INTRODUÇÃO
O complexo principal de histocompatibilidade(MHC:
major histocompatibility complex
) represen-ta a região gênica que codifica as moléculas de histo-compatibilidade responsáveis pela apresentação deantígenos ao sistema imune.
1
Na espécie humana, oMHC está localizado no braço curto do cromossomo6, sendo denominado sistema HLA (
human leukocy-te antigens
).
1-3
Os genes do sistema HLA têm sidodidaticamente agrupados em três regiões: classe I, IIe III.
1,2,4,5
A região de classe I engloba os
loci
HLA-A, -B e -C, que codificam as moléculas clássicas de histo-compatibilidade expressas na superfície de todas ascélulas nucleadas. A região de classe II é compostapelos
loci
HLA-DR, -DQ e -DP, que codificam as molé-culas de histocompatibilidade presentes na superfíciedas células apresentadoras de antígenos. A região declasse III não codifica moléculas de histocompatibili-dade, e sim outras moléculas, como os fatores denecrose tumoral, as proteínas C4, C2 e o fator B dosistema complemento, a proteína do choque térmicoe as enzimas 21-hidroxilase. A principal função das moléculas HLA é a apre-sentação de peptídeos antigênicos para os linfócitosT, necessária para o desencadeamento da respostaimune adaptativa.
4,6
Antígenos e alelos HLA de classesI e II têm sido consistentemente associados com asusceptibilidade, proteção e manifestação clínica de várias doenças, destacando-se as auto-imunes, infec-ciosas, neoplásicas e idiopáticas.
2,5,7
Vários mecanis-mos têm sido sugeridos para explicar esses achados,
2,4
sendo os mais evidenciados: (a) mimetismo molecu-lar entre certos peptídeos do patógeno e peptídeosderivados do hospedeiro; (b) desequilíbrio de ligaçãoentre moléculas de histocompatibilidade e outrosgenes do MHC ou fora dele que estejam envolvidoscom a doença; (c) moléculas HLA atuando comoreceptores para alguns agentes etiológicos; (d) sele-ção do peptídeo a ser apresentado ao sistema imunepela molécula HLA; (e) indução da expressão de antí-genos HLA classe II em células teciduais que normal-mente não o fazem.Nesta revisão, serão discutidos alguns aspectosdo sistema HLA, métodos de detecção, nomenclaturae sua associação como mediador da patogênese dealgumas doenças dermatológicas.
MÉTODOS DE DETECÇÃO DOS ANTÍGENOS E ALELOS HLA
A detecção do polimorfismo HLA pode ser rea-lizada por métodos celulares ou moleculares.
1,2
Ométodo celular tipifica os antígenos de histocompati-bilidade expressos nas superfícies celulares. Essemétodo é realizado pela microlinfocitotoxicidadecelular mediada por anticorpo e dependente de com-plemento (método sorológico de Terasaki) ou pelacultura mista de linfócitos, em que células com fenóti-pos conhecidos são utilizadas para definir as especifi-cidades do HLA.
1,2
No método molecular, faz-se a tipi-ficação dos alelos do DNA genômico mediante aamplificação do DNA pela reação em cadeia da poli-merase (PCR:
polymerase chain reaction
) utilizando ométodo SSP (
sequence specific primers
) ou o métodoSSOP (
sequence specific oligonucleotide probes
).
1,2
NOMENCLATURA DO SISTEMA HLA
A nomenclatura do sistema HLA é periodica-mente revista e definida por um Comitê Internacionalpara conferir nomes aos alelos recém-descobertos oupara alterar a nomenclatura existente.
1,2
Antes do sur-gimento das técnicas de Biologia Molecular, a tipifica-ção do HLA era feita sorologicamente pela identifica-ção apenas do antígeno. Quando esse método éusado, o resultado é relatado pela sigla HLA seguidapor uma ou duas letras maiúsculas representando o
locus
gênico e por um ou dois algarismos represen-tando o gene (
e.g
., HLA-A1, HLA-DR4, HLA-B2).
8
Coma evolução para tipificação por métodos de BiologiaMolecular, foi possível a detecção do alelo específicoe não apenas do antígeno, o qual podia representar uma grande variedade de alelos. O antígeno HLA-B27, por exemplo, passou a ser denominado HLA-B*27, englobando pelo menos 23 variantes da molé-cula HLA-B27 (HLA-*2701 a –B*2723). Os alelos sãorepresentados pela letra do
locus
, seguida por umasterisco e por dois a oito dígitos (
e.g
., HLA-DRB1*1501, -DQA1*0102, -A*0101).
9
Os dois dígitosiniciais definem a família sorológica à qual pertence oalelo; o terceiro e o quarto são o código de variação,ou seja, especificam o alelo dentro da família; o quin-to e o sexto dígitos descrevem variações daquelealelo; e o sétimo e oitavo descrevem variações nosíntrons (regiões 5´ou 3´do gene).
10
A nomenclatura de alelos HLA de classe II dos
loci
–DQ e –DP ainda expressa o tipo de cadeia deheterodímeros de suas moléculas (
α
ou
β
), as quaissão designadas pelas letras “A” ou “B”, respectivamen-te (
e.g
., HLA-DQB1*1101, -DQA*0102).
1
Em molécu-las HLA-DR, o polimorfismo ocorre apenas no domí-nio
β
1 das cadeias
β
, sendo a cadeia a não polimórfi-ca. Por isso, no HLA-DR só se acrescenta a letra B. A nomenclatura empregada para alelos HLA de classe Inão contém essa especificação, visto que eles só apre-sentam polimorfismo na cadeia
α
, sendo, então,designados apenas por HLA-A, HLA-B e HLA-C.
2
Normas de padronização prévias introduziram o sufi- xo opcional “N” ou “L” para indicar expressão nula(null) ou baixa (low) de um alelo.
66
Alves C, Vieira N, Meyer I, Oliveira-Alves C, Toralles MB, Oliveira MF. An Bras Dermatol. 2006;81(1):65-73.