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REMÉDIO AMARGOArthur HaileyDigitalização: Argowww.portaldocriador.orgTradução A. B. Pinheiro de Lemos.Doenças, em desespero crescidas,Por meios desesperados hão de ser curadas. Ou não serão.Shakespeare, HamletJá estamos sufocados por uma abundância infinita de medicamentos sempre exaltados eainda acrescentam um novo. Dr. Thomas Sydenham (1624-1689)PRÓLOGO: 1985No 747, na primeira classe e meia hora depois da partida de Londres, o Dr.Andrew Jordan pegou a mão da esposa. 
Pare de se preocupar
recomendou ele.
Nada pode acontecer. 
Alguma coisa vai acontecer. Dennis Donahue cuidará para que assim seja.Andrew fez uma careta à menção do populista senador americano da Nova Inglaterra. 
Eu aguardava ansiosamente o almoço
protestou ele.
Precisava estragá-lo me deixando nauseado? 
Vamos falar sério, Andrew. Não se esqueça que houve mortes. Relacionadas com as drogas. 
Você estava muito longe delas. 
Mesmo assim, eu seria incluída se houvesse um processo criminal. Poderia ir para a prisão.Ele tentou reanimar os ânimos abalados. 
Ainda não aconteceu. Mas se por acaso acontecer, prometo que a visitarei todos os dias e levarei bolos com serras dentro. 
Oh, Andrew!Ela virou-se para o marido, o sorriso uma mistura de amor e tristeza. Depois de 28 anos de casamento, pensou Andrew, era maravilhoso contemplar a esposa, com admiração, tão bonita, inteligente e forte. E não estava sendo sentimental, disse a si mesmo. Já percebera todas essas qualidades e muito mais, exibidas mil vezes. 
Isso é lindo
interveio uma voz de mulher, ao lado deles. Andrew levantou os olhos. Era uma aeromoça, jovial, bonita, observando-os de mãos dadas. Ele comentou, com uma expressão impassível: 
O amor também pode acontecer aos velhos. 
É mesmo?
A aeromoça imitou o seu tom zombeteiro.
Isso nunca tinha me ocorrido.Mais champanhe? 
Queremos, sim, por favor.Ele percebeu que a moça o inspecionava e compreendeu, sem qualquer vaidade, que ainda era atraente, mesmo para alguém tão jovem que podia ser sua filha. Como aquele colunista do jornal londrino o descrevera na semana anterior? "O atraente edistinto médico de cabelos brancos, marido de... et cetera, et cetera." Andrew não odissera, mas bem que gostara ao ler.Servido o champanhe, Andrew recostou-se. Gostava das mordomias que acompanhavam a viagem em primeira classe, mesmo que naquele dia parecessem menos signifi
 
cativas que habitualmente. Era o dinheiro da esposa que proporcionava aqueles privilégios, é claro. Sua renda como um médico bastante procurado era mais do que razoável, mas duvidava que pudesse proporcionar viagens de primeira classe entre Londrese Nova York; e certamente não poderia financiar o jato particular em que a esposae às vezes o próprio Andrew viajavam pela América do Norte.Correção, ele lembrou a si mesmo: havia viajado, até agora. Eram indefinidas as mudanças que se estendiam pela frente.O dinheiro, no entanto, nunca fora um problema no casamento. Jamais tiveramqualquer discussão a respeito e desde o início a esposa insistira que tudo o que possuíam era comum. As contas bancárias eram sempre conjuntas. Embora a contribuição de Andrew atualmente fosse de longe a menor, nenhum dos dois se preocupava com aritmética comparativa.Seus pensamentos vaguearam e continuaram de mãos dadas, enquanto o 747 seguiapara oeste, por cima do Atlântico. 
Andrew, você é um conforto e tanto
disse a esposa subitamente.
Sempre está ao mlado. E sempre tão forte. 
É curioso... forte era justamente o que eu estava pensando em relação a você. 
Há espécies diferentes de força. E eu preciso da sua.Começava a movimentação comum em uma viagem aérea, quando se preparavam para servira refeição.Mesas embutidas eram arrumadas, com toalhas brancas e talheres. Depois de algum tempo, a esposa declarou: 
O que quer que aconteça, eu vou lutar. 
Não é o que sempre fez?Ela pensava com extremo cuidado, como sempre. 
Escolherei um advogado nos próximos dias. Deve ser sólido, mas não bombástico. Um excesso de exibição seria um erro.Andrew apertou-lhe a mão. 
Assim é que eu gosto de ver.Ela retribuiu-lhe o sorriso. 
Sentará ao meu lado no tribunal? 
Todos os dias. Os pacientes terão de se arrumar sozinhos até acabar. 
Você nunca deixaria que isso acontecesse, mas eu gostaria que ficasse ao meulado. 
Há outros médicos. Pode-se dar um jeito. 
Talvez, com o advogado certo, possamos realizar um milagre.Andrew meteu uma faca numa porção de caviar que acabara de ser colocado à sua frente. Por mais graves que fossem os seus problemas, não havia sentido em renunciar àquilo. 
Pode acontecer
disse ele, espalhando o caviar pela torrada.
Começamos com ummilagre, você e eu. E houve outros desde então, que você promoveu. Por que não mais um?E desta vez só para você. 
Seria um milagre e tanto. 
Será
corrigiu Andrew, gentilmente.Ele fechou os olhos. O champanhe e a altitude deixavam-no sonolento. Mas, em sua sonolência, recordou o primeiro milagre. Há muito tempo...PARTE UM - 1957-1963CAPÍTULO 1 O Dr. Jordan disse, suavemente: 
Sua mulher está morrendo, John. Só lhe restam mais algumas horas.Uma pausa e, consciente do rosto pálido e angustiado do jovem magro à sua frente, ainda vestindo o macacão de operário, ele acrescentou: 
Eu gostaria de poder lhe dizer outra coisa. Mas achei que preferia saber averdade.
 
