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Notas de Aula Sobre Fenomenologia 12 09 11

Notas de Aula Sobre Fenomenologia 12 09 11

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NOTAS DE AULA SOBRE FENOMENOLOGIA
Prof. José Luiz Furtado
I - GÊNESE DA INTENCIONALIDADE
1.1. A validade objetiva do Conhecimentoa) A filosofia é a busca do ser absoluto no sentido de um conhecimento ou manifestaçãoabsolutamente indubitáveis.a.1E nquanto ato exclusivo do sujeito humano, o conhecimento implica o domínio dascondições da verdade pelo próprio sujeito. Ser sujeito de conhecimento significa viver na posse de todas as condições do conhecimento e da verdade, isto é, da validade objetiva doconhecimento. É este o primeiro sentido do
cogito
. Nós não apenas podemos conhecer objetivamente o que as coisas são, mas também dependemos apenas das nossas própriasfaculdades para conhecer efetivamente.a.2 Mas antes de passar às suas conseqüências (ao “ergo”) devemos elucidar o sentido daimanência cogitativa, pois o cogito representa a certeza absoluta relativa à doaçãoimanente do “eu penso” ou da essência dos atos de pensamento. “As
cogitationes
são os primeiros dados absolutos” e o conhecimento intuitivo da
cogitatio
é “imanente” (IF, p.23). O eu penso é uma intuição eidética: a intuição da essência da existência imanente doeu aos seus atos.Seguindo a via aberta pelo cogito, afirma Husserl que, se todo objeto visado pelaconsciência pode ser dado e apreendido de maneira duvidosa, ou, segundo o exemplo da percepção, se o percebido é dubitável, a própria percepção e os atos de consciência emgeral, não o são. “Todo vivido intelectual e todo vivido em geral, no instante em que seefetua, pode tornar-se objeto de uma visão (intuição, JLF) e apreensão puras e nessa visãoele é um dado absoluto”.
1
Assim, o ser das cogitationes, desde que sejam vividas por nósno momento em que
refletimos sobre elas
, é absolutamente indubitável
. Reside pois, aí,precisamente, na intuição imediata e evidente da
cogitatio,
o fundamento de todoconhecimento racional possível.
Para Husserl, a razão é, em geral, a idéia de reduzir averdade e validade de todos os nossos juízos à doação intuitiva, evidente e originária, dosfenômenos. A razão é, diz Husserl segundo uma fórmula desconcertante para quemgostaria de defini-lo como idealista, "conhecimento intuitivo” que “se propõe reduzir oentendimento à razão"
2
a.3 Mas o conhecimento absoluto é também, e sobretudo, conhecimento objetivamenteválido. Nesse sentido, deve transcender a subjetividade tomada em sentido empírico.
1
Idéia, p. 54. “Cada vivência em geral, enquanto se realiza pode chegar a ser objeto de uma intuição pura na qual é dada absolutamente”(Idées I, p. 31).
2
A Idéia da fenomenologia. Trad. Artur Mourão. Porto: Edições 70, 1985, p. 92, grifo nosso. Nomesmo sentido escreve Heidegger comentando a Kant (KM, 129, § 29) que "a essência doentendimento" consiste em "estar destinado à intuição", destino que é "o próprio
ser
doentendimento".
1
 
