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Apostila:
Direito Administrativo –
por
Desconhecido
AULA Nº 1:
ESTABILIDADE DO SERVIDOR PÚBLICO ANTES E DEPOIS DA EMENDACONSTITUCIONAL 19/98
Para iniciar o assunto, falemos um pouco sobre estabilidade. Este instituto, há muitoexistente em nosso ordenamento, embora hoje seja atacado por muitos, tem como fimprincipal assegurar aos ocupantes de cargos públicos de provimento efetivo uma expectativade permanência no serviço público, desde que adequadamente cumpridas suas atribuições.A preocupação que justificou a criação do instituto, e sua elevação a patamar constitucional,é a de que os servidores públicos sofram pressões e ingerências de natureza política visandoa favorecer este ou aquele “amigo do príncipe”, em evidente detrimento do interesse público.É incontroverso que servidores nomeados com base em critérios políticos para cargos delivre exoneração são extremamente vulneráveis a toda sorte de pressões, agindopraticamente a mando daqueles que têm poder para nomeá-los ou exonerá-los.Outro motivo importante para explicar a existência da estabilidade é a necessidade deprofissionalização dos quadros funcionais do serviço público, o que se torna inviável se acada mudança de governo puderem ser promovidas grandes “degolas”, com a substituiçãodos apadrinhados da administração anterior pelos apadrinhados da vez.A Constituição de 1988 tratou da estabilidade em seu art. 41. Pelo texto original (antes daEC 19/98) a estabilidade foi conferida aos servidores nomeados em virtude de concursopúblico após dois anos de efetivo exercício e uma vez adquirida a estabilidade não existiaqualquer hipótese de exoneração do servidor por iniciativa da administração, entendidaexoneração como rompimento do vínculo entre o servidor e a administração sem caráter punitivo. As únicas hipóteses de perda do cargo do servidor eram as decorrentes de faltagrave, após processo administrativo disciplinar, ou o trânsito em julgado de sentença judicial,que pode acarretar a perda do cargo, por exemplo, como efeito de sentença penalcondenatória.A partir da EC 19, a estabilidade passou a ser conferida somente após três anos deefetivo exercício. Embora o caput do art. 41 após a Emenda tenha passado a explicitar quesomente os servidores ocupantes de cargos de provimento efetivo nomeados em virtude deconcurso público podem adquirir estabilidade, sempre foi entendimento pacífico da doutrina eda jurisprudência de que nem os empregos públicos (regime da CLT) e muito menos oscargos em comissão geram direito ao instituto em estudo.A aquisição da estabilidade, a partir da EC 19, passa, assim, a ter regramento distintopara os servidores já empossados na data de sua promulgação e para aqueles queingressaram depois: a) para os primeiros foi expressamente garantida, pelo art. 28 daEmenda, a aquisição em dois anos de efetivo exercício; b) para os empossados após aalteração, três anos são necessários.Outro aspecto a ser salientado é que o § 4º do art. 41 passou a estabelecer comocondição para a aquisição da estabilidade a submissão do servidor a uma avaliação especialde desempenho feita por comissão instituída para esse fim. Desse modo pode-se afirmar que, nos exatos termos do texto constitucional, a EC 19 terminou com a possibilidade deaquisição de estabilidade por mero decurso de prazo, como anteriormente era a regra.Exemplificando: o fato de o servidor ter completado o período exigido, 2 ou 3 anos, adepender do caso, não o torna automaticamente estável; a avaliação por comissão passa aser condição imprescindível (sine qua non) para a aquisição desta garantia.
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