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Indústria Brasileira de Armas

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Brasil: as armas e as vítimas
A Indústria Brasileira de armas leves e de pequeno porte:Produção Legal e Comércio
P
 ABLO
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REYFUS
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ENJAMIN
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ESSINGE
J
ÚLIO
C
ESAR 
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URCENA 
1. Introdução
 Apesar de não ser o único país assolado pela difusão da violência armada, oBrasil é um entre os poucos que também possui uma grande e próspera indústriade armas de pequeno porte (APPL) . Este fato singular tem diversas implicaçõespara as questões relativas a armas de pequeno porte no país. No nível mais ime-diato, está ficando claro que as armas de pequeno porte produzidas no Brasil –especialmente as de cano curto – são a maioria das armas de fogo relacionadas àsatividades criminosas. Usando dois dos mais violentos estados do Brasil comoexemplo, em 2002 foram apreendidas 37.418 armas de pequeno porte no estadode São Paulo e 18.056 no estado do Rio de Janeiro. Em ambos os casos, mais de70% das armas eram produzidas no Brasil,
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e mais de 80% eram revólveres epistolas, com uma predominância clara de revólveres brasileiros.
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Isto contraria oque já foi considerado de senso comum, e em parte divulgado pela própria indús-tria de armas de pequeno porte: que criminosos usam armas automáticas impor-tadas para cometer crimes, enquanto cidadãos honestos usam armas de fogo bra-sileiras registradas para uso legítimo de auto-defesa. Na realidade, as própriasempresas brasileiras de APPL produzem uma grande percentagem das armas res-ponsáveis pelos astronômicos níveis de violência armada no Brasil.
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Fonte para São Paulo: Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, para o Rio de Janeiro: Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos (DFAE) da Polícia Civil do Estado doRio de Janeiro, dados analisados pelo VivaRio/ISER.
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Fonte para São Paulo: Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, percentagemcalculada sobre 37.418 armas apreendidas em 2002. Fonte para o Rio de Janeiro; Divisão deFiscalização de Armas e Explosivos (DFAE) da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, dadosanalisados pelo VivaRio/ISER, percentagem calculada sobre 218.457 armas apreendidas entre1951 e julho de 2003.
 
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A Indústria Brasileira de armas leves e de pequeno porte: Produção Legal e Comércio
 Ao mesmo tempo, a indústria de armas de pequeno porte sempre foi parte, ehoje é o setor mais ativo, de um complexo industrial-militar maior, cujo desen-volvimento e crescimento foi, por sua vez, formado pela história política do Brasilno século 20 e, especialmente, pelas políticas do regime autoritário em vigência de1964 a 1985. O papel central que a indústria armamentista teve como um todonos planos econômicos e estratégicos dos sucessivos governos militares, teve umimpacto profundo em todos os aspectos de como se lida com armas de pequenoporte no Brasil: das políticas de registro, o controle da posse e o porte de arma, acomo a exportação de armas é classificada nas estatísticas oficiais de comércio; deseu status no Código Penal à própria estrutura do mercado. A indústria brasileira de armas de pequeno porte que vemos atualmente é, emgrande parte, resultado das políticas promulgadas nos anos 70, voltadas principal-mente para a criação de uma indústria militar doméstica de armas, e apenas indi-retamente preocupada com as armas de pequeno porte
 per se 
. Ironicamente, foi aindústria de armas de pequeno porte que se provou mais resiliente, sobrevivendopor muito às indústrias militares pesadas e vindo a dominar a produção de armas.Hoje em dia, a indústria brasileira de armas de pequeno porte é composta poralgumas poucas empresas e dominada por apenas duas: Forjas Taurus S.A. e aCompanhia Brasileira de Cartuchos (CBC). Estas empresas são quase monopó-lios para, respectivamente, armas de cano curto e munições para armas de peque-no porte e ambas continuam mantendo fortes laços com instituições brasileiras dedefesa e segurança pública. A outra peça importante no mercado de armas depequeno porte, a IMBEL, é uma empresa pública, administrada pelo Ministérioda Defesa, com fortes laços com o Exército, e é em grande parte uma produtora dearmas e munições militares. Juntas, elas ajudaram o Brasil a consolidar sua posi-ção como um produtor e exportador médio de APPL, o segundo maior no Con-tinente Americano.Como esta indústria alcançou o seu tamanho atual? Por que é tão concentra-da? Quais são seus principais mercados e como eles mudaram através do tempo?Quais empresas determinam o mercado legal de APPL no Brasil? Quais são asprincipais características destas empresas? A indústria conta mais com o mercadodoméstico ou com o estrangeiro? A indústria é competitiva e inovadora? Dependede proteção, subsídios e incentivos do governo? Quando e como o Brasil se tor-nou um ator importante no mercado mundial de APPL? Quais são as perspectivaspara o tamanho e a dinâmica da indústria em termos da evolução dos controlesdomésticos e internacionais, especialmente considerando a proximidade do refe-rendo nacional sobre a proibição de venda de todas as armas de fogo a civis? Asindústrias APPL brasileiras serão capazes de acompanhar a competição interna-
 
