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Introducao_ao_cristianismo

Introducao_ao_cristianismo

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INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO

Qual é, afinal, o conteúdo e o sentido da fé cristã? Eis uma pergunta que,
hoje em dia, está cercada de uma névoa de incerteza mais pesada do que em qualquer
outro momento da história. O observador do movimento teológico do último século
que não seja do número daqueles levianos que sempre julgam melhor o novo, sem se
dar ao trabalho de analisar, poder-se-ia sentir lembrado da velha estória do
"Joãozinho feliz". Era uma vez, assim reza a lenda, um Joãozinho possuidor de uma
riquíssima pepita de ouro. Mas, feliz e comodista, julgou-a pesada demais, trocando-a
por cavalo; o cavalo por uma vaca, a vaca foi barganhada por um ganso e o ganso por
uma pedra de amolar; finalmente a pedra foi lançada ao rio, sem que o dono se
achasse muito prejudicado. Pelo contrário, acreditou ter finalmente conquistado o
dom mais precioso da liberdade completa: livre da sua pepita, livre do cavalo, da
vaca, do ganso e da pedra de afiar. Quanto tempo teria durado o seu fascínio? Quão
tenebroso lhe foi o despertar na estória de sua presumida libertação? A fábula silencia
sobre isso, deixando-o por conta da fantasia de cada leitor. O cristão hodierno é
avassalado, não raras vezes, por questões como: a nossa teologia dos últimos anos
não teria enveredado por um caminho parecido? Não teria minimizado a exigência da
fé, sentida como pesada demais, interpretando-a, gradativamente, em sentido sempre
mais largo; sempre apenas o suficiente para poder arriscar o próximo passo? E o
pobre Joãozinho, o cristão, que [2] se deixou levar, confiante, de interpretação em
interpretação, não acabará detendo entre as mãos, em lugar da pepita de ouro, uma
simples pedra de amolar, que poderá sossegadamente jogar no fundo de um rio?
Certamente, tais perguntas são injustas se excessivamente generalizadas.
Porquanto, para ser justo, não se poderá simplesmente afirmar que a "teologia
moderna" em geral entrou por um caminho semelhante. Contudo, muito menos se
poderá negar que certa mentalidade largamente espalhada apóia uma onda que, de
fato, conduz do ouro à pedra de amolar. Claro que é impossível reagir contra essa
tendência, por um simples agarrar-se à pepita de ouro de fórmulas consagradas do
passado que, em tal caso, continuariam sendo um peso, como qualquer pedaço de
metal, em vez de conferir a possibilidade de uma verdadeira liberdade, pelo
dinamismo que lhes é inerente. Aqui se encaixa a intenção deste livro: ele pretende
ajudar a compreender de modo novo a fé como possibilidade de um verdadeiro
humanismo no mundo hodierno; deseja analisá-la, sem trocá-la por uma pura
dissertação que dificilmente encobriria seu vazio espiritual completo.
O livro nasceu de preleções que proferi no semestre de verão de 1967, em
Tübingen, diante de ouvintes de todas as faculdades. O que Karl Adam, há quase
meio século, realizara magistralmente nessa Universidade com o seu "Essência do
Catolicismo", deveria novamente ser tentado agora nas circunstâncias modificadas da
geração atual. O texto foi convenientemente reformulado, quanto à linguagem, com
vistas a uma publicação em forma de livro. Contudo, não mudei nem a estrutura, nem
a extensão, limitando-me a acrescentar as achegas científicas estritamente necessárias
para indicar o instrumental de que lancei mão na preparação das preleções.

INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO

Qual é, afinal, o conteúdo e o sentido da fé cristã? Eis uma pergunta que,
hoje em dia, está cercada de uma névoa de incerteza mais pesada do que em qualquer
outro momento da história. O observador do movimento teológico do último século
que não seja do número daqueles levianos que sempre julgam melhor o novo, sem se
dar ao trabalho de analisar, poder-se-ia sentir lembrado da velha estória do
"Joãozinho feliz". Era uma vez, assim reza a lenda, um Joãozinho possuidor de uma
riquíssima pepita de ouro. Mas, feliz e comodista, julgou-a pesada demais, trocando-a
por cavalo; o cavalo por uma vaca, a vaca foi barganhada por um ganso e o ganso por
uma pedra de amolar; finalmente a pedra foi lançada ao rio, sem que o dono se
achasse muito prejudicado. Pelo contrário, acreditou ter finalmente conquistado o
dom mais precioso da liberdade completa: livre da sua pepita, livre do cavalo, da
vaca, do ganso e da pedra de afiar. Quanto tempo teria durado o seu fascínio? Quão
tenebroso lhe foi o despertar na estória de sua presumida libertação? A fábula silencia
sobre isso, deixando-o por conta da fantasia de cada leitor. O cristão hodierno é
avassalado, não raras vezes, por questões como: a nossa teologia dos últimos anos
não teria enveredado por um caminho parecido? Não teria minimizado a exigência da
fé, sentida como pesada demais, interpretando-a, gradativamente, em sentido sempre
mais largo; sempre apenas o suficiente para poder arriscar o próximo passo? E o
pobre Joãozinho, o cristão, que [2] se deixou levar, confiante, de interpretação em
interpretação, não acabará detendo entre as mãos, em lugar da pepita de ouro, uma
simples pedra de amolar, que poderá sossegadamente jogar no fundo de um rio?
Certamente, tais perguntas são injustas se excessivamente generalizadas.
Porquanto, para ser justo, não se poderá simplesmente afirmar que a "teologia
moderna" em geral entrou por um caminho semelhante. Contudo, muito menos se
poderá negar que certa mentalidade largamente espalhada apóia uma onda que, de
fato, conduz do ouro à pedra de amolar. Claro que é impossível reagir contra essa
tendência, por um simples agarrar-se à pepita de ouro de fórmulas consagradas do
passado que, em tal caso, continuariam sendo um peso, como qualquer pedaço de
metal, em vez de conferir a possibilidade de uma verdadeira liberdade, pelo
dinamismo que lhes é inerente. Aqui se encaixa a intenção deste livro: ele pretende
ajudar a compreender de modo novo a fé como possibilidade de um verdadeiro
humanismo no mundo hodierno; deseja analisá-la, sem trocá-la por uma pura
dissertação que dificilmente encobriria seu vazio espiritual completo.
O livro nasceu de preleções que proferi no semestre de verão de 1967, em
Tübingen, diante de ouvintes de todas as faculdades. O que Karl Adam, há quase
meio século, realizara magistralmente nessa Universidade com o seu "Essência do
Catolicismo", deveria novamente ser tentado agora nas circunstâncias modificadas da
geração atual. O texto foi convenientemente reformulado, quanto à linguagem, com
vistas a uma publicação em forma de livro. Contudo, não mudei nem a estrutura, nem
a extensão, limitando-me a acrescentar as achegas científicas estritamente necessárias
para indicar o instrumental de que lancei mão na preparação das preleções.

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09/13/2011

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original

 
1
JOSEPH RATZINGER 
 
INTRODUÇÃO AOCRISTIANISMO
Preleções sobre o Símbolo ApostólicoH
ERDER 
 S
ÃO
P
AULO
 1970
 
2
Os números entre colchetes
[n]
indicam o início da página na edição portuguesa de Herder – São Paulo, 1970. Foram acrescentados a estaedição eletrônica para possibilitar a citação acadêmica da obra. Ostítulos que precedem imediatamente ao número pertencem à página emquestão. As palavras hifenizadas entre páginas diferentes foramconsideradas da página anterior. A numeração das páginas do originaltem início com o prefácio. Os números do índice correspondem aooriginal.
Versão brasileira de Padres José Wisniewski Filho, S.V.D., do original alemão
Einführung in das Christentum,
© 1968 by Kösel-Verlag, München.
 
 Nihil obstat:
P. Frei Arnaldo Vicente Belli, Ofmcap. Censor São Paulo, 26 de outubro de 1970
 Imprimatur 
 † J. Lafayette, Vigário GeralSão Paulo, 27 de outubro de 1970© E
DITORA
H
ERDER 
 – 
 
S
ÃO
P
AULO
 – 
 
1970
 
3
ÍNDICEPrefácio 1I
 NTRODUÇÃO
 CAP. I no Mundo Hodierno 71.
 
 Dúvida e Fé 
 – 
Situação do homem frente ao problema "Deus"
72.
 
O
salto da Fé – Ensaio provisório de uma definição da essênciada Fé.
153.
 
O dilema da Fé no mundo de hoje
194.
 
 Limite da moderna compreensão da realidade e topografia daFé 
255.
 
Fé como "estar" e "compreender"
356.
 
 Razão e fé 
407.
 
"Creio em Ti"
44
 
CAP. II Forma eclesial da 471.
 
Preliminares à história e à estrutura do Símbolo Apostólico daFé 
472.
 
 Limite e importância do texto
 503.
 
Fé e Dogma
 514.
 
O Símbolo como expressão da estrutura da Fé 
 54 I PARTEDEUS 63 CAP I - Prolegômenos ao Tema "Deus" 651.
 
 Âmbito da questão
652.
 
O reconhecimento de um Deus
71CAP II - A Fé em Deus na Bíblia
 
771.
 
O problema histórico da sarça ardente
772.
 
Pressuposto intrínseco da Fé em "Iahvé": o Deus dos pais
823.
 
 Iahvé, Deus dos patriarcas e de Jesus Cristo
864.
 
 A idéia do nome
935.
 
 As duas faces da idéia bíblica de Deus
94CAP III - O Deus da e o Deus dos Filósofos 971.
 
Opção da Igreja antiga pela filosofia
972.
 
 Metamorfose do Deus dos filósofos
1023.
 
 Reflexo da questão no texto do "Símbolo"
107CAP IV - "Creio em Deus" Hoje 1111.
 
O primado do Logos
1112.
 
O Deus pessoal
118CAP V no Deus Trino 1211.
 
 Introduzindo na compreensão
1222.
 
 Interpretação positiva
 136

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