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HOFLING, Heloísa de Mattos

HOFLING, Heloísa de Mattos

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HOFLING, Heloísa de Mattos. Estado e políticas (públicas) sociais. Cadernos Cedes, ano XXI, nº 55, novembro de 2001.
HOFLING, Heloísa de Mattos. Estado e políticas (públicas) sociais. Cadernos Cedes, ano XXI, nº 55, novembro de 2001.

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Cadernos Cedes, ano XXI, nº 55, novembro/2001
ESTADO E POLÍTICAS (PÚBLICAS) SOCIAIS
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LOISA 
 
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*
RESUMO
: Para melhor compreensão e avaliação das políticas públicassociais implementadas por um governo, é fundamental a compreensãoda concepção de Estado e de política social que sustentam tais ações eprogramas de intervenção. Visões diferentes de sociedade, Estado,política educacional geram projetos diferentes de intervenção nesta área.Este texto objetiva trazer elementos que contribuam para a compreensãodesta relação, enfocando autores que se aproximam da abordagemmarxista e da neoliberal sobre o tema.
Palavras 
-
chave 
: Estado e política social; Políticas públicas e educação;Política Educacional.
Para além da crescente sofisticação na produção de instrumentosde avaliação de programas, projetos e mesmo de políticas públicas éfundamental se referir às chamadas “questões de fundo”, as quais infor-mam, basicamente, as decisões tomadas, as escolhas feitas, os caminhosde implementação traçados e os modelos de avaliação aplicados, em rela-ção a uma estratégia de intervenção governamental qualquer.E uma destas relações consideradas fundamentais é a que se estabe-lece entre Estado e políticas sociais, ou melhor, entre a concepção deEstado e a(s) política(s) que este implementa, em uma determinada so-ciedade, em determinado período histórico.Na análise e avaliação de políticas implementadas por um governo,fatores de diferentes natureza e determinação são importantes.Especialmente quando se focaliza as políticas sociais (usualmenteentendidas como as de educação, saúde, previdência, habitação, sanea-
* Professora Doutora do Departamento de Metodologia de Ensino (Deme) da Faculdade de Edu-cação da Unicamp.
E-mail 
: amcsl@obelix.unicamp.br
 
 ARTIGOS
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Cadernos Cedes, ano XXI, nº 55, novembro/2001
mento etc.) os fatores envolvidos para a aferição de seu “sucesso” ou “fra-casso” são complexos, variados, e exigem grande esforço de análise.Estes diferentes aspectos devem estar sempre referidos a umcontorno de Estado no interior do qual eles se movimentam. Torna-seimportante aqui ressaltar a diferenciação entre Estado e governo. Para seadotar uma compreensão sintética compatível com os objetivos destetexto, é possível se considerar Estado como o conjunto de instituiçõespermanentes – como órgãos legislativos, tribunais, exército e outras quenão formam um bloco monolítico necessariamente – que possibilitam aação do governo; e Governo, como o conjunto de programas e projetosque parte da sociedade (políticos, técnicos, organismos da sociedade civile outros) propõe para a sociedade como um todo, configurando-se aorientação política de um determinado governo que assume e desempenhaas funções de Estado por um determinado período.Políticas públicas são aqui entendidas como o “Estado em ação”(Gobert, Muller, 1987); é o Estado implantando um projeto de governo,através de programas, de ações voltadas para setores específicos dasociedade.Estado não pode ser reduzido à burocracia pública, aos organismosestatais que conceberiam e implementariam as políticas públicas. Aspolíticas públicas são aqui compreendidas como as de
responsabilidade 
do Estado – quanto à implementação e manutenção a partir de umprocesso de tomada de decisões que envolve órgãos públicos e diferentesorganismos e agentes da sociedade relacionados à política implementada.Neste sentido, políticas públicas não podem ser reduzidas a políticasestatais.E políticas sociais se referem a ações que determinam o padrão deproteção social implementado pelo Estado, voltadas, em princípio, paraa redistribuição dos benefícios sociais visando a diminuição dasdesigualdades estruturais produzidas pelo desenvolvimento socioeco-nômico. As políticas sociais têm suas raízes nos movimentos popularesdo século XIX, voltadas aos conflitos surgidos entre capital e trabalho,no desenvolvimento das primeiras revoluções industriais.Nestes termos, entendo educação como uma política públicasocial, uma política pública de corte social, de responsabilidade do Estado– mas não pensada somente por seus organismos. As políticas sociais – e a educação – se situam no interior de umtipo particular de Estado. São formas de interferência do Estado, visandoa manutenção das relações sociais de determinada formação social.
 
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Cadernos Cedes, ano XXI, nº 55, novembro/2001
Portanto, assumem “feições” diferentes em diferentes sociedades ediferentes concepções de Estado. É impossível pensar Estado fora de umprojeto político e de uma teoria social para a sociedade como um todo.Pensando em termos concretos, minha reflexão sobre política edu-cacional se insere no contexto do Estado Capitalista, entendido de maneiraampla, sem se considerar definições mais apuradas do que seria esteEstado: se democrático liberal, se social democrático etc., etc.Mais do que definir Estado e suas funções, pretendo focalizar,neste texto, como autores que se inscrevem em tradições diferentes nasciências sociais analisam o Estado Capitalista e como este pensa e concebesuas políticas sociais – e a política educacional.Não é uma simples questão de abordagem: concepções meto-dológicas implicam pressupostos, conceitos, posturas teóricas, sistema-tizações intelectuais, proposições políticas, enfim, concepções de mundoe sociedade diferentes.Sem a pretensão de tratar a temática com a profundidade quemerece, pretendo focalizar, nos limites deste texto, dois autores que seinscrevem, respectivamente, na tradição
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marxista e na liberal, especi-ficamente neoliberal: Claus Offe e Milton Friedman.Nunca é demais assinalar que o marxismo não pode ser entendidocomo uma única abordagem, como único tratamento dado a qualquertema. A tradição marxista desdobra-se num amplo espectro de tendênciase mesmo teorias – aliás coerente com seus pressupostos referentes àconstrução histórica de conceitos. Enraizadas nas clássicas formulaçõesde Marx em relação ao Estado e às ações estatais – as quais estariam, emúltima instância, voltadas para garantir a produção e reprodução decondições favoráveis à acumulação do capital e ao desenvolvimento docapitalismo –, outras se desdobram na análise da complexa questão daautonomia e possibilidade de ação do Estado capitalista frente àsreivindicações e demandas dos trabalhadores e dos setores não beneficiadospelo desenvolvimento capitalista.Claus Offe, sociólogo alemão, é normalmente considerado umautor moderno no interior da tradição marxista. Ressalto que, relacionadaà própria heterogeneidade de sua produção, às posições assumidas emrelação a possibilidades e limites das ações do Estado Capitalistacontemporâneo, também a “classificação” deste autor é polêmica. Namedida em que identifico nos textos de Offe a análise do Estado a partirde uma perspectiva de classe, e como uma esfera da sociedade que con-centra e manifesta as relações sociais de classe, onde conflitos ocorrem –

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