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A Filosofia e a categoria "Verdade": o que é a "Verdade"?

A Filosofia e a categoria "Verdade": o que é a "Verdade"?

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Published by Uziel Santana
Artigo publicado no Jornal Correio de Sergipe em 10 de outubro de 2008.
Artigo publicado no Jornal Correio de Sergipe em 10 de outubro de 2008.

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Published by: Uziel Santana on Oct 14, 2008
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UZIEL SANTANA
A Filosofia e a categoria
Verdade
: o que é a
Verdade
?
Ao longo desses 25 culos de conversação filofica, o grande
leitmotiv 
e, por assim ser, o objeto das preocupações dos filósofos tem sidoa "Verdade", seja ela através das noções gregas da
Episteme
, da
Doxa
, da
Mytein
, do
Eros
, do
Mantis
, da
 Aporia
, da
Tragödiae
, da
 Zethein
, do
Logos
,da
 Aletheia
, da
 Agonia
ou da
Empiria
.Em assim sendo, o tema da "Verdade" tem sido o cerne das questõesfiloficas em todos os tempos de tal modo que poderíamos assentir,peremptoriamente, que a definição de o que vem a ser a categoria"Verdade" é polissêmica e assume múltiplas funções semânticas, sintáticase pragmáticas ao longo dos tempos. Multiplicidade essa que levou opensamento filosófico a estabelecer "verdadeiras" revoluções – ou como secostuma dizer tecnicamente
turns
(viradas) na formação e nodesenvolvimento do conhecimento sobre o mundo e seus elementos.Dentre essas várias viradas que o pensamento filosófico estabeleceua partir da não de verdade e realidade, três foram cruciais nodesenvolvimento da filosofia, enquanto saber qualificado sobre o mundo eas coisas que há no mundo. São elas: a chamada
virada epistemológica
ocorrida entre os culos XVII e XVIII; a chamada
virada lingüística
ocorrida a partir do final do século XIX, chegando até o nosso novo século, oXXI; e a mais nova faceta filosófica, a chamada
virada neopragmatista
ocorrida desde o final do culo XX, adentrando-se pelo culo atual,concomitantemente, com a virada lingüistico-lógica.Em síntese, o que sempre se buscou, e se busca, nessas"
Philosophicals Turns
" é se chegar o mais próximo possível à
Verdade
nãorevelada das coisas. Penso eu que mais 25 culos teremos e ochegaremos, desse modo como se quer chegar, à noção precisa de Verdade,dada à falibilidade e contingencialidade da condição humana. Isso porque,temos convicção – por razões que apontaremos nesta nova série de artigos– de que o único método que nos possibilita aproximarmo-nos da Verdadesupra-sensível das coisas é o que a blia chama de "Fé" (“
o firmefundamento das coisas que se esperam e a certeza das coisas que se nãovêem
”). Mas, como disse e sabemos, filofica e cientificamente, otemos, ainda, como atestar isso, ou seja, pela intelegibilidade racional –intuitiva ou não – não podemos fazê-lo. Somente podemos fazê-lo pelaintelegibilidade dogmática, pela crença e o pela noção de certeza(evidência).Mas voltando às três viradas cognitivas da filosofia, temos em cadauma delas o seguinte:
na virada epistemológica
, o que ocorreu foi apassagem da pergunta "
o que é a realidade
?" formulada,insistentemente, pelos filósofos antigos para a pergunta "
o que é oconhecimento da realidade
?", formulada, agora, a partir dessa nova
turn
,ocorrida no século XVIII, pelos filósofos modernos. Nesse sentido, escreve oprofessor de filosofia brasileiro Paulo Ghiraldelli Jr.: "
O que ocorreu foi a
 
circunscrição da filosofia à 'teoria do conhecimento' ou dizendo de modomais específico, à epistemologia. O pensamento filosófico tipicamentemoderno voltou-se para o que colocou como uma necessidade imperiosa: abusca do conhecimento básico e/ou o fundamento de todo e qualquer conhecimento, e fez isso tentando mostrar modelos do que chamou de a'relação sujeito-objeto', que seria a relação 'par excellence' entre a entidadeque conhece e o que é conhecido
".Dentre os rios fisofos que constrram tais modelos desubjetivação, em busca de como é possível o conhecimento do real,tivemos: primeiramente, René Descartes, depois Rousseau e, enfim, oinsuperável, Kant. Em sendo assim, Ghiraldelli acrescenta: "
Para os antigos,o existente é o que está apresentado ('o que é e se mostra por si mesmo'),enquanto os modernos o entenderam como o que é representado (o que é posto por outro). Para os antigos, a verdade é o que é desvelado ('o que podendo estar encoberto pode se apresentar des-coberto', descortinado),enquanto que os modernos a entenderam como garantida pela certeza ('osentimento de evidência'). Por que essa mudança? Por causa da mudançade pergunta 'o que é real?' para 'o que é o conhecimento (do real)?'. Asegunda pergunta fez surgir uma entidade entre o real e o conhecimento.Tal entidade, no pensamento tipicamente moderno, é aquela na qual oexistente ocorre e no qual a verdade é assegurada. Essa entidade, que re- presenta o real e que diz que o que é verdadeiro é aquilo que se passou pelo crivo da certeza, é o sujeito, é a subjetividade. O existente enquantorepresentação é atividade (como descoberta ou como criação) do sujeito; averdade como certeza é um aval dado pelo sujeito. Mundo e verdade passaram, então, a ser subjetivados - passaram a ser objetos (doconhecimento) enquanto postos pelo sujeito. Isso é o que os historiadoresda filosofia normalmente chamam de 'subjetivação do mundo'
."Depois disso, e das críticas veladas e cruciais de Charles Darwin, deKarl Marx, de F. Nietzsche, de S. Freud e de Wittgenstein a tais modelos desubjetivação do mundo e da verdade, chegamos até à chamada
LinguisticTurn
, a virada filosófica da linguagem e da lógica.Nesta perspectiva, o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein, nascido emViena – de onde surgiu o famoso Círculo de Viena, composto por filósofospositivistas gicos como Carnap, Tarski e outros falava sobre aimpossibilidade da construção de uma linguagem privada e, por assim ser, ovalor de Verdade das coisas é, nada mais, nada menos, do que uma questãode linguagem formulada na interação social a partir das crenças dossujeitos. Na realidade, os filósofos analíticos da linha dos positivistas lógicosou empiristas reformularam o conceito de filosofia. Eles assentiam que afilosofia deveria deixar de ser metafísica e se tornar, exatamente, numaatividade de análise da linguagem, buscando-se ter uma linguagem clara ecientífica.No bojo dessa virada lingüística e lógica, surge a mais nova faceta dopensamento filosófico: o
neopragmatismo
. Essa corrente de pensamento(com forte predominância de filósofos anglo-americanos, como DonaldDavidson, John Dewey, Richard Rorty e outros que vivem na fronteira da

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