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Amor Natural - Carlos Drummond de Andrade

Amor Natural - Carlos Drummond de Andrade

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Amor Natural
Amor – pois que é palavra essencialEra manhã de setembroO que se passa na camaA moça mostrava a coxaAdeus, camisa de XantoEm teu crespo Jardim, anêmonascastanhasSão flores ou são nalgasCoxas bundas coxasA bunda, que engraçadaO chão é camaSob o chuveiro amar A língua girava no céu da bocaA língua francesaA língua lambeSem que eu pedisse, fizeste-me a graçaMimosa boca erranteMulher andando nua pela casa No corpo feminino, esse retiroBundamel bundalis bundacor bundamor  No mármore de tua bundaQuando desejos outros é que falamA carne é triste depois da felaçãoSugar e ser sugado pelo amor A outra porta do prazer À meia noite, pelo telefoneEu sofria quando ela me diziaEsta facaÓ tu, sublime puta encanecida Não quero ser o último a comer-te No pequeno musel sentimentalEra bom alisar seu traseiro marmóreoOh minha senhora ó minha senhoraDe arredio motel em colcha de damascoO que o Bairro PeixotoTenho saudades de uma damaA castidade com que me abria as coxasA bela Ninféia foi assim tão belaVocê meu mundo meu relógio de nãomarcar horasAs mulheres gulosasPara o sexo a expirar 
Amor – pois que é palavra essencial
Amor – pois que é palavra essencialcomece esta canção e toda a envolva.Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,reúna alma e desejo, membro e vulva.Quem ousará dizer que ele é só alma?Quem não sente no corpo a alma expandir-seaté desabrochar em puro gritode orgasmo, num instante de infinito?O corpo noutro corpo entrelaçado,fundido, dissolvido, volta à origemdos seres, que Platão viu completados:é um, perfeito em dois; são dois em um.Integração na cama ou já no cosmo?Onde termina o quarto e chega aos astros?Que força em nossos flancos nos transportaa essa extrema região, etérea, eterna?Ao delicioso toque do clitóris, já tudo se transforma, num relâmpago.Em pequenino ponto desse corpo,a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
 
Vai a penetração rompendo nuvense devassando sóis tão fulgurantesque nunca que a vista humana os suportara,mas, varado de luz, o coito segue.E prossegue e se espraia de tal sorteque, além de nós, além da própria vida,como ativa abstração que se faz carne,a idéia de gozar está gozando.E num sofrer de gozo entre palavras,menos que isto, sons, arquejos, ais,um só espasmo em nós atinge o clímax:é quando o amor morre de amor, divino.Quantas vezes morremos um no outro,no úmido subterrâneo da vagina,nessa morte mais suave que o sono:a pausa do sentido, satisfeita.Então a paz se instaura. A paz dos deuses,entendidos na cama, qual estátuasvestidas de suor, agradecendoo que a um deus acrescenta o amor terrestre.
Era manhã de setembro
Era manhã de setembroeela me beijava o membroAviões e nuvens passavamcoros negros rebramiamela me beijava o membroO meu tempo de meninoo meu tempo ainda futurocruzados floriam juntoEla me beijava o membroUm passarinho cantava, bem dentro da árvore, dentroda terra, de mim, da morteMorte e primavera em ramadisputavam-se a água claraágua que dobrava a sedeEla me beijando o membro
 
Tudo que eu tivera sidoquanto me fora defeso já não formava sentidoSomente a rosa crispadao talo ardente, uma flamaaquele êxtase na gramaEla a me beijar o membroDos beijos era o mais castona pureza despojadaque é própria das coisas dadas Nem era preito de escravaenrodilhada na sombramas presente de rainhatornando-se coisa minhacirculando-me no sanguee doce e lento e erradiocomo beijava uma santano mais divino transportee num solene e arrepio beijava, beijava o membroPensando nos outros homenseu tinha pena de todosaprisionados no mundoMeu império se estendia por toda a praia desertae a cada sentido alertaEla me beijava o membroO capítulo do ser o mistério de existir o desencontro de amar eram tudo ondas caladasmorrendo num caís longínquoe uma cidade se erguiaradiante de pedrariase de ódios apaziguadose o espasmo vinha na brisa

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