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O Pior Engano Na História Da Raça Humana - Jared Diamond

O Pior Engano Na História Da Raça Humana - Jared Diamond

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O Pior Engano na História daRaça humana
 Artigo de Jared Diamond 
Com ilustrações de Elliot Danfield Tradução de José Carlos B Peixoto
 
À
 
ciência nós devemos mudanças dramáticasem nossa presunçosa auto-imagem. A astronomia nosensinou que nossa Terra não é o centro do universo,mas somente um de seus bilhões de corpos celestes.Da biologia s aprendemos que nós não fomosespecialmente criados por Deus, mas frutos daevolução dos seres vivos junto com milhões de outrasespécies. Agora a arqueologia está demolindo outraconvicção sagrada: que a história humana sobre osmilhões de anos do passado teria sido uma longa jornada de progresso. Em particular, achados recentessugerem que a adoção de agricultura, supostamentenosso passo mais decisivo em direção a uma vidamelhor, foi de muitas formas uma catástrofe da qualnós nunca mais nos recuperamos. Com a agriculturaveio uma brutal desigualdade social e sexual, a doençae o despotismo, que aflige nossa existência. Inicialmente, as evidências contra estainterpretação revisionista seo percebidas pelosamericanos do culo vinte como irrefuveis. sestamos em melhor situação do que as pessoas daIdade Média em quase todos os aspectos, que por suavez tiveram mais facilidades que os homens dascavernas, que por sua vez ficavam em melhor situaçãoque os macacos. Somente contamos nossas vantagens.Nós apreciamos a grande abundância e variedade de
 
alimentos, as melhores ferramentas e bens materiais,um das fases de maior longevidade e saúde da história.A maioria de nós está protegida da fome e depredadores. Nós obtemos nossa energia de petróleo emáquinas, não de nosso suor. Qual neo-Luddite(movimento social inglês contrário à mecanização, doinício do século XIX) entre nós trocaria essa vida pelade um camponês medieval, de um homem da caverna,ou de um macaco? Na maior parte de nossa história nós sustentamosa nós mesmos pela caça e pela coleta: nós caçamosanimais selvagens e apanhávamos plantas silvestres. Éuma vida que os fisofos tem tradicionalmenteconsiderado como sórdida, bruta, e limitada. Uma vezque nenhuma comida é cultivada e pouca pode serarmazenada, existe (nesta visão) nenhum momento derepouso para a constante luta que começa novamentetodos os dias em busca de alimentos silvestres, paraevitar o sofrimento da fome. Nossa fuga desta misériafoi facilitada somente há 10.000 anos atrás, quando empartes diferentes do planeta as pessoas iniciaram adomesticar plantas e animais. A revolução agcolaexpandiu-se até hoje e é quase universal e poucastribos sobrevivem no modelo caçador-coletor.Da perspectiva progressivista em que eu fuieducado, perguntar "Por que quase todos os nossosantepassados caçador-coletores adotaram agricultura?"é tolo. Claro que eles adotaram isto porque agriculturaé um modo eficiente de adquirir mais alimento commenos trabalho. As colheitas de plantações rendemmuito mais toneladas por acre que raízes e bagas.Somente imagine um bando de selvagens, exausto deprocurar por nozes ou de perseguir animais selvagens,de repente arrecadando alimentos com tranqüilidade,pela primeira vez, em um pomar carregado de frutas,ou de um campo repleto de ovelhas. Quantosmilissegundos vopensa que eles levariam paraapreciar as vantagens da agricultura?Os partidários progressivistas algumas vezeschegam a ponto de creditar à agricultura o notávelflorescer das artes que teria acontecido ao redor dosúltimos milhares de anos. Já que as colheitas podemser armazenadas, e considerando que leva menostempo pegar comida de um jardim do que encontrá-lana natureza, a agricultura deu a nós tempo livre que os
 
caçador-coletores jamais tiveram. Deste modo seria aagricultura que nos habilitou a construir o Parthenon oua compor uma sinfonia.Apesar disso parecer indiscuvel na vioprogressivista, é dicil de ser provado. Como vodemonstra que as vidas das pessoas de 10.000 anosatrás melhoraram quando eles abandonaram a caça e acoleta pela agricultura? Até recentemente, osarqueólogos tinham que recorrer à provas indiretas,cujos resultados (surpreendentemente) fracassaram emsustentar a visão progressivista. Esse é um exemplo deum teste indireto: Seriam os caçador-coletores doculo XX realmente piores do que os fazendeiros?Espalhados pelo mundo, rios grupos de pessoasconsideradas primitivas, como os bosquímanos(
bushmen
: homens da floresta, primitivos dos bosques)Kalahari, continuam a se sustentarem da mesmamaneira. Isso significa que eles têm bastante tempo delazer, um bom período de sono, ou trabalhem menos doque os seus vizinhos agricultores. Por exemplo, otempo médio dedicado toda semana para obter comidaé somente 12 a 19 horas para um grupo debosquímanos, 14 horas ou menos para os nômades deHadza da Tanzânia. Um bosquímano, quandoperguntado por que ele não imitava as tribos vizinhas,adotando a agricultura, replicou: "Por que nósdeveríamos, quando existem tantas nozes "mongongo"no mundo?"Enquanto os fazendeiros se concentram emcolheitas de alto teor de carboidratos como o arroz ebatatas, a mistura de plantas e animais selvagens dasdietas dos sobreviventes caçador-coletores oferecemmais proteína e um melhor equibrio de outrosnutrientes. Em um estudo, a ingesta média diária dealimento do bosquímano (durante um mês, quando acomida era abundante) era de 2.140 calorias e 93gramas de proteína, consideravelmente maior que arão diária recomendada para as pessoas de seuporte. É quase inconcebível que os bosquímanos, quecomem 75 ou mais plantas silvestres, possam morrerde fome da mesma maneira que centenas de milharesde fazendeiros irlandeses e suas famílias morreramdurante a escassez de batata da década de 1840.Assim as vidas dos coletor-caçadoressobreviventes não eram tão sórdidas ou brutas, emboraos fazendeiros os tivessem empurrados para alguns dospiores locais do mundo. Mas as sociedades coletoras

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