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E a Bicharada Ocupou a Escola

E a Bicharada Ocupou a Escola

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Published by Adailton Altoé
Fábula abordando a relação entre os alunos/comunidade, a escola, o saber e as tecnologias da informação e comunicação.
Fábula abordando a relação entre os alunos/comunidade, a escola, o saber e as tecnologias da informação e comunicação.

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Published by: Adailton Altoé on Oct 10, 2008
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06/16/2009

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E A BICHARADA OCUPOU A ESCOLA...
Adailton Altoé
1
Surpresa geral para os moradores de um bairro de periferia e para a direção daescola local: certo final de semana o silêncio na escola foi quebrado, não pelosdepredadores e assaltantes, como de costume, mas sim pela bicharada que circulavalivremente pelo bairro. Vejam que acontecimento interessante... _ Uai! seu burro, o que você está fazendo aqui na escola? _ Vim pastar! Você não está vendo que aqui tem capim fresco?! _ Quem te autorizou a entrar? _ E por que haveria eu de pedir autorização para entrar!? Afinal, aqui é um espaçopúblico e a passagem no muro estava aberta. _ Você até que tem razão, mas nem sempre se encontra passagem nos muros deescola. _ E você, cachorro, por que está dizendo isso de mim se você também se encontraaqui? _ Eu estava dando um passeio pela rua e resolvi dar uma mijadinha nesse poste. E, detabela, dar uma corujada nas cadelas. _ Não me meta nesse rolo. Coruja chega sempre cedo. Presta sempre muita atenção enão faz bagunças para atrapalhar as aulas. Por isso, não tenho necessidade deinvadir nenhuma escola. A entrada é sempre franqueada para mim. _ Está me chamando de barulhenta, éh!? _ Que isso, dona maritaca?! Nem cheguei a pensar em você e já está se ofendendo!Na verdade até que você fala muito, mas diz pouco, porque quase não se cala paraescutar. É pior do que o papagaio. _ E o que eu tenho a ver com essa história?! Eu faço questão é de participar sempre.Não sou nem um boi sonso! _ Sai pra lá, seu gravador e me deixa quieto. Se ao menos você ruminasse um poucoas coisas antes de ficar repetindo a toa! _ Eu não fico repetindo a toa! Eu aprendo tudo o que me ensinam e faço questão demostrar o que aprendi para ver meus professores satisfeitos. _ Satisfeitos nada! Desde quando essa papagaiada deixa alguém feliz!? Se ao menosplanejassem as coisas melhor. _ Que isso, dona cobra?! Você não vê o quanto trabalham?! _ Trabalham, como burro, mas não são astutos como eu, que sei muito bem dar o botena hora certa, para conquistar meus objetivos.
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Mestrando em Educação pela PUCMinas, com especialização em Ciências da Religião e Psicodrama eLicenciatura em Filosofia e Teologia. Autor dos livros: Fábulas e Parábolas: aprendendo com a vida 1 e 2 e Arte deCaminhar: metodologia pastoral, publicados pela Paulus e O Islã e os Muçulmanos e Organização Paroquial, publicados pela Vozes.
 
 _ Não venha pro meu lado que te dou uma patada na cabeça e você vai pro beleléu.Mas, pensando bem, sabe que, às vezes, isso vira uma porcaria?! _ Porcaria é a mãe, aliás, todos nós juntos. Bem que eu gostaria de entrar na escola,mas não consigo cavar um buraco por baixo do muro como o tatu. _ Pois é seu porco! Já pensou se a escola estivesse a serviço de toda a selva eajudando cada um de nós a desenvolvermos nossas potencialidades?! _ Muito bem tatu. Fico feliz só em imaginar. Cansei de ser acusado de estar sapiando. _ Você tem razão Sr. Sapo. Com um sistema flexível, que visasse a inclusão de todos,tenho certeza de que meus filhos seriam muito mais que serviçais sem prestígio. _ Bicho esperto esse burro, heim! Imagine então quando cada um de nós passar a ser avaliado a partir de nosso processo educativo desenvolvido como um todo e nãomais através da cola!? _ Puxa vida, gata! Custou aparecer no muro, mas miou bonito! Fico até emocionado! _ Explique-se melhor, porque eu não entendi essa da cola. _ Pois não, seu papagaio. Já não tem mais sentido provar nosso conhecimentocolando no papel as idéias decoradas dos livros ou dos próprios professores. Nemmesmo há razão para buscarmos outros tipos de cola para mantermos uma fachadade boa educação. _ Diga lá seu burro, já que se encontra com as orelhas de pé! _ Gostei de sua observação, porque enquanto um burro fala os demais levantam aorelha, para escutar melhor. Pois saibam que mais importante do que recortar ecolar informações é a construção do saber, refletindo e sistematizando asexperiências. _ Ufa! Falou agora com a sabedoria de uma coruja. _ Bom, se tivermos, de fato, uma formação integral, na qual seremos sujeitosprotagonistas do processo educativo, garanto que viremos bem cheirosinhos para aescola. _ Se isto acontecer, meu amigo porco, garanto que sairei pelas ruas anunciando que aescola estará aberta a todos e a serviço da integração e bem estar de toda acomunidade. _ Garanto que vou trazer meus filhotinhos para brincar nos finais de semana, inclusiveestaremos dispostas a brincar com os cachorrinhos. Vamos levar a diante a novaexperiência relacional entre cães e gatos que já não é a mesma de antigamente. Nãoacha dona coruja? _ Vocês têm razão. Até agora estava a observar. Mas depois dessa conversa já estoudecidia a me envolver mais ativamente para construir uma nova história. Garantoque até o macaco vai parar de pular de galho-em-galho para entrar em nossa escola. _ Pular de galho-em-galho não. Você é que ainda não compreendeu o novo Projeto dePolítica Educacional. Sou como os temas transversais da ética, da cidadania e dasexualidade. Perpassamos por todos os galhos, mas não metemos a mão emcumbuca. _ Como assim macaco? Esse negócio parece mais é brincadeira!

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