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Alfonso Herrera:
Diziam que o misterioso Cavaleiro Vermelho não era um simples mortal. Que fizera um pacto com
demônio, em troca de se tornar um guerreiro invencível. Anahí, porém, podia sentir com todo o seu
ser que as sombras do enigmático e fascinante Alfonso ocultavam um segredo muito mais
profundo...
Anahí Portilla:
Feito um vendaval, Anahí invadiu o castelo de Dunmurrow para reivindicar o Cavaleiro Vermelho
como marido! E Alfonso percebeu que sua vida mudaria para sempre. Mas uma mulher tão ardente
e cheia de luz iria aceitar viver uma paixão envolta pelas trevas?
Anahí sentia-se como um verdadeiro presente de Natal! Ou talvez uma iguaria deliciosa, aguardando o momento de ser devorada pelos cavaleiros famintos que se moviam lá embaixo como um punhado de cães raivosos e famintos. Todos, sem exceção, tinham se empanturrado de vinho, cerveja e comida. Agora pareciam ansiosos para receber um prêmio especial. Até se poderia pensar que as festas de fim de ano já haviam chegado, tal a maneira como se banqueteava aqui, na corte do rei Edward.
A cena lhe causava tamanha aversão que Anahí não conseguiu controlar a expressão nauseada do rosto. Porém ao perceber a aproximação de sua aia, virou-se imediatamente de costas. Não queria ser vista assim, vulnerável e impotente, quando sempre soubera enfrentar qualquer situação. Mas Edith, tendo carregado-a no colo desde que nascera e a acompanhado ao longo da vida, podia reconhecer o estado de ânimo que a dominava a distância.
- Que foi? Anahí sorriu amarga, a voz normalmente melodiosa vibrando de raiva e desprezo. – Sinto-me o prêmio de um torneio, toda embrulhada e enfeitada - num gesto irritado, passou a mão pelo vestido bordado e pela capa debruada de arminho -, esperando ser entregue ao vencedor.
- Nestes últimos meses, desde a morte de meu pai, nossas terras só têm feito prosperar sob a minha direção. Entretanto, em vez de receber uma recompensa pelos meus esforços, parece que eu serei a recompensa dada a algum patife imundo, louco por dinheiro. E tudo isso apenas porque nosso bom rei decidiu assim.
Não importava o quão bem administrava as propriedades que lhe haviam sido deixadas pelo pai, ou quantos pretendentes conseguira recusar, ou quantas colheitas fartas extraíra das plantações, ou como a vida em seu castelo transcorria calma e serena, na santa paz de Deus. Pois todos esses resultados espetaculares tinham sido em vão. Em menos de um ano o rei lhe enviara uma intimação, ordenando-lhe casar-se.
- Ha! Grande coisa! Essa honra me foi concedida apenas porque tenho dinheiro suficiente para pagar pelo privilégio. Ou por acaso você acha que o rei me permitiu escolher porque me estima profundamente?
- Chega - Edith tornou a avisar. - Pare com essa conversa tola e perigosa e fique quieta. Pelo menos uma vez na vida, comporte-se e faça a opção com sabedoria, usando a cabeça em vez do mau-humor.
Anahí sorriu de leve, sem se ofender com as palavras da serva. Além de Edith ter sido mais do que uma verdadeira mãe ao longo do tempo, era impossível conter a língua da velha senhora, mesmo se tentasse.
- Oh, Deus tenha piedade de nós! - Os anos de experiência lhe haviam ensinado que os planos da sua ama sempre acabavam em grandes confusões. À beira do pânico, juntou as mãos numa súplica angustiada. Minha lady, por favor, deixe suas idéias mirabolantes de lado. Esqueça os planos arriscados. São perigosos.
- Estou apenas aceitando o seu conselho - ela respondeu docemente, um brilho malicioso no olhar. – Vou decidir com sabedoria. O rei me deu liberdade para escolher um marido dentre todos os cavaleiros do reino, não é? Ele disse que eu posso optar por qualquer um de seus cavaleiros. E isso inclui todo o reino, certo? Anahí fez uma pausa, ignorando a expressão confusa da serva.