Estavam no St. Bede's Hospital, em Morristown, New Jersey. Vinham lá de foraos ruídos do início da noite
os ruídos de uma cidade pequena
mas não chegavam a perturr o silêncio entre os dois. À luz fraca do quarto de hospital, Andrew observou o pomo-de-adão do marido da paciente se sacudir convulsivamente duas vezes, antes que ele conseguisse balbuciar: 
Não posso acreditar. Estamos apenas começando. E sabe que temos um filho pequeno. 
Sei, sim. 
É tão... 
Injusto?O rapaz assentiu. Um homem bom e decente, trabalhador, a julgar pela aparência. John Rowe. Tinha 25 anos, apenas quatro anos mais moço que o Dr. Jordan. Estavaabsorvendo muito mal a notícia... o que não era de surpreender. Andrew desejava poder confortá-lo mais. Já se encontrara muitas vezes com a morte e estava preparado para reconhecer os indícios de sua aproximação, mas ainda não sabia direito como se comunicar com os amigos ou a família de uma pessoa agonizante. Um médico deveria ser brusco, direto ou haveria algum meio mais sutil? Era uma coisa que não ensinavam na faculdade de medicina. Nem depois. 
Os vírus são injustos, embora a maior parte não se comporte como este fez com Mary
acrescentou Andrew.
Geralmente reagem ao tratamento. 
Não há nada que se possa fazer? Alguma droga que poderia...Andrew sacudiu a cabeça. Não adiantava entrar em detalhes ao responder: Ainda não. Até agora, não existe qualquer medicamento para coma agudo de hepatite infecciosaavançada. Também nada se ganharia se informasse que, no início daquele dia, consultaraseu colega sênior da clínica, Dr. Noah Townsend, que era também o diretor-médico do hospital. E cerca de uma hora antes Townsend dissera a Andrew: 
Fez tudo o que pôde. Não há nada que eu próprio fizesse de maneira diferente.Somente então é que Andrew enviara um recado à fábrica, na cidadezinha próxima de Boonton, onde John Rowe trabalhava.Mas que droga! Os olhos de Andrew se desviaram para a cama elevada de metal, com o vulto imóvel. Era a única cama no quarto, por causa do aviso destacado de "ISOLAMENTO" no corredor lá fora. O vidro de soro, em seu suporte por trás da cama, pingava o conteúdo
dextrose, solução salina, vitaminas do complexo B
em Mary Rowe, atravde uma agulha que penetrava numa veia do antebraço. Já estava escuro lá fora, ocasionalmente se ouvia os estrondos das trovoadas, chovia forte. Uma noite horrível. E aúltima noite de vida para aquela jovem esposa e mãe, que fora saudável e ativa apenasuma semana antes. Era mesmo injusto. Hoje é sexta-feira. Na última segunda-feira, Mary Rowe, pequena e bonita, embora visivelmente indisposta, apareceu no consultório de Andrew. Queixou-se de vertigens, sentir-se fraca, não conseguir comer direito. A temperatura era de 39°C.A Sra. Rowe informou que quatro dias antes tivera os mesmos sintomas e maiso vômito. Mas sentira-se melhor no dia seguinte e pensara que o problema, qualquer que fosse, já desaparecera. Mas agora voltara. E passava muito mal, ainda pior do que antes.Andrew examinou os brancos dos olhos de Mary Rowe; estavam amarelados. Áreasde sua pele também já se mostravam amareladas. Ele apalpou o fígado, mole e intumescido. Um breve interrogatório extraiu a informação de que ela estivera no México com o marido, em breves férias, no mês anterior. Isso mesmo, hospedaram-se num pequeno hotel,porque era mais barato. Isso mesmo, ela comera os pratos locais e bebera a água. 
Vou interná-la imediatamente no hospital
disse-lhe Andrew.
Precisamos de um exame de sangue para confirmar, mas tenho quase certeza que está com hepatite infecciosa.Depois, como Mary Rowe parecia assustada, ele explicou ser quase certo queela consumira um alimento ou água contaminada no México, que provavelmente alguma pessoa com a doença manuseara a comida. Acontecia freqüentemente em países de sistema sanitário precário.Quanto ao tratamento, seria principalmente de apoio, com a absorção de bastantefluido pelo corpo, por meio intravenoso. Andrew acrescentou que a recuperação total

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