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Da Culpabilidade - Direito Penal II

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DA CULPABILIDADE
Texto baseado em aulas da disciplina Direito Penal II lecionada pela professora Luciana TellesMachado da Silva da UFMG
Conceito
- “Consiste na reprovabilidade da conduta ilícita (típica e antijurídica) dequem tem a capacidade genérica de entender e querer (imputabilidade) e podia, nascircunsncias em que o fato ocorreu, conhecer a sua ilicitude, sendo-lhe exivelcomportamento que se ajuste ao Direito”. (Heleno Cláudio Fragoso).Luiz Regis Prado: “ A culpabilidade é a reprovabilidade pessoal pela realização deum ação ou omissão típica e ilícita.”O delito, analiticamente, é a ação ou a omissão típica, ilícita e culpável.Doutrina Majoritária – Culpabilidade é sempre o fundamento (pois, liga-se à noçãode retributividade prevista no artigo 59,
in fine
do CP) e limite de pena (prende-se ao princípio da culpabilidade), sendo possível sua gradação.Para Roxin, a culpabilidade é apenas limite da pena, em função da prevenção geral eespecial, não sendo o fundamento da pena. A culpabilidade seria apenas uma das condiçõesnecessárias para a imposição da pena, ao lado da necessidade preventiva da sanção penal.A culpabilidade deve recair sobre o fato individual e não sobre uma conduta de vidaindividual (culpabilidade de caráter ou de autor).
O ato reprovável seria um ato de livre autodeterminação?
Operando com a idéia de “livre-arbítrio”, Hans Welzel analisou o tema por trêscritérios:1)ANTROPOLÓGICO – Ele afirmou que o homem tem seu espírito vinculado aos princípios da verdade, do sentido e do valor, e, conforme tais valores, deve dirigir-se por meio de atos responsáveis. Isto o separaria do mundo animal.2)CARACTERIOLÓGICO Ele admitiu a possibilidade do controle dos impulsos pelo próprio indivíduo.3)CATEGORIAL – Ele entendeu que a possibilidade de o homem ter o domínio deseus impulsos por meio de uma direção orientada no sentido - direção esta que podefazê-lo responsável pela falta de autodeterminação conforme ao sentido -, assenta-sena “liberdade de vontade”.Para Welzel, “ A culpabilidade não é um ato de livre autodeterminação, mas precisamente a falta de uma decisão conforme ao sentido em um sujeito responsável”.Welzel afirma se afastar da orientação INDETERMINISTA (própria EscolaClássica) que entende que a decisão de cometer o delito advém de uma vontade livre, semqualquer influência do mundo circundante.
 
A corrente que se opõe ao INDETERMINISMO é a que propugna oDETERMINISMO (Escola Positiva), segundo o qual fatores internos e externosinfluenciariam o homem na prática de uma infração penal. O meio influiria fortemente notemperamento e no caráter do homem, não sendo, pois, a vontade livre. Isto levava a umcontra-senso: a pena seria injusta. Contemporaneamente se fragilizou com o PRINCÍPIODE INDETERMINAÇÃO DE HEISENBERG.Teoria da CO-CULPABILIDADE- Eugenio Raul Zaffaroni e José HenriquePierangeli - “todo sujeito age numa circunsncia dada e com um âmbito deautodeterminação também dado. Em sua própria personalidade há uma contribuição paraesse âmbito de autodeterminação, posto que a sociedade - por melhor organizada que seja -nunca tem a possibilidade de brindar a todos os homens com as mesmas oportunidades. Emconseqüência, há sujeitos que têm um menor âmbito de autodeterminação, condicionadodesta maneira por causas sociais. Não será possível atribuir estas causas sociais aos sujeitose sobrecarregá-lo com elas no momento da reprovação da culpabilidade. Costuma-se dizer que há, aqui, uma “co-culpabilidade”, com a qual a própria sociedade deve arcar”.Modernamente, Günther Jakobs sustenta que a reprovação jurídico-penal sefundamenta na tolerância social à conduta delitiva, e a tolerância ou intolerância social semanifesta independentemente da hipótese da liberdade da vontade do autor do fato-crime.Professor Fernando Galvão: “Diante da necessidade de viabilizar a construçãológico-formal da repressão, presume-se o livre-arbítrio, que sendo uma ficção necessária aoEstado converte-se em construção normativa”. Na Exposição de Motivos do CP de 1940, o Min. Francisco Campos afirma que“Rejeitado o pressuposto da vontade livre, o Código Penal seria uma congérie deilogismos”.
EVOLUÇÃO DOGMÁTICA DA CULPABILIDADE
ANTECEDENTES RUDIMENTARES DA TEORIA DA CULPABILIDADEPUFFENDORF (1634-1694), representante do Direito Natural, considerava que aimputação seria a atribuição da responsabilidade da ação livre a seu autor. Para oshegelianos, a imputação subjetiva se justifica porque sua vontade livre afastou-se davontade geral, representada pela lei.Em meados do século XIX, Adolf MERKEL e BINDING apresentaram as primeirasdefinições de culpabilidade.
 
 Na segunda metade do séc. XIX, a teoria da liberdade de vontade entra em declínio,tornando insustentável o conceito de culpabilidade do Direito Natural, surgindo, assim, aconcepção psicológica da culpabilidade, própria do POSITIVISMO.1)TEORIA PSICOLÓGICA DA CULPABILIDADEAssim como o NATURALISMO-CAUSALISTA, fundamentou-se noPOSITIVISMO CIENTÍFICO do final do séc.XIX ( Darwin, Spencer, Comte). Na Itália, desenvolveu-se a Escola Positivista, essencialmente antropo-sociológica(criminológica). Na Alemanha, construiu-se o primeiro sistema teórico-jurídico de delito, baseado nomodelo naturalista (sistema Liszt- Beling).Franz Von Liszt reduziu a ação a um processo causal provocado por um impulsovoluntário. E definiu a CULPABILIDADE como “a responsabilidade do autor peloilícito que realizou”, como a “relação subjetiva entre o autor e o fato”. Essa relaçãosubjetiva, PSICOLÓGICA, nomeou a teoria.Von Liszt sustentava um conteúdo material para a culpabilidade que residia “nocaráter associal do autor, cognoscível pelo ato praticado (conduta anti-social).”A culpabilidade continha apenas elementos anímicos: dolo e culpa, que secontrapunham aos elementos objetivos: tipicidade e ilicitude.“O ato culpável é ação dolosa ou culposa do indivíduo imputável”A imputabilidade era entendida como capacidade de ser culpável. Seria o pressuposto da culpabilidade.Essa teoria, em sua proposão original, somente admitia o afastamento daculpabilidade se houvesse causas que eliminassem o vínculo psicológico, como o “erro”(afastava o elemento intelectual) e a “coação” ( afastava o elemento volitivo do dolo).Ernest Von Beling complementou tal teoria com sua Teoria do Tipo (1906). Ele quedesenvolveu o conceito de tipicidade. O tipo Belinguiano, porém, tem um caráter meramente descritivo-objetivo, a mera descrição do aspecto externo da conduta, “por sua simplicidade e facilidade de manejo na prática jurídica, teve forte poder de atração egrande influência sobre juristas, juízes e advogados” (Francisco de Assis Toledo,Princípios básicos).Por não conseguir explicar, principalmente, a culpa inconsciente, em que não háintencionalidade por parte do agente, esta teoria seria abandonada. Se não há, no casoda culpa inconsciente, vínculo psicológico, como pode haver culpabilidade?

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