal has a long list of queens who are remarkable for their extraordinary role incourt affairs, namely for their wisdom and capacity to educate the children. It isalways fair to say that behind a good king there was always a good queen. Well-known examples are D. Filipa of Lancaster, D. Leonor of Aragon, about whom wewill speak here in more detail, and an Infanta, who was worth twice her husband butwho was never queen, D. Beatriz, mother of D. João, D. Diogo and King D.Manuel,. At the death of the Infante D. Fernando, D. Beatriz became the guardianand trustee of his children and one of the most eminent administrators of their lega-cy, which included the administrative affairs of the islands of the Azores andMadeira. D. Leonor, “the sad Queen”, cared for the king during his illness and atthe same time educated their children, a task from which she was withdrawn for“reasons of State” and rivalries between political parties headed by powerful feudalnoblemen during 1433 to 1445, forcing her to take refuge in Castile.
359
 
“E por fazer voontade a vós, muito excelente Senhora Rainha, pedindo-lhes que outorguem sem-  pre na vida presente, e no seu reino comprimento de vossos boos desejos, e mais o que se sabe que pêra vós é melhor. Amem”.
D. Duarte
, Leal Conselheiro,
Cap. CIII, p. 375
.
1.Não interessa aqui referir as conjunturas políticas e económicas que oReino atravessava desde os finais do governo de D. Fernando. São por demaissabidas, pois muitos autores têm-se referido a elas
1
. Mas foi, em grande parte,neste ambiente de constante desequilíbrio que nasceu D. Duarte, o terceiro filhodo rei D. João, o primeiro, entre os vivos, e lhe veio suceder no trono, em 1433.
2
Parece ter sido associado ao governo do pai por 1411-1412, teria, então, 20 ou21 anos, o que, de facto, para certos casos, seria o tempo de atingir-se amaioridade
3
.Oliveira Martins, em
Os Filhos de D. João I 
4
, traça o retrato do herdeiro, damaneira mais infeliz possível, comparando a sua fragilidade e depressão conti-nuada com a fortaleza de ânimo e de espírito dos demais Príncipes seus irmãos.
360 João Silva de Sousa
1
Crónica do Condestabre de Portugal 
, Lisboa, Ministério da Educação Nacional, 1969; FernãoLopes,
Crónica del Rei dom João da Boa Memória 
, 2 Vols., Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda,1977; Salvador Dias Arnaut,
 A Batalha de Trancoso 
, Coimbra, Faculdade de Letras, 1947; Carlos GomesBessa,
Batalha dos Atoleiros. Seu carácter percursor em Portugal, sep. de Aljubarrota – 600 anos depois 
,Lisboa Ed. Minerva, 1987; António Borges Coelho,
 A Revolução de 1383 
, Lisboa, Seara Nova, (3.ª ed.revista e aumentada), 1989; Maria Helena da Cruz Coelho,
 As Cortes e a Guerra 
, sep. de
Revista de História da Sociedade e da Cultura 
, 2001; Maria José Pimenta Ferro,
 A Revolta dos Mesteirais de 1383 
,sep. da
 Actas das III Jornadas Arqueológicas 
, Vol. I, Lisboa, A. A. P., 1978; Saúl António Gomes,
Memória da Batalha Real de 1385 
, sep. de
Tempos e História. Comemorações dos 500 anos do Concelho e da Vila da Batalha 
, Magno ed., Câmara Municipal da Batalha, 2000 (pp. 37-75); Armando Luís deCarvalho Homem,
Em torno de Álvaro Pais 
, sep. de
Estudos Medievais 
, n. 3-4, 1983-4; A. H. de AraújoStott Howorth,
 A Batalha de Aljubarrota – dúvidas, certezas e probabilidade militar inerente 
, Lisboa,1960; Fernando Severino Lourenço,
O Sistema Defensivo da Batalha de Aljubarrota 
, sep. de
Baluarte 
.
Revista das Forças Armadas Portuguesas 
, n.º 4, 1985; e João Gouveia Monteiro,
 Aljubarrota. 1385. A Batalha Real 
, Lisboa, Tribuna, 2003.
Vide 
bibliografia citada pelo autor, pp. 124-127.
2
D. João I teve de D. Filipa de Lencastre D. Branca, nascida em Santarém, a 30 de Julho de 1388,vindo a falecer em Março de 1389. Acha-se sepultada na capela-mor da Sé de Lisboa; ainda, antes deD. Duarte, D. Afonso, nascido igualmente em Santarém, a 30 de Julho de 1390 e falecido a 22 deDezembro de 1400. Foi sepultado na Sé de Braga. O terceiro, primeiro entre os vivos e sucessor do rei,foi D, Duarte, que herdou a Coroa.
3
 Acerca da maioridade, o nosso especialista Martim de Albuquerque tem sérias dificuldades emobter um número que corresponda aquela: “os catorze e os vinte e cinco anos constituem os dois marcosem que o problema da menoridade do rei se moveu. Não conhecemos, de facto, quem defendesse umtermo da menoridade inferior aos catorze anos ou superior aos vinte e cinco. Entre os dois limites assi-nalados, todavia, oscilaram os factos e a doutrina”.
Vide As Regências na História do Direito Público e das Ideias Políticas em Portugal, sep. de Portugaliae Historica 
, Vol. I, Lisboa, 1973.
4
Cf. Oliveira Martins,
Os Filhos de D. João I 
, Lisboa, Guimarães e C.ª Editores, Obras Completasde Oliveira Martins, Lisboa, 1973. Não é muita a bibliografia existente acerca de D. Duarte e da rainhaD. Leonor. Entre outros, vejam-se D. António Caetano de Sousa,
História Genealógica da Casa Real Portuguesa 
, 2.ª ed., tomo II, Coimbra, 1946; Fortunato de Almeida,
Historia de Portugal 
, Vol. II,Coimbra, 1822; A. Moreira de Sá, “Alguns documentos referentes ao Infante D. Pedro”, in
Revista da 
 