Husserl encontra a possibilidade da transcendência do conhecimento no própriocogito na medida em que implica um cogitatum
: unidade ideal oposta à multiplicidadesubjetiva dos atos da consciência que o visa. A objetividade do conhecimento deve ser reduzida à imanência do cogito sem que seja destruída sua alteridade, uma vez que oconhecimento é de natureza sintética, ou seja, a realização de um contato entre aconsciência e alguma coisa diferente dela própria. Em outros termos, todo conhecimento,ou ato de conhecimento, difere essencialmente do objeto conhecido.Por exemplo quando vejo uma mesa o objeto “mesa” encontra-se visado e afirmadoatravés dessa perspectiva particular de onde a percebo e a partir dessas vivências atuais daconsciência (cogitationes). Mas a “mesa” é algo situado além dessas vivências atuais. Não está “dentro” delas como um conjunto de sensações ou imagens realmente inclusas.Por isso dizemos que ela é transcendente. Mas esta transcendência não significa que elaexista em si ou fora da consciência, posto que ela se encontra justamente visada por ela.Os conceitos de fora e de dentro não servem para definir a imanência e a transcendênciahusserlianas. b) Ser para a consciência é o modo absoluto de ser do ente, porque é sua forma demanifestar-se. É o ser verdadeiro de tudo o que é. E toda maneira de ser é real ouverdadeira na medida em que está em correspondência exclusivamente com o modo de ser  para a consciência.
Ser é ser dado sob a forma de fenômeno. E a correlação intencionalvivida de uma consciência efetiva ou atual é essência desse dar-se
. Por isso Husserl pode afirmar que a consciência é o único ser absoluto e o conhecimento da consciência por si mesma, o conhecimento absoluto da essência do ser, se ser quer dizer aparecer.
O domínio das vivências enquanto
essência absoluta
, escreve Husserl, é por essênciaindependente de qualquer ser pertencente ao mundo, à natureza, e nem sequer o requer parasua existência ... já que uma natureza se revela a si mesma como correlato da consciência(Idées, alm., p. 95-6). Vemos assim que a natureza não é apenas dubitável mas, além dissoe fundamentalmente, contingente e relativa. De outro lado a consciência não aparece apenascomo fenômeno indubitável. Ela é, acima de tudo, absoluta e necessária, ou seja, princípioconstituinte da natureza e da realidade
.
3
 
Porque a subjetividade transcendental é, de acordocom sua essência, o
‘único ser existente de um modo absoluto
".
4
A intencionalidade permitirá resolver o problema requerido pela fundamentação absolutado conhecimento. Trata-se de encontrar uma
transcendência na imanência
capaz devalidar a objetividade de um conhecimento cuja essência é a certeza absoluta de si do euque pensa, como queria Descartes. O cogito deve poder incluir, por isso, na sua certezaimanente, constituindo-a, a certeza do
cogitatum
, ou seja, do objeto. Este deve se beneficiar também da evidência cogitativa e não pode fazê-lo se permanecer na mesmatranscendência do objeto real.
5
 A verdadeira equação fenomenológica, resultante daredução, será pois
ego-cogito-cogitatum
(eu-penso- algo pensado) e não
ego-cogito
, comoem Descartes.1.2. É inerente naturalmente a toda atitude da consciência, mas também a toda ciência, emesmo à metafísica clássica, a crença na existência real do mundo enquanto objetoexistente em face da consciência e, ao mesmo tempo, independentemente dela. Este é oconceito ingênuo, não refletido, da objetividade como “realidade em-si” para a consciência.
Como tal o ser em-si pode ser pensado enquanto não existente, na medida em que nemele depende da consciência para ser, nem a consciência dele depende
. Assim o único ser que podemos chamar “absoluto” é o ser para a consciência e na consciência: o ser fenômeno. O ser para a consciência do ente não pode ser pensado como inexistente pois,nesse caso, o pensamento – na medida em que toda consciência é consciência de algumacoisa - seria sem objeto e, portanto, não ser. E sendo intencional a consciência nasce játransportada para um ser transcendente, por ela visado, e que ela própria não é. Este ser 
3
Cf. Ricoeur, Introduction, op. cit. p. XVII.
4
 
 Logique formelle et transcendantale
. Trad. Suzanne Bachelard, Paris: PUF, l965, § l03, p. 361.
5
“O transcendente (o não incluso imanente) não me é lícito utiliza-lo ...” (IF, 24).
2
 
