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1. A EXPLOSÃO DA NÃO INFORMAÇÃO......................................................................................... 3 1.1 Informação................................................................................................................................... 3 1.2 Os cinco anéis.............................................................................................................................. 4 1.3 Sinais reveladores......................................................................................................................... 5
2. A INDÚSTRIA DA COMPREENSÃO............................................................................................... 6 2.1 Ode à ignorância.......................................................................................................................... 6 2.2 Organizando informação.............................................................................................................. 6 2.3 Exemplos de informação organizada............................................................................................ 7 2.4 No início está o fim...................................................................................................................... 8
3. A ARTE DA CONVERSA................................................................................................................. 9 3.1 Falar é profundo........................................................................................................................... 9 3.2 A arquitetura das instruções....................................................................................................... 10
5.1 Comunicar é lembrar como era quando não se sabia................................................................... 13
6. APRENDIZADO - AQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO..................................................................... 14
6.1 Aprender é lembrar o que interessa............................................................................................. 14
8. APRENDIZAGEM E COMPREENSÃO.......................................................................................... 16 8.1 Posse da informação................................................................................................................... 16 8.2 Tema e variações........................................................................................................................ 16 8.3 Aprender é fazer conexões.......................................................................................................... 16 8.4 O jogo dos números.................................................................................................................... 17
9. FRACASSO E SUCESSO................................................................................................................ 17 9.1 A correta administração do fracasso leva ao sucesso................................................................... 17 9.2 Informação cultural.................................................................................................................... 18 9.3 A desigualdade da percepção...................................................................................................... 19
10. INFORMAÇÃO DE REFERÊNCIA.............................................................................................. 19 10.1 Os mapas como metáfora.......................................................................................................... 19 10.2 Mapas de números e idéias....................................................................................................... 20 10.3 Diagramas e gráficos................................................................................................................ 20
11. TECNOMANIA............................................................................................................................. 21 11.1 Informação como mercadoria................................................................................................... 21 11.2 O efeito de ricochete................................................................................................................. 21
12. RECEITA CONTRA ANSIEDADE............................................................................................... 22 12.1 Menos, menos, menos.............................................................................................................. 22 12.2 Decisões indolores.................................................................................................................... 22 12.3 Atitudes firmes......................................................................................................................... 22 12.4 Ações vigorosas........................................................................................................................ 23
Informação não é conhecimento. Você pode produzir dados primários em massa e incríveis quantidades de fatos e números. Mas não pode fazer produção em massa de conhecimento, que é, criado por mentes individuais, partindo de experiências individuais, separando o significativo irrelevante, realizando julgamentos de valor.
Com novas informações, surgem novas exigências que desafiam nossas capacidades. Precisamos aprender novos conceitos e vocabulários. Hoje, a língua inglesa soma aproximadamente 500 mil palavras disponíveis — cinco vezes mais do que no tempo de Shakespeare. O número de livros nas principais bibliotecas duplica a cada quatorze anos, dando um novo peso à expressão "pôr a leitura em dia".
Nossa relação com a informação não é a única fonte dea nsi e d a d e d e i nfo rma ç ã o. Também ficamos ansiosos pelo fato de o acesso à informação ser geralmente controlado por outras pessoas. Dependemos daqueles que esquematizam a informação, dos editores e produtores de noticiários que decidem quais notícias iremos receber, dos que tomam decisões nos setores público e privado e podem restringir o fluxo da informação. Também sofremos de ansiedade causada pelo que deveríamos saber para atender às expectativas das outras pessoas a nosso respeito, sejam elas o presidente da empresa, os colegas ou até nossos pais.
Nos últimos trinta anos, produziu-se um volume de informações novas maior do que nos cinco mil anos precedentes. Cerca de mil livros são publicados no mundo por dia e o total do conhecimento impresso duplica a cada oito anos.
É inquietante ouvir que os computadores irão nos suprir com mais informação. Talvez você sinta que já está sendo bombardeado com informação demais. Mas o que as pessoas realmente querem, quando falam de informação, é significado, não fatos. Indubitavelmente, somos bombardeados com fatos demais —b i ts de dados isolados e sem contexto...
Atribuir significado exige mais informação para organizar a que já temos. Os computadores dispõem desse talento organizador. Eles podem reunir grandes quantidades de fatos e convertê-los em comparações, listagens, gráficos. Em suma, podem nos auxiliar a atribuir significados.
Mais significado o menos fatos. Esta é a idéia, enfim. Dados são fatos; informação é o sentido que os seres humanos atribuem a eles. Elementos individuais de dados pouco significam por si mesmos; é só quando esses fatos são de alguma forma agrupados ou processados que o significado começa a se tomar claro.