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Brasil: as armas e as vítimas
cional de outros produtores médios emergentes? Estas são algumas perguntas queeste capítulo busca responder através das seguintes seções: A seção 2 deste capítulo dá uma pequena introdução sobre a evolução daindústria de armas de pequeno porte no Brasil. Para fundamentar nossa com-preensão da indústria brasileira de APPL, a primeira parte do capítulo apresentauma breve história da produção de armas no Brasil, de sua encarnação mais antigano início do século 19 como fábrica de pólvora do rei de Portugal, até o períodocrucial do autoritarismo militar dos anos 70. Então examinamos minuciosamen-te a política e as iniciativas do governo nos últimos trinta anos e o perfil dasprincipais empresas envolvidas. A Seção 3 apresenta um estudo em profundidade da produção, vendas e mer-cados doméstico e de exportação. Discutimos tendências passadas e atuais e seuslugares na história mais ampla discutida na primeira parte. A Seção 4 apresenta uma breve análise da indústria APPL brasileira usandoferramentas teóricas desenvolvidas por Keith Krause para explicar a dinâmica daprodução militar e do comércio de armas.
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O trabalho de Krause, que tratou daindústria de armas em geral, é adaptado aqui ao caso da indústria de armas depequeno porte no Brasil. Também apresentamos um panorama para o futuro:quais estratégias os produtores de APPL no Brasil devem usar nos próximos anos,e que tipo de resultados podem ser esperados.Finalmente, a Seção 5 apresenta um resumo e uma descrição das fontes pri-márias consultadas, bem como uma descrição e explicação dos obstáculos meto-dológicos e relacionados a dados que encontramos durante nossa pesquisa. Apesar de termos usado fontes históricas e secundárias e entrevistas para amaior parte da seção sobre história, nossa pesquisa primária é baseada em dadosoficiais de uma série de fontes governamentais.
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Não obstante ter sido possívelencontrar muitas informações e sintetizá-las em um relatório coerente, encontra-mos algumas dificuldades com estas fontes oficiais, exacerbadas pelo longo perío-do de tempo estudado. Nem todas as fontes estavam constantemente disponíveis
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Krause, Keith. 1995.
 Arms and the State: Patterns of Military Production and Trade 
, Cambridge,Cambridge University Press, xi-299.
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Estas fontes se dividem grosso modo em quatro tipos: dados sobre a economia brasileira, doInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dados sobre comércio exterior, da Secre-taria de Comércio Exterior (SECEX), e informações das empresas na Comissão de ValoresMobiliários (CVM) e dados sobre a produção doméstica e comércio do Anuário Estatístico doExército Brasileiro (ANEEX). Um tratamento mais detalhado destas fontes, os problemas en-contrados com os dados disponíveis, e as soluções adotadas podem ser encontrados no apêndicemetodológico deste capítulo.

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