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Colleen Mccullough - Pássaros Feridos

Colleen Mccullough - Pássaros Feridos

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PÁSSAROS FERIDOSColleen McCullough9ª EDIÇÃOTRADUÇÃO DEOCTÁVIO MENDES CAJADOEDIÇÃO PORTUGUESA REVISTA PORAYALA MONTEIROBertrand/Difelpara a grande irmãJean EasthopeTítulo original: THE THORN BIRDS© by Colleen McCullough, 1977Todos os direitos reservados para a publicação desta obra em Portugal por:Livraria Bertrand, S.A.R.L.Impressão e acabamento: Tipografia Guerra, ViseuDepósito Legal nº G5017/93ISBN 972-29-O113-3***Existe uma lenda acerca de um pássaro que só canta uma vez na vida, com maissuavidade que qualquer outra criatura sobre a Terra. A partir do momento em quedeixa o ninho começa a procurar um espinheiro, e só descansa quando o encontra.Depois, cantando entre os galhos selvagens, empala-se no acúleo mais agudo emais comprido. E, morrendo, sublima a própria agonia e solta um canto mais beloque o da cotovia e o do rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é aexistência. Mas o mundo inteiro pára para ouvi-lo, e Deus sorri no céu. Pois omelhor só se adquire à custa de um grande sofrimento... Pelo menos é o que diz alenda.1915-1917 - MEGGIENo dia 8 de Dezembro de 1915, Meggie Cleary completou o seu quarto ano de vida.Depois de retirar os pratos do pequeno-almoço, a mãe, sem proferir palavra,enfiou-lhe um embrulho de papel pardo debaixo do braço e mandou-a sair. Meggiefoi acocorar-se atrás da moita de tojos que crescia ao pé do portão da frentee começou a puxar o papel com impaciência, mas os seus dedos eram desajeitados eo embrulho grosso; o cheiro dele, muito leve, lembrava o da loja de Wahine,donde concluiu que o que se achava dentro do pacote, fosse lá o que fosse, tinhasido milagrosamente comprado e não fora feito em casa nem oferecido.Uma coisa linda e vagamente dourada principiou a surgir a um canto; ela puxou o
 
papel mais depressa, descascando o embrulho como se descascasse uma banana, emtiras compridas e irregulares.- Agnes! Oh, Agnes! - exclamou com amor, pestanejando para a boneca deitada numninho de trapos.Um milagre, com efeito. Só uma vez em toda a sua vida Meggie estivera em Wahine;em Maio, havia muito tempo, por ter sido uma menina boazinha. Encarrapitada nacharrette, ao lado da mãe, muito bem comportada, sentira-se tão emocionada quenão vira quase nada e lembrava-se de menos ainda. Excepto Agnes, a linda bonecasentada no balcão da loja, que vestia uma saia-balão de cetim cor-de-rosa, comfolhos de renda cor de creme. Ali mesmo, naquele momento, baptizara-a com o nomede Agnes, o único que conhecia suficientemente elegante para uma criatura sempar como aquela. Entretanto, nos meses que se seguiram, o seu desejo de possuirAgnes não se nutria de esperança alguma; Meggie não tinha bonecas e não sabiaque as meninas e as bonecas haviam sido feitas umas para as outras. Brincava,feliz, com os apitos13e soldados estropiados que os irmãos deitavam fora, sujava as mãos e enlameavaas botas.Nunca lhe ocorrera que Agnes fora feita para brincar. Passando a mão sobre aspregas róseas e brilhantes do vestido, mais bonito que qualquer outro que jávira em alguma mulher, pegou nela com ternura.Como os braços e as pernas da boneca eram articulados, podiam ser movidos emqualquer direcção, e o mesmo sucedia com o pescoço e a cinturinha fina egraciosa. Os cabelos cor de ouro estavam primorosamente arranjados num altopenteado à Pompadour, salpicados de pérolas, e o pálido regaço deixava-seentrever apesar das rendas cor de creme presas com um alfinete de pérola. Olindo rosto de porcelana, muito bem pintado, não fora polido, para dar à tez,delicadamente colorida, uma contextura mate natural. Olhos azuis, parecidíssimascom olhos de verdade, brilhavam entre cílios feitos de pêlos verdadeiros, com asíris estriadas e circundadas de um azul mais forte; fascinada, Meggie descobriuque, reclinada bem para trás, Agnes cerrava as pálpebras. Numa das faceslevemente coroadas havia um sinal de beleza, e a boca, ligeiramente entreaberta,mostrava uma fileira de dentinhos brancos. Meggie colocou a boneca no colo comtoda a delicadeza, cruzou os pés confortavelmente debaixo do corpo e ficou aolhar.Continuava ainda sentada atrás da moita de tojos quando Jack e Hughie seaproximaram pelo meio da erva alta, num sítio perto da cerca onde não se lhepodia chegar a foice. Os cabelos da pequenita eram típicos dos Cleary, poistodas as crianças da família, excepto Frank, tinham-nos marcados por um tom devermelho; Jack segredou para o irmão e apontou, jubiloso. Os dois separaram-se,sorrindo um para o outro, de qualquer maneira, e fingiram ser polícias a cavaloatrás de um renegado maori. Meggie não os teria ouvido chegar, tão absorta seachava na contemplação de Agnes, trauteando baixinho para si mesma.- O que foi que te emprestaram, Meggie? - gritou Jack, saltando sobre ela. -Mostra-nos!
 