Dados brutos podem ser informação, mas não necessariamente. A não ser que sejam usados para informar, não têm valor intrínseco. Eles devem ser imbuídos de forma e aplicados para se tomar informação significativa. Contudo, em uma época faminta de informação como a nossa, frequentemente permite-se que passem por informação.
Assim, a grande era da informação é, na verdade, uma explosão da não-informação — uma explosão de dados. Para enfrentar a crescente avalanche dos dados, é imperativo fazer a distinção entre dados e informação. Informação deve ser aquilo que leva à compreensão. Cada um precisa dispor de uma medida pessoal para definir a palavra. O que constitui informação para uma pessoa pode não passar de dados para uma outra. Se não faz sentido para você, a denominação de informação não se aplica.
As diferenças entre dados e informação tornam-se mais críticas à medida que a economia mundial caminha para um sistema de economias dependentes de informação. A informação impulsiona o campo educacional, a mídia, empresas de consultoria e de prestação de serviços, correios, advogados, contadores, escritores, alguns funcionários governamentais, bem como os que trabalham em comunicação e armazenamento de dados. Muitos países já possuem a maior parte de sua força
de trabalho engajada em ocupações principalmente voltadas para o processamento de informação. A mudança para uma sociedade baseada na informação vem sendo tão rápida que ainda não nos adaptamos às implicações que isso gera.
Um processamento de informação melhor pode resultar no aumento do fluxo de dados, mas é de pouca ajuda ler a listagem, decidir o que fazer com ela ou encontrar um significado mais alto. Significado requer meditação, que leva tempo, e o ritmo da vida moderna trabalha contra a idéia de nos dar tempo para pensar.
A compreensão da diferença entre dados brutos e aqueles que podem ajudar na compreensão e aumentar o conhecimento, entre informação como coisa e informação como significado, tornará você um processador de informação mais competente. Maior competência lhe dará mais confiança e mais controle, permitindo-lhe relaxar. Sentindo-se mais relaxado e menos culpado, você chegará à compreensão.
Comunicação demais pode acabar resultando em nenhuma comunicação. Talvez devamos adicionar o corolário de Don Juan: assim como quanto mais se seduz menos se ama, também quanto mais se é "informado" menos se sabe.
Estamos todos cercados por informação que atua em diferentes níveis de urgência sobre nossa vida. Estes níveis podem ser divididos de forma simplificada em cinco anéis, embora aquilo que constitui informação em um nível para uma pessoa possa atuar em nível diverso para outra. Eles se irradiam desde a informação mais pessoal, a que é essencial para nossa sobrevivência física, até a forma mais abstrata de informação, que abrange nossos mitos pessoais, desenvolvimento cultural e perspectiva sociológica.
O primeiro anel é o da informaçãoi nt e rna . São as mensagens que governam nossos sistemas internos e possibilitam o funcionamento do nosso corpo. Aqui, a informação toma a forma de mensagens cerebrais. Provavelmente, temos um controle menor sobre este nível de informação do que sobre os outros, mas é o que mais nos afeta.
O segundo anel é o da informaçãoc o nv e rsa c i onal . São as trocas formais e informais, as conversas que mantemos com as pessoas à nossa volta, sejam amigos, parentes, colegas de trabalho, estranhos na fila de embarque ou clientes em reuniões de negócios. A conversa — talvez por sua natureza informal — constitui uma importante fonte de informação, embora nossa tendência seja desprezar ou ignorar seu papel. E, no entanto, esta é a fonte de informação sobre a qual mais exercemos controle, tanto como emissores quanto como receptores de informação.
O terceiro anel é o da informação dere fe rê nc ia. Aqui nos voltamos para a informação que opera os sistemas do nosso mundo — ciência e tecnologia — e, mais imediatamente, para os materiais de referência que usamos em nossa vida. A informação de referência pode ser qualquer coisa, desde um manual de física quântica até a lista telefônica ou o dicionário.
O quarto anel é o da informaçãono ti c io sa . Ela abrange os eventos da atualidade — a informação transmitida pela mídia sobre pessoas, lugares e acontecimentos que talvez não afetem diretamente a nossa vida, mas podem influenciar nossa visão de mundo.
O quinto anel é o da informaçãoc ul t ura l. Esta é a forma menos quantificável. Abrange história, filosofia e artes, qualquer expressão de uma tentativa de compreender e acompanhar nossa civilização. Informações colhidas nos outros anéis são incorporadas aqui para construir o conjunto que determina nossas atitudes e crenças, bem como a natureza de nossa sociedade como um todo.
