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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ª VARACÍVEL DA COMARCA DE SÃO PAULO
O
M
INISTÉRIO
P
ÚBLICO
 
DO
E
STADO
 
DE
S
ÃO
P
AULO
, por meio do1
º
Promotor de Justiça do Consumidor da Capital, agindo por designação,nos termos da Portaria PGJ 6038/2007, vem respeitosamente peranteVossa Excelência, com fundamento no art. 129, inc. III, da ConstituiçãoFederal, nos arts. 81, § único, incs. I e II, e 82, inc. I, ambos do Código deDefesa do Consumidor, no art. 5º,
caput 
, da Lei Federal nº 7.347/85, e noart. 25, inc. IV,
a
, da Lei Federal nº 8.625/93, propor 
AÇÃO CIVILPÚBLICA
, com pedido de
MEDIDA LIMINAR,
a ser processada pelo ritoordinário, contra
C
OOPERATIVA
H
ABITACIONAL
 
DOS
B
ANCÁRIOS
 
DE
S
ÃO
P
AULO
- BANCOOP
,pessoa jurídica inscrita no CNPJ sob nº 01.395.962/0001-50, comendereço na Rua Líbero Badaró, 152, 5º andar, Centro, São Paulo–SP, CEP 01008-000,
para que sejam acolhidos os pedidos ao final formulados em razão dosfatos e fundamentos jurídicos a seguir aduzidos:
 
D
OS
F
ATOS
A Promotoria de Justa do Consumidor da Capitalinstaurou inquérito civil (Procedimento 14.161.446/06-1 autosinclusos) com base em representação formulada pela Comissão dosRepresentantes do Empreendimento Residencial Edifício “Torres daMooca” contra a Diretoria e os membros do Conselho Fiscal daCooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo Ltda. (BANCOOP).Segundo a autora da representação (fls. 04/53), aBANCOOP foi criada para ser uma cooperativa habitacional, sem ainteão de obter lucro, “com a finalidade precípua de atender àsnecessidades de moradia de seus associados (inicialmente pessoasfiliadas ao Sindicato dos Bancários)”. Para assegurar o princípio docooperativismo, previsto no artigo 174, § 2.º, da Constituição Federal,“estabeleceu que cada empreendimento habitacional corresponderia auma Seção distinta, onde seriam inscritos os interessados, admitidoscomo associados, segundo critérios previstos no próprio Estatuto Social”.Em obediência ao princípio da dupla qualidade, “o qual prevê que todoassociado é simultaneamente cio e usrio da organização, aCooperativa Habitacional estatuiu que seria mantido em sua contabilidaderegistros independentes para cada Seção, de forma que os custos diretos,despesas indiretas e receitas pudessem ser atribuídas especificamenteaos associados vinculados aos empreendimentos habitacionaisrespectivos”. Para que nada faltasse e os prédios fossem bemconstruídos, o então presidente da Cooperativa, Luiz Eduardo Saeger Malheiro, e outros membros do Corpo Diretivo constituíram empresaspara a realização de inúmeros negócios jurídicos, “formando um complexogrupo econômico”. Assim, constituíram as empresas Germany Comercial
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e Empreiteira de Obras Ltda., Mirante Artefatos de Concreto Ltda. eMaster Fish Psicultura e Lazer Ltda., com a participão do enopresidente da Cooperativa, e outras empresas (EmpreendimentoPlanejamento, Assessoria e Participações; deo Temple Ltda. Me;Conservix Limpeza e Servos Ltda., etc.), com a participão demembros do corpo diretivo e do Conselho Fiscal.Relata uma rie de irregularidades que teriam sidopraticadas pelos dirigentes da cooperativa, que podem ser assimsintetizadas:
(i)
embora a maioria dos adquirentes das unidadesresidenciais tenha quitado os valores contratuais, as contas da seção“Torres da Mooca” ficaram “negativas”, motivo pelo qual eles (os dirigentesda cooperativa) pretendem obter um expressivo aporte financeiro doscooperados para concluir as obras do bloco “C”;
(ii)
os cooperados nãom como confiar nas afirmões dos dirigentes da cooperativa, poserem, concomitantemente, administradores, construtores e fiscalizadoresdo empreendimento, sendo certo que “as empresas do Grupo Econômicodos Dirigentes da Cooperativa foram co-responsáveis pela sangria dosrecursos”, em flagrante violação à Lei n.º 5.764/1971;
(iii)
a cooperativa - juntamente com a Administradora de Fundos Planner Corretora de Valores(gestora) e o Banco Itaú S/A (custodiante) - criou o Fundo de DireitosCreditórios – FDIC BANCOOP I, com a finalidade de adquirir os contratosde financiamento imobiliário por ela celebrados. Assim, estipulou-se que acarteira do aludido fundo seria composta por direitos creditóriosdecorrentes da constrão de empreendimentos imobilrios pelacooperativa e que os devedores dos créditos do fundo seriamnecessariamente os associados da BANCOOP. Referido fundo poderiaadquirir novos contratos designados pela cooperativa, o-logo osfinanciamentos fossem sendo quitados, bem como recebíveis de crédito eoutros títulos de renda fixa na carteira. Divulgou-se, por meio da Bolsa de
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