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Viagem Ao Ceu-Monteiro Lobato

Viagem Ao Ceu-Monteiro Lobato

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05/09/2014

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nota: este livro foi scanneado e corrigido por carlos antônio. seu uso éexclusivo dos deficientes visuais, segundo as leis de direitos autoraisbrasileiras.viajem ao céu - o sacimonteiro lobatocapítulo 1 o mês de abrilera em abril, o mês do dia de anos de pedri-nho e portodos considerado o melhor mês do ano. por quê? porque nãoé frio nem quente e não é mês das águas nem de seca - tudona conta certa! e por causa disso inventaram lá no sítio dopicapau amarelo uma grande novidade: as fériasde-lagarto.- que história é essa?é uma história muito interessante. já que o mês de abril é omais agradável de todos, escolheram-no para o grande"repouso anual" - o mês inteiro sem fazer nada, parados,cochilando como lagarto ao sol! sem fazer nada é um modode dizer, pois que eles ficavam fazendo uma coisa agrabilíssima:vivendo! só isso. gozando o prazer de viver...- sim - dizia dona benta - porque a maior parte davida nós a passamos entretidos em tanta coisa, a fazer isto eaquilo, a pular daqui para ali, que não temos tempo de gozar oprazer de viver. vamos vivendo sem prestar atenção na vida e,portanto, sem gozar o prazer de viver à moda dos lagartos. járepararam como os lagartos ficam horas e horas imóveis aosol, de olhos fechados,vivendo, gozando o prazer de viver - só. sem mistura?e era muito engraçada a organização que davam ao mêsde abril lá no sítio. com antecedência resolviam todos os casosque tinham de ser resolvidos, acumulavam coisas de comer dasque não precisam de fogão - queijo, fruta, biscoitos etc.,botavam um letreiro na porteira do pasto:a famÍLia estÁ ausente. sÓ voltano comeÇO de maio.e depois de tudo muito bem arrumado e pensado, caíam norepouso.era proibido fazer qualquer coisa. era proibido atépensar. os cérebros tinham de ficar numa modorra gostosa.todos vivendo - só isso! vivendo logicamente, como diziao visconde.mas a necessidade de agitação é muito forte nas crianças,de modo que aqueles "abris-de-lagar-to" tinham duração muitocurta. para emília, a mais irrequieta de todos, duravam nomáximo dois dias. era ela sempre o primeiro lagarto a acordare correr para o terreiro a fim de "desenferru-jar as pernas".depois vinha fazer cócegas com uma flor de capim nas ventasde narizinho e pedrinho - e esses dois lagartos também seespreguiçavam e iam desenferrujar as pernas.no abril daquele ano o visconde não pôde tomar parte noporque já não existia. dele só restava um "toco", aquele tocoque a boneca recolhera na praia depois do drama descrito naúltima parte das eeina coes de narizinho.mas era preciso que o visconde existisse! o sítio ficavamuito desenxabido sem ele. todos viviam a recordá-lo comsaudades, até o burro falante, até o quindim. só não selembrava dele o rábicó, o qual só tinha saudades das abóboras
 
e mandiocas que por qualquer motivo não pudera comer. ecomo era preciso que o visconde ressuscitasse, na segundamanhã daquele belo mês de abril, emília, depois de um grandesuspiro, resolveu ressuscitá-lo.emília estava no repouso, como os outros, no momentoem que o grande suspiro veio. imediatamente levantou-se e foipara aquele canto da sala onde guardava os seus "bilongues".abriu a famosa canastrinha e de dentro tirou um embrulho empapel de seda roxo. desfazendo o embrulho, apareceu um tocode sabugo muito feio, depenado das perninhas e braços,esverdeado de bolor. eram os restos mortais do visconde desabugosa! emília olhou bem para aquilo, suspirou profunda-mente e, segurando-o como quem segura vela na procissão, foiem procura dos meninos.narizinho e pedrinho estavam no pomar, debaixo dum péde laranja-lima, apostando quempelícula branca sem romper os "casulos que guardam asgarrafinhas de caldo" - isto é, gomos.- está aqui o sagrado toco do visconde - disse emília- aproximando-se e sempre a segurar o pedaço de sabugocom as duas mãos. vou pedir a tia nastácia que bote asperninhas, os braços e a cabeça que faltam.- hoje? que ideia! - exclamou a menina.- hoje, sim - afirmou emília. - tia nastácia está"lagarteando", mas negra velha não tem direito de repousar.narizinho encarou-a com olhos de censura.- malvada! quem neste sítio tem mais direito dedescansar do que ela, que é justamente quem trabalha mais?então negra velha não é gente? coitada! ela entrou no lagartoontem. espere ao menos mais uns dias.- não. há de ser hoje mesmo, porque estou com um nóna garganta de tantas saudades desta peste - teimou emíliacom os olhos no toco. - e fazer um visconde novo não énenhum trabalho para ela - é até divertimento. a diaba temtanta prática que mesmo de olhos fechados, dormindo, arrumaeste.e deixando os dois meninos ocupados na aposta de pelarlaranjas sem feri-las, lá se dirigiu para o quarto da boa negra,com o toco seguro nas duas mãos, como um círio bento.capítulo 2 o visconde novoem virtude da lembrança da marquesa, a grandenovidade daquele dia foi o reaparecimento do visconde desabugosa.os leitores destas histórias devem estar lembrados do queaconteceu ao pobre sábio naquele célebre passeio ao país dasfábulas, quando o pássaro roca ergueu nos ares o burrofalante e o visconde. os viajantes haviam se abrigado debaixoda imensa ave julgando que fosse um enor-míssimo jequitibáde tronco duplo - troncos inconhos. tudo porque o pássaroroca estava imóvel, dormindo de pé! mas quando a imensaave acordou e levantou o voo, lá se foi pêlos ares o pobre burropendurado pelo cabresto, e agarrado ao burro, lá se foi o pobrevisconde.na maior das aflições, pedrinho teve uma boa ideia:correr ao castelo próximo em procura do barão demunchausen. só o barão, o melhor atirador do mundo, poderiacom uma bala cortar o cabresto do burro. pedrinho sabia que obarão já fizera uma coisa assim naquela viagem em que,alcançado pela noite num grande campo de neve, apeou-se
 