- Sim, mostra-nos! - repetiu Hughie, reprimindo o riso e flanqueando-a.Ela aconchegou a boneca ao peito e abanou a cabeça.- Não, é minha! Deram-me como presente de aniversário!- Mostra-nos, vamos! Só queremos dar uma olhadela.O orgulho e a alegria levaram a melhor. Ela levantou a boneca de modo que osirmãos pudessem vê-la.- Vejam, não é linda? Chama-se Agnes.- Agnes? Agnes? - repetiu Jack, simulando ânsias de vómito.- Que nome mais idiota! Porque não lhe chamas Margaret ou Betty?- Porque ela é Agnes!Hughie notou a articulação no punho da boneca e assobiou.- Jack, olha para isto! Ela é capaz de mexer a mão!- Onde? Deixa-me ver.- Não ! - Meggie tornou a estreitar a boneca contra o peito, enquanto os olhosse lhe enchiam de lágrimas. - Não, vocês vão quebrá-la! Oh, Jack, não matires... vais quebrá-la!- Larga isso!As mãos escuras e sujas do rapaz fecharam-se em torno dos pulsos dela, apertandocom força.- Queres uma queimadura chinesa? E não fiques a chorar dessa maneira, olha queeu conto ao Bob. - Ele apertou-lhe a pele em direcções opostas até deixá-laesbranquiçada, enquanto Hughie agarrava as saias da boneca e puxava-as. - Dá-mea boneca, se não aperto de verdade!- Não! Não faças isso, Ja, por favor, não faças isso! Vais quebrá-la, eu sei quevais! Por favor, deixa a boneca em paz! Não lhe pegues, por favor!Apesar da dor que sentia nos pulsos, Meggie continuava agarrada à boneca,soluçando e distribuindo pontapés.- Agarrei-a ! - bradou Hughie, quando a boneca escorregou por entre os braços deMeggie.Jack e Hughie acharam-na tão fascinante quanto a achara a própria Meggie eforam-lhe arrancando o vestido, os saiotes e as calças de baixo, compridas echeias de pregas. Agnes agora estava nua, e os rapazes puxavam-na em urravam-na,forçando um pé a passar por trás do pescoço, obrigando-a a olhar para a própriaespinha, impondo-lhe todas as contorções possíveis que lhes ocorriam. Não deramatenção a Meggie, que continuava a chorar e nem pensava em pedir auxílio, poisna família Cleary quem não soubesse ou não pudesse sustentar as suas própriasbatalhas merecia dos outros escassa ajuda ou simpatia, e isso aplicava-se tambémàs raparigas.Os cabelos dourados da boneca desmoronaram-se, as pérolas voaram, tremeluzentes,e sumiram-se no meio da erva alta. Uma bota suja pisou, sem querer, o vestidoabandonado, besuntando o cetim com graxa. Meggie caiu de joelhos,escarafunchando freneticamente o chão na ânsia de recolher as pequenas peças deroupa antes que viessem a sofrer maiores danos, e, depois, pôs-se a afastar umadas outras as14 15

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