Com efeito, D. Duarte mostrava aquela “virtuosa abnegação e a passividade queo matou”
5
. O rei tinha “na sua virtude o quer que é enfermiço e feminino”
6
, “aquem faltava a energia e a audácia do pai”
7
, baseando-se na doença que oInfante contraiu e a que se refere no
Leal Conselheiro 
8
. E nas compreensíveisindecisões, antes e após o desastre de Tânger, o biógrafo não hesita em qualificaro rei de homem sem vontade própria, sem energia, e demasiado escrupuloso
9
.Uma depressão, uma forte crise de nervos, a ideia de suicídio… abateramsobre ele muito novo. Não era fácil carregar sobre os ombros uma missão queherdaria do progenitor, só porque fora o primeiro varão a sobreviver, no elencodos oito legítimos e dos seis vivos. A situação europeia e as eminentes guerrascom Castela travadas por convénios de pazes sucessivos devem ter contribuídopara um sério estado de esgotamento
10
. Podia,
inclusive 
, nem reunir as condiçõesnecessárias para reinar dado que, à época, era tão-só necessário ser-se o filhomais velho para o fazer. O resultado de Tânger, em 1437, não lhe permitiuenfrentar a realidade e pô-lo num estado de acabamento rápido o que fez sur-preender os seus mais ligados. Morreu em 1438.Entretanto, um tratamento sabiamente prescrito por médicos e confessorestornou-o fictícia e temporariamente num “homem alegre e de gracioso recebi-mento”
11
, pouco ou nada tendo a ver com “ o homem sisudo”, porque inte-ligente e amante das letras que o Cronista refere logo a seguir
12
. Esta dualidadepsicológica revelada pelo Infante e Rei está bem patente nas suas duas obras.
361D. Leonor, “a triste rainha”
Faculdade de Letras de Lisboa 
, XXII, 2.ª série, n.º 1, 1956, pp. 5-68; Domingos Maurício Gomes dosSantos,
D. Duarte e as responsabilidades de Tânger 
, 2.ª ed., Lisboa, 1960;
Monumenta Henricina 
, Vols.III e IV, Coimbra, 1961-1962; Humberto Baquero Moreno,
 A Batalha de Alfarrobeira 
. Vols. I e II.
 Antecedentes e Significado Histórico 
, Coimbra, Biblioteca Geral da Universidade, 1979-1980. Veja-se,sobretudo, nas inúmeras e longas biografias traçadas pelo autor, no Vol. II, algumas informações acercada rainha D. Leonor e de seus adversários e partidários, o mesmo sucedendo com o Regente D. Pedro,até 1449.
5
Cf.
Ob. Cit.
, p. 32.
6
Id.,
ibid 
., p. 32.
7
Id.,
ibid 
., p. 37.
8
Dom Duarte,
Leal Conselheiro 
, ed. crítica, introdução e notas de Maria Helena Lopes de Castro,com prefácio de Afonso Botelho, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Colecção PensamentoPortuguês, 1998.
9
Id.,
ibid 
., p. 39.
10
O Infante D. Pedro, de Bruges, escrevia-lhe, entre muitos outros conselhos que lhe dera que “seporventura sentirdes vossa vontade cansada e enfraquecida com o peso dos grandes cargos e não ligeirosde remediar, oferecei-lhe [ao Conselho dos seus ministros] os muitos maiores que el-rei vosso pai eoutros príncipes passaram e passam e esforçai-vos no muito siso e virtude que vos Deus deu com que soisabastante para sofrerdes tanto como o quer no mundo mais sofreu». Cf. Rui de Pina,
Crónica do rei D. Duarte 
, Lisboa, Presença, 1966, p. 50.
11
Cf. Ruy de Pina,
Crónica cit 
., p. 45.
12
Id.,
ibid 
., p. 46. Pelas citações que faz, deve ter meditado sobre o
De Officiis 
de Cícero e as
Epístolas 
de Séneca. Não são de pôr de parte o
De Regimine Principum
de Egídio Romano, as
Regras Pastorais 
de São Gregório Magno,
Colações dos Santos Padres 
,
Estabelecimentos dos Mosteiros de Cassiano, o Livro das Sentenças 
de Pedro Lombardo, as
Consolações Filosóficas 
de Boécio, o
Livro do  Amante 
de Gower.

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