Conselho tenta barrar acordo proposto no caso Bancoop
Advogados de pessoas lesadas recorrem a órgão do Ministério Público alegandofavorecimento à cooperativaFausto MacedoO Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo requereu à 37ª Vara Cível quesuspenda homologação de acordo firmado dia 20 de maio pelo promotor de Justiça JoãoLopes Guimarães Júnior com a Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários) - queestá sob investigação da promotoria criminal, em outro feito,
por suposto desvio derecursos para financiamento de campanhas do PT e formação de quadrilha.
O acordo, segundo associações de cooperados que alegam ter sido lesados, contémcláusulas favoráveis à Bancoop.Na última terça-feira, durante reunião na Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor da Assembléia Legsilativa, manifestantes disseram que a proposta do promotor “favorece aBancoop e prejudica milhares de cooperados”. Guimarães repudia a informação. “Estouabsolutamente tranqüilo, o acordo atende até mais do que (as entidades) pleiteavam.”Advogados das associações recorreram ao Conselho Superior do Ministério Público,composto por 11 procuradores de Justiça, para que interferisse na questão, antes que aJustiça sancione o acordo.Os advogados alegaram que o termo apresentado à 37ª Vara é igual ao que já havia sidonegado pelo próprio colegiado. O conselho decidiu pedir informações ao promotor.“Acho ótimo, sou o maior interessado em que tudo fique muito bem esclarecido porque háespeculação e eu tenho uma carreira da qual me orgulho”, destacou Guimarães.É a segunda vez que o conselho age no caso Bancoop. Em agosto de 2007, seus integrantesdeterminaram ajuizamento de ação civil contra a Bancoop e anularam promoção dearquivamento de procedimento com base no Código do Consumidor. Na ocasião, o conselho acatou voto do relator, Marco Antonio Zanellato, para exigir daBancoop, pela via judicial, cumprimento de 6 medidas, inclusive separação das contas dosempreendimentos imobiliários e devolução de todas as importâncias pagas, sem nenhumaretenção, aos cooperados que solicitassem sua retirada. A junta queria obrigar a cooperativaa abster-se de cobrar parcelas de reforço de caixa e apuração final, enquanto nãodemonstrada a necessidade da cobrança.Pedro de Abreu Dallari, advogado que representa a Bancoop na ação civil, disse que oacordo assinado com o promotor é resultado de “longa e exaustiva demanda, 4 ou 5 mesesde negociação”. Na avaliação de Dallari, o ajuste “concede (aos cooperados) mais do queestava sendo pedido na ação”. Ele asseverou que a ação não tem relação com a investigaçãode âmbito criminal.“A ação civil diz respeito exclusivamente às relações negociais da Bancoop com seuscooperados. O acordo assinado é muito maduro, detalhado, positivo do ponto de vista dadinâmica da cooperativa e tem o cuidado de tratar os diversos empreendimentos de maneiradiferente, pela situação de cada um”, argumentou o advogado.
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