 para o qual a conscncia se volta, o objeto intencional, o pode ser nada. Ele énecessariamente fenomenal. Mesmo quem diz não ver nada, comenta uma experiência.Pode ser que o objeto percebido seja uma alucinação. Mas quer o objeto percebido existaverdadeiramente ou não, na medida em que é percebido, como fenômeno verdadeiro oualucinatório, duvidoso ou certo, ele não pode existir “dentro” da consciência (psicológica) pois em si mesma a consciência é apenas um visar. Ou bem ele é dado da maneira prescrita por seu ser próprio (objetivamente), ou é meramente visado, como na alucinação, semexistir. Resta que, para a percepção da árvore considerada exclusivamente como fenômeno,em nada importa que o objeto exista realmente, ou seja uma ilusão. O objeto, em ambos oscasos é um dado da consciência e, como tal, um dado absoluto e irrecusável, dadointuitivamente e de maneira evidente e que pode ser analisado e descrito como tal, assimcomo as modalidades de atos que o visam e constituem.1.3.
Assim todo conhecimento depende de uma apreensão intuitiva originária dofenômeno
. O fenômeno é o ser que se manifesta a si mesmo. E o ser que se manifesta a simesmo é a própria coisa, tal como ela é, em carne e osso. O fenômeno originário é o modode ser absoluto do ente. A consciência é puramente abertura para o ser dado absolutamentedo ente e, como tal, sua essência é a intencionalidade que visa e capta esse dado numaevidência.1.4. Tomado na correlação intencional noético-noemática o objeto é ao mesmo tempoimanente e transcendente, dado e constituído, ideal e empiricamente presente.a) O objeto é
imanente
na medida em que não há consciência sem objeto, ou objeto semconsciência porque nela e por ela ele vem a ser precisamente ob-jectum. Toda consciência éconsciência-de: “intuição reveladora de qualquer coisa, isto é, de um ser transcendente”(Sartre, SN, 22-24). A consciência é tão essencial ao objeto como seu objeto é para ela. Aconsciência e o objeto por ela visado formam uma correlação ou estrutura fenomenológicaindiscervel e única. O objeto (noema)e a consciência nascem, por assim dizer, juntamente. O objeto tende a ser consciência plena (como uma percepção capaz de captar ao mesmo tempo os seis lados de um cubo), e a consciência tende a ser objetiva (como umaconsciência sem perspectivas ou pontos de vista).
6
 b) O objeto é
transcendente
aos atos da consciência. Isto significa que ele não
se encontrarealmente incluso
, como uma coisa no interior de outra. O conceito mundano de inclusãonão nos serve aqui porque o objeto é visado pelas vivências ou atos da consciência que oconstituem justamente como um objeto transcendente em relação a esses próprios atos. Por exemplo, na percepção sensível, a fisionomia através da qual um objeto se oferece a nós érelativa ao ponto de vista que tomamos sobre ele e, portanto, a aparência que ele apresentacomo objeto é imanente àquele ponto de vista. Mas não vejo um dos lados de uma mesa.Vejo a própria mesa por um dos seus lados. Assim o fenômeno correlato do ato deconsciência (a face atualmente presente do objeto) que visa um objeto (a mesa) é imanente(noesis), mas o objeto que se constitui através dele e para além dele, é transcendente: amesa (noema). , para a consciência diversos modos de visar cada escie deobjetividade, no pensamento, na recordação no querer etc. Concomitantemente, um mesmoobjeto pode ser intencionado - na percepção sensível, pelo menos - mediantes infinitosaspectos. (Citar Merleau-Ponty, PP, 212, 320)c) Assim
o objeto é dado
. Ele se apresenta sempre sob um aspecto ou perspectiva,deixando indeterminados suas infinitas faces não imediatamente intuídas. Mas ele éconstituído como coisa transcendente visada para além da sua presença noemática. O objeto percebido como tal é uma
unidade ideal que se constitui mediante a antecipação daconcordância do sentido de ser das suas ltiplas vivências ou perspectivasmeramente possíveis, e
que se realiza no seio da atual. A unidade do objeto percebido, oque constitui a validade objetiva da percepção, é uma
unidade ideal
e, portanto presumida,esboçada. O objeto se constitui mediante o processo infinito da sua manifestação na vidada consciência. Resulta da unidade sintética de vincias atuais e potenciais,
6
Se há para mim pontos de vista, se os objetos sempre se me oferecem por uma das suas infinitas faces, é porque a percepção emana do olhar, isto é, está enraizada no corpo que se torna, assim o veículo do meu verdadeiro e originárioacesso ao ser. Merleau–Ponty soube tirar todas as conseqüências desta fato.
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