O sorriso vitorioso iluminando o rosto angelical não era um bom sinal, Edith pensou temendo pela sorte da ama. Desde o berço, Anahí Portilla demonstrara possuir uma personalidade marcante e o fato de ter crescido na companhia de três irmãos, sem a mãe por perto para lhe incutir maneiras delicadas, só fizera acentuar o caráter destemido. Agora, depois da morte dos dois rapazes mais velhos por causa de uma febre, do terceiro ter sido morto durante a última Cruzada e do pai haver falecido recentemente, Anahí se tornara a única sobrevivente da família Portilla. Ela
No fundo do coração, a velha criada acreditava que o casamento com um homem decente iria fazer bem à sua protegida. Ser guiada por uma mão firme, mas gentil, conceber filhos e criá-los, poderia contribuir para trazer à tona a natureza suave da jovem. Talvez o decreto do rei Edward fosse mesmo para o bem. Afinal Anahí já completara dezessete anos e até o momento não demons- trara qualquer interesse em procurar um marido. O único problema era que se esquecera de levar em consideração a natureza determinada daquela a quem amava como a uma filha.
Edith tentava raciocinar rapidamente, procurando entender que plano seria esse. Por algum motivo obscuro, sua senhora acreditava que o rei lhe negaria permissão para casar-se com o cavaleiro escolhido.
- Não! Eu sequer tinha pensado nessa possibilidade juro! - Anahí ficou em silêncio alguns segundos, como se considerando tal alternativa. Então descartou a idéia. - Não, não creio que Edward aceitasse um caso assim. Mas ele será contra a minha escolha. Terá que ser!
- Vou escolher o barão Herrera. - Cheia de expectativa, aguardou a reação de Edith, que com certeza iria cumprimentá-la pela demonstração de engenho e inteligência. Entretanto, em vez de palavras de admiração, a criada só teve tempo de: arregalar os olhos antes de cair desmaiada no chão.
Anahí ergueu a cabeça e jogou os ombros para trás ao entrar no salão agora vazio, à exceção de Edward, da rainha, alguns poucos servos e conselheiros. O rei tinha concedido a graça de uma audiência em particular, porém não sabia se devia considerar a atitude uma bênção ou uma maldição. Se Edward pretendesse contrariar a sua decisão, com certeza seria mais difícil fazê-lo na frente de muitas pessoas. Já perante um grupo pequeno... Não, não queria pensar em derrota. Um guerreiro nunca se deixa abater.
O rei ainda era um homem bonito. Alto, pernas longas, cabelos louros e olhos azuis. Contudo Anahí se ajoelhou diante dele sem a menor emoção. Jamais se sentira atraída por qualquer homem.
procurando manter-se calma. - Posso me casar com qualquer um de seus cavaleiros, não posso?
Embora surpreso, Edward concordou com um breve aceno de cabeça.
Apesar de firmemente decidida a levar o plano até o fim, parecia cada vez mais difícil pronunciar
o nome do eleito. Foi com muito esforço que as palavras ganharam vida.
- Então escolho para marido o barão Herrera, de Dunmurrow.
O anúncio teve o efeito esperado. As pessoas ao redor não fizeram a menor questão de disfarçar
Determinada a não se deixar abater, ergueu a cabeça e fitou cada um dos presentes com altivez. Todos a olhavam horrorizados. Todos, exceto o rei e sua esposa, é claro. Edward conseguiu disfarçar a raiva rapidamente e Anahí conteve um sorriso triunfal. Se o rei estava zangado, era porque se sabia derrotado. E é claro que não poderia voltar atrás na palavra empenhada, ficando portanto obrigado a liberá-la do compromisso de arrumar um marido.
Quando estava a ponto de dizer algo, Edward foi interrompido pela esposa, que lhe sussurrou alguma coisa no ouvido. Talvez a rainha estivesse tentando apaziguá-lo, Anahí pensou esperançosa. Afinal Eleanor sempre fora considerada uma influência benéfica sobre a personalidade
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