para dormir e amarrou o cavalo a um galo de ferro que viu nochão - o único objetoque aparecia no campo de gelo. na manhã seguinte, comgrande surpresa sua e de toda gente, acordou na praça públicaduma cidadezinha, e erguendo os olhos viu no alto da torre daigreja, atado ao galo de ferro, o seu cavalo de sela! com-preendeu tudo. e que na véspera, quando chegou àquele pontoe parou para dormir, a neve havia coberto totalmente acidadezinha, só deixando de fora o galo da torre da igreja... eele então tomou da espingarda, apontou para as rédeas docavalo pendurado e pum! cortou-as com uma bala. o cavalocaiu sem se machucar. o barão montou e lá seguiu viagem,muito contente da vida.ao ver o burro falante pendurado pelo cabresto a umadas pernas do pássaro roca, pedri-nho lembrou-se dessahistória e correu a pedir socorro ao barão, o qual morava numcastelo próximo.o barão veio e com um tiro certeirissimo resolveu o caso:cortou o cabresto do burro, sem ferir nem a ele nem ao pássaroroca. e o pobre burro, sempre com o visconde a ele agarrado,caiu no mar, donde foi salvo por pedrinho - mas o viscondemorreu duma vez. emília encontrou-o lançado à praia pelasondas, sem cartolinha na cabeça, depenado dos braços e daspernas, salgadinho, todo roído pêlos peixes - e guardouaquele toco em sua ca-nastrinha com a ideia de um diarestaurá-lo.e esse dia afinal chegou, naquele "descansode-lagarto"do mês de abril. emília lá estava no quarto de tia nastácia,insistindo com a boa negra.se o viscondecomer salada destas alfaces vai ficar sábio sem saber comonem por quê..."no paiol, tia nastácia debulhou uma bela espiga de milho paraobter um sabugo novo, e teve aluminosa ideia de deixar uma fileira de grãos, de alto abaixo, a fim de servirem de botões. também teve a ideia detrançar as palhinhas do pescoço em forma de "barbainglesa", isto é, repartida em duas pontas. e como o sabugoera vermelho, ou ruivo, saiu um visconde muitosabugo de milho branco.depois de arrumá-lo muito bem, com duas compridaspernas, dois belos braços e cartolinha nova na cabeça, foimostrá-lo aos meninos.emília torceu o nariz. "está falsificado. não presta".mas pedrinho aprovou: "está ótimo, embora pareça maisum banqueiro inglês do que um sábio da grécia."- e que nos adianta banqueiro aqui? - observounarizinho. - melhor transformá-lo em exploradorafricano, como aquele dr. livmgstone de que vovó tantofala, o tal andou anos e anos pelo centro da Áfricaprocurando as origens do nilo. basta trocar essa cartola porum chapéu de cortiça com fitinha pendurada e vesti-lo dumfraque de xadrezdaquele meu vestido de escocês.a ideia agradou a "emília. "sim, serve, "umexplorador africano será excelente aqui - para procurarobjetos perdidos. arranjaremos diversas origens para eleprocurar."e foi desse modo que surgiu no sítio do pica-pau

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