HISTÓRIA DE UMA ALMAManuscrito «A»
ALENÇON (1873 - 1877)J.M.J.T.JesusJaneiro de 1895História primaveril de uma Florzinha branca escrita por ela mesma e dedicada àReverenda Madre Inês de Jesus.A vós, querida Madre, que sois duplamente minha mãe, quero confiar a históriade minha alma... No dia em que me pedistes para fazê-lo, cheguei a pensar queisso dissiparia meu coração, ao ocupá-lo consigo mesmo; mas depois Jesus melevou a compreender que, obedecendo com toda simplicidade, eu o agradaria.Aliás, só quero uma coisa: Começar a cantar o que repetirei por toda aeternidade: "As Misericórdias do Senhor!!!"...Antes de pegar a caneta, ajoelhei-me diante da imagem de Maria (aquela mesmaque tantas provas nos deu das maternas predileções da Rainha do céu por nossafamília), e lhe pedi que guiasse minha mão para que eu não escrevesse umalinha sequer que não a agradasse. Em seguida, abrindo o Evangelho, meus olhospousaram sobre estas palavras: «Jesus, tendo subido a uma montanha, chamoua si quem Ele quis; e vieram a Ele" (são Marcos, cap. III, v. 13). Eis o mistério deminha vocação, de minha vida inteira, e, sobretudo, o mistério dos privilégiosdispensados por Jesus à minha alma... Não chama os que são dignos, mas quemEle quer, ou, como diz São Paulo: "Farei misericórdia a quem eu fizer misericórdia; terei compaixão de quem eu tiver compaixão. Desta forma, aescolha não depende daquele que quer, nem daquele que corre, mas damisericórdia de Deus" (Carta aos Romanos, cap. IX, v. 15 e 16).Durante muito tempo eu me perguntava por que Deus tinha preferências, por todas as almas não recebiam a mesma medida de graças. Estranhava ao vê-loprodigalizar favores extraordinários aos santos que o haviam ofendido, como sãoPaulo ou santo Agostinho, a quem forçava, por assim dizer, a receber suasgraças; e quando lia a vida daqueles santos a quem o Senhor acariciou desde oberço até a sepultura, retirando de seu caminho todos os obstáculos que osimpedisse de se elevar até Ele e provendo essas almas com tais benefícios paraque nada lhes ofuscasse o brilho imaculado de suas vestes batismais, eu meperguntava por que tantos pobres selvagens, por exemplo, morriam antes mesmode ouvir ou sequer pronunciar o nome de Deus...
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