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Francisco de Oliveira - O Ornitorrinco

Francisco de Oliveira - O Ornitorrinco

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O Ornitorrinco*Francisco de Oliveira 
Ornitorrinco
– s.m.(Do gr.
ornis
,
ornithos
. ave +
 Rhynkhos.
bico.)
Ornithorhynchus
 
anatinus
.Mamífero monotremo, da subclasse dos prototérios, adaptado à vida aquática. Alcança40cm de comprimento, tem bico córneo,semelhante ao bico de pato, pés espalmadose rabo chato. É ovíparo.Ocorre na Austrália ena Tasmânia. (Família dos ornitorrinquídeos). 
Encicl
. O ornitorrinco vive em lagos e rios, nasmargem dos quais escava tocas que se abremdentro d‘água. Os filhotes alimentam-selambendo o leite que escorre nos pêlos peitoraisda mãe, pois esta não apresenta mamas. O machotem um esporão venenoso nas patas posteriores.Este animal conserva certas característicasreptilianas, principalmente uma homeotermiaimperfeita.
Grande
 
Enciclópedia
 
Larousse
 
Cultural
.vol.18, Ofa-Per, São Paulo, NovaCultural, 1998.
De Darwin a Prebisch/FurtadoA teoria do subdesenvolvimento, única elaboração original alternativa à teoriado crescimento de origem clássica, Smith e Ricardo, não é, decididamente,uma teoria evolucionista. Sabe-se que o evolucionismo influiu praticamenteem todos os campos cienficos, inclusive em Marx, que nutria grandeadmiração pelo cientista inglês que moldou um dos mais importantes paradigmas científicos de todos os tempos, cuja predominância hoje é quaseabsoluta. Mas tanto Marx quanto os teóricos do subdesenvolvimento não eramevolucionistas. O primeiro porque sua teoria trabalha com rupturas, com atríade tese-antítese-síntese, e o motor da história são os interêsses concretosdas classes, vale dizer a consciência, mesmo imperfeita, dos sujeitosconstitutivos: “os homens fazem a história...” O evolucionismo não comporta*
Foi na defesa de tese de doutoramento de Caico, amigão dos tempos sombrios, conhecido socialmente como CarlosEduardo Fernandez da Silveira, de cuja banca honrosamente fazia parte no Instituto de Economia da Universidade deCampinas em 19/out/2001 que, de repente, deu-me um estalo: a sociedade e economia que ele descrevia, em seusimpasses e combinações exdrúxulas, só podia ser um ornitorrinco. Devo-lhe mais essa, Caicão.
1
 
“consciência”, mas uma seleção natural pela eliminação dos menos aptos,dentro do acaso. Já os cepalinos foram influenciados por Weber – e nasmargens também por Marx – cujo paradigma é o da singularidade, que não éuma seleção mas uma ação com sentido: não se cogita, weberianamente, deuma “finalidade” que no evolucionismo aparece como sendo a da reproduçãoda espécie.O subdesenvolvimento assim, não se inscrevia numa cadeia de evolução quecomeçava no mundo primitivo até alcançar, através de estágios sucessivos, o pleno desenvolvimento. Antes, tratou-se de uma singularidade histórica, aforma do desenvolvimento capitalista nas ex-colônias transformadas em periferia, cuja fuão histórica esteve em fornecer elementos para aacumulação de capital no centro. Essa relação, que permaneceu apesar deintensas transformações, a impediu, precisamente de “evoluir” para estágiossuperiores da acumulação capitalista, vale dizer, para igualar-se ao centrodinâmico, conquanto lhe injetou reiteradamente elementos de atualização. Omarxismo, dispondo do mais formidável arsenal de crítica à economiaclássica, tem uma teoria do desenvolvimento capitalista na própria teoria daacumulação de capital, mas falhou em especificar-lhe as formas históricasconcretas, sobretudo em relação à periferia. Quando o tentou, obteve algunsdos grandes resultados de caráter mais geral, com a "via prussiana” e a“revolução passiva”. Mas por muito tempo, um “evolucionismo” marxistaesteve em larga voga, o que resultou numa raquítica teoria sobre a periferiacapitalista, dentro das etapas de Stálin, do comunismo primitivo pré-classes aocomunismo pós-classes. No caso latinoamericano esse etapismo levou aeqvocos de estragia potica, e a teoria do subdesenvolvimento eraconsiderada “reformista” e aliada do imperialismo norteamericano.O subdesenvolvimento poderia se inscrever como um caso da “revolução
2
 
 passiva”, que é a opção interpretativa de Carlos Nelson Coutinho e Luis JorgeWerneck Vianna
1
, mas de qualquer modo falta-lhes, para se igualar àteorização do subdesenvolvimento, as específicas condições latinoamericanas,vale dizer, o estatuto de ex-colônias, que lhe dá especificidade política, e oestatuto rebaixado da questão da foa de trabalho, escravismo e“encomiendas”, que lhe confere especificidade social . Florestan Fernandesaproximou-se de uma interpretação na mesma linha em
A
 
RevoluçãoBurguesa
 
no
 
Brasil
, mas deve-se reconhecer sua dívida para com aoriginalidade cepalina-furtadiana. Todos, de alguma forma, incluindo-seFurtado, são devedores, na interpretação do Brasil, dos clássicos dos anostrinta, que se esmeraram em marcar a originalidade da colônia, dasociabilidade forjada pela
 summa
da herança ibérica com as condições daexploração colonial fundada no escravismo.Como singularidade e o elo na cadeia do desenvolvimento, e pela“consciência”, o subdesenvolvimento não era, exatamente, uma evoluçãotruncada, mas uma produção da dependência pela conjunção de lugar nadivisão internacional do trabalho capitalista e articulação dos interêssesinternos. Por isso mesmo, havia uma abertura a partir da luta interna dasclasses, articulada com uma mudança na divisão internacional do trabalhocapitalista. Algo que, no Brasil, ganhou contornos desde a Revolução de 1930e adquiriu consistência com a chamada industrialização por substituição deimportações. Celso Furtado, em
Formação
 
Econômica
 
do
 
Brasil
, fornece achave dessa conjunção: crise mundial de Trinta e revolução interna, umaespécie de 18 de Brumário brasileiro, em que a industrialização surge como
1 Ver Luis Jorge Werneck Vianna . A Revolução Passiva. Rio de Janeiro, Revan, 1997. Carlos NelsonCoutinho entende que Caio Prado Jr. já havia construído uma espécie de via específica para o capitalismo, queseria, afinal, o subdesenvolvimento, mas os desdobramentos posteriores do próprio Caio o fizeram ancorar numa teoria do colonialismo.. Ver, de Carlos Nelson, “ Uma via não-clássica para o capitalismo” in Maria daConceição D’Incao, (org.) História e Ideal. Ensaios sobre Caio Prado Jr. São Paulo, Unesp/Brasiliense, 19893

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