Existem várias situações gerais que costumam provocar ansiedade de informação: não compreender a informação; sentir-se assoberbado por seu volume; não saber se uma certa informação existe; não saber onde encontrá-la; e, talvez a mais frustrante, saber exatamente onde encontrá-la, mas não ter a chave de acesso. Você está sentado diante do seu computador, que contém todas as listagens para justificar o dinheiro que está usando para desenvolver um novo produto, mas não consegue lembrar- se do nome do arquivo. A informação permanece no limiar e fora do seu alcance.
Se a caixinha de "Entrada" de seu escritório lança sobre sua mesa uma sombra corno a do monte Annapurma e se à simples menção da palavra "informação" você se arrepia de pavor, é provável que esteja sofrendo de ansiedade de informação. Mas, se não tem certeza, os comportamentos a seguir são indicativos de que lidar com informação talvez seja um problema em sua vida.
Consultar seu relógio digital para registrar a hora exata no livro de entradas e saídas de um prédio de escritórios, mesmo sabendo que na verdade ninguém liga para isso.
Reagir emocionalmente à informação que você de fato não compreende - por exemplo, entrar em pânico ao saber que o índice Dow Jones caiu 500 pontos, mesmo sem saber o que ele realmente é.
O ramo da transmissão é facilmente reconhecido. Abrange a televisão, o telégrafo, o telefone, o telex — tudo o que comece com "tele" e possa ser transmitido por fios, rebatido por um satélite ou impresso numa página.
Oa rma ze na me nt o de informação não é domínio exclusivo das grandes empresas. Na verdade, envolve companhias de todos os tamanhos, entre as quais estão os fabricantes de computadores e os bancos de dados.
A atividade dec o mpre e nsã o , por sua vez, permanece ainda praticamente inexplorada. A compreensão constitui a ponte entre os dados e o conhecimento — é o objetivo da informação. Embora existam pessoas preocupadas com esse fator, são poucas até agora as empresas delicadas a ele.
As velhas fórmulas e os antigos sistemas de processamento de dados são impotentes diante da complexidade da informação que precisamos assimilar atualmente. Necessitamos desenvolver novas fórmulas para a compreensão. Precisamos tratar a compreensão como uma atividade econômica e uma indústria em si, não apenas como um componente das outras áreas.
Para compreender qualquer tipo de informação nova seja ela um relatório financeiro, o manual de um eletrodoméstico ou urna nova receita, você precisa passar por certos processos e preencher certas condições prévias. Deve ter algum interesse em receber a informação; descobrir a estrutura ou o arcabouço em que ela está ou deveria estar organizada; relacioná-la a idéias que já compreenda e examiná-la sob diferentes perspectivas para poder "possuí-la" ou entendê-la.
Mas o pré-requisito mais essencial para a compreensão é ser capaz de admitir a ignorância quando não entender alguma coisa. A capacidade de admitir que não se sabe é libertadora. Permitir-se não saber tudo fará você relaxar, e este é o estado de espírito ideal para receber informação nova. Você precisa estar tranqüilo para ouvir, para realmente escutar a informação nova.
Quando puder admitir a ignorância, irá perceber que, não sendo propriamente um êxtase, ela é um estado ideal para se aprender. Quanto menos preconceitos você tiver diante de um assunto e quanto mais à vontade se sentir em relação a não saber, mais aumentará sua capacidade de compreender e aprender. Ao admitir que não sabe, você pode superar o medo de que sua ignorância seja descoberta. A curiosidade, essencial ao aprendizado, prospera com a superação do receio. Isto mexe com uma insegurança quase universal: a de sermos de certa forma inferiores se não compreendemos algo. Vivemos com medo de que descubram nossa ignorância e passamos a vida tentando contar vantagem para o mundo. Se pudéssemos nos deleitar com a nossa ignorância e usá-la como inspiração para aprender, em lugar de considerá-la uma vergonha a esconder, não haveria
A chave para a compreensão é aceitar que qualquer relato de um evento é sempre subjetivo, não importa o empenho do relator em ser exato e objetivo. Uma vez aceito que a informação sempre chega filtrada pelo ponto de vista de outra pessoa, ela de certa forma se torna menos ameaçadora; você começa a compreendê-la em perspectiva e a personalizá-la, que é o que conduz à posse.
projeto — desde as e suas pastas de arquivo pessoais até as empresas multinacionais. Elas constituem o arcabouço da organização de relatórios anuais, livros, conversas, exposições, catálogos, convenções e até de depósitos.
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