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"As crianças devem poder, enfim, brincar em campos abertos sem serem torturadas pela fome,afligidas por doenças ou ameaçadas pelo flagelo da ignorância, do molestamento e do abuso e semserem obrigadas a se envolver em atividades incompatíveis com seus tenros anos."Nelson Mandela, Ganhador do Prêmio Nobel da Paz
INTRODUÇÃO
O alcance e a escala de todas as formas de vio-lência contra a criança, bem como dos malesque elas comprovadamente acarretam, só setornaram visíveis recentemente. Este livro do-cumenta os resultados e recomendações do pro-cesso do Estudo do Secretário-Geral das Na-ções Unidas sobre Violência contra a Criança.O Estudo é a primeira pesquisa abrangente eglobal sobre todas as formas de violência con-tra a criança e ele se baseia no modelo do estu-do sobre o impacto de conflitos armados emcrianças desenvolvido por Graça Machel e apre-sentado à Assembléia Geral em 1996. Ele tam-bém representa uma seqüência do RelatórioMundial sobre Violência e Saúde da Organiza-ção Mundial da Saúde de 2002.
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O Estudo é também o primeiro documento dasNações Unidas (ONU) que envolveu criançasdiretamente ao longo de todo o processo de suaelaboração que enfatiza e desenvolve reflexõessobre sua condição de titulares de direitos esobre seu direito de expressar suas opiniões emrelação a tudo que as afeta e de terem essasopiniões levadas na devida consideração.A mensagem central deste Estudo é que nenhumtipo de violência contra a criança é justificável etoda violência contra a criança é prevenível. O Es-tudo revela que, a despeito da obrigação dos Esta-dos na garantia da proteção dos direitos humanos edo desenvolvimento das crianças, algumas formasde violência contra a criança ainda são considera-das legais em todas as regiões do mundo, além deserem autorizadas pelo Estado e socialmente acei-tas. O estudo pretende promover uma transforma-ção global que mine definitivamente quaisquer justificativas para atos de violência contra a cri-anças praticados com base em "tradições" oucamuflados em medidas "disciplinares".A violência contra a criança deve ser contestadasem qualquer concessão. A singularidade das cri-anças - em termos de potencial humano, fragili-dade e vulnerabilidade - e o fato de dependeremde adultos para crescer e se desenvolver justifi-cam mais, e não menos, investimentos em medi-das de prevenção e proteção contra a violência.Nas últimas décadas, algumas formas extremasde violência contra a criança, como a explora-ção e o tráfico sexual, a mutilação genital femi-nina, as piores formas de exploração do trabalhoinfantil e o impacto de conflitos armados, gera-ram um clamor internacional e uma condenaçãoconsensual dessas práticas, mas não nenhumasolução rápida foi implementada para a questão.Além dessas formas extremas de violência, mui-tas crianças são rotineiramente expostas à vio-lência física, sexual e psicológica dentro de seuslares e escolas, em instituições assistenciais ecorrecionais, em ambientes de trabalho e dentroda comunidade. Tudo isso gera conseqüênciasdevastadoras para a saúde e o bem-estar dessascrianças tanto no presente como no futuro.
FAZENDO UMAVERDADEIRA DIFERENÇA
Alguns eventos importantes e interligados su-gerem que o processo e os resultados do Estu-do estão sendo divulgados em um momento idealpara fazermos uma verdadeira diferença nascondições de vida das crianças.