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Em nome de Deus
O assassinat o de João Paulo I
David Yallop
Prefácio

Este livro, o produto de quase três anos de pesquisas intensivas, não existiria sem a ajuda ativa e a cooperação de muitas pessoas e organizações. Muitas delas só concordaram em ajudar sob a condão rigorosa de que não seriam publicamente identificadas. Como aconteceu em outros livros que escrevi anteriormente, em circunstâncias similares, respeito os seus desejos. Neste momento, há uma necessidade ainda maior de proteger suas identidades. Como ficará patente ao leitor, o assassinato é uma seqüela freqüente dos eventos aqui relat ados.

Uma parcela considerável desses assassinatos permanece oficialmente sem solução. Ninguém deve duvidar de que os indivíduos responsáveis por essas mort es possuem a capacidade de assassinar novament e. Revelar os nomes dos homens e mulheres que me proporcionaram uma ajuda crucial e que agora correm um grande risco seria um ato de irresponsabilidade criminosa. Tenho com eles um a dívida particular. Os motivos para divulgarem um a am pla gama de informações foram muitos e variados, mas ouvi repetidamente o comentário: "A verdade deve ser revelada. Se você está disposto a contá-la, então que assim seja." Sinto- me profundamente grato a todos e também às seguintes pessoas, que classifico com o maior respeito como a ponta do iceberg: Professor Amedeo Alexandre, Professor Leonardo Ancona William Aronwald, Linda Attwell, Josephine Ayres, Dr. Alan Bailey, Dr. Sham us Banim, Dr. Derek Barowcliff, Pia Basso, Padre Albe BeIli, Cardeal Giovanni Beneili, Marco Borsa, Vittore Branca, David Buckley, Padre Roberto Busa, Dr. Renato Buzzonetti, Roberto Calvi, Emilio Cavaterra, Cardeal Mario Ciappi, Irmão Clemente, Joseph Coffey, Annaloa Copps, Rupert Cornwall, Monsenhor Ausilio Da Rif, Dr. Giuseppe Da Ros, Maurizio De Luca, Danielli Doglio, Monsenhor Mafeo Ducoli, Padre François Evain, Cardeal Pericle Felici, Padre Mario Ferrarese, Professor Luigi Fontana, Mario di Francesco, Dr. Cano Frizziero, Professor Piero Fucci, Padre Giovanni Gennari, Monsenhor Mario Ghizzo, Padre Carlo Gonzalez, Padre Andrew Greeley, Diane Haíl, Dr. John Henry, Padre Thomas Hunt, William Jackson, John J. Kenney, Peter Lemos, Dr. David Levison, Padre Diego Lorenzi, Edoardo Luciani, William Lynch, Ann McDiarmid, Padre John Magee, Sandro Magister, Alexander Manson, Professor Vincenzo Masini, Padre Francis Murphy, Anna Nogara, Monsenhor Giulio Nicolini, Padre Gerry OCollins, Padre Romeo Panciroli, Padre Gianni Pastro, Lena Petni, Nina

Petri, Professor Pier Luigi Prati, Professor Giovanni Rama, Roberto Rosone, Professor Fausto Rovelli. Professor Vincenzo Ruili, Ann Ellen Rutherford, Monsenhor Tiziano Scalzotto, Monsenhor Mario Senigaglia, Arnaldo Signoracci, Ernesto Signoracci, Padre Bartolom eo Sorges, Lorana Sullivan, Padre Frances- co Taifarel, Irm ã Vincenza, Professor Thom as Whitehead, Phillip Willan.

Também agradeço às seguintes organizações: Residência Agostiniana, Roma, Banco San Marco, Banco da Inglaterra, Banco para Pagamentos Internacionais, Basiia, Banco da Itália, Biblioteca Católica Central, Catholic Truth Society, Departamento de Polícia da Cidade de Londres, Departamento de Comércio, Bibliot eca de Estatíst ica e Mercado, o English College, Roma, Bureau Federal de Investigações a Universidade Gregoriana, Roma, New Cross Hospital Poisons Unit, Opus Dei, a Sociedade Farm acêutica da Grã- Bret anha, Tribunal do Dist rito de Nova York, Tribunal de Luxemburgo, Departamento de Estado Norte- Am ericano, Imprensa Oficial do Vaticano, e Rádio do Vaticano.

Entre aqueles a quem não posso agradecer publicamente estão os residentes na Cidade do Vaticano, que me procuraram e me iniciaram na investigação dos acontecimentos envolvendo a morte do Papa João Paulo I, Albino Luciani. O fato de que homens e mulheres que vivem no coração da Igreja Católica não podem falar abertamente e ser identificados é um comentário eloqüente sobre a situação no Vaticano. Não tenho a menor dúvida de que este livro será at acado por alguns e rejeitado por outros. Será encarado por muitos como um a agressão à fé católica em part icular e ao crist ianism o em geral. Mas não é nada disso. Até certo ponto, é uma acusação a homens especificamente indicados, que nasceram católicos, mas nunca foram cristãos. Como tal, este livro não ataca "A Fé" dos milhões de devotos da Igreja, pois, o que eles consideram sagrado é muito importante para deixarem nas mãos de homens que conspiraram para arrastar a mensagem de Cristo para a lama — uma conspiração que alcançou um tenebroso sucesso. Como já expliquei antes, tenho um a dificuldade insuperável quando confront ado com a tarefa de revelar fontes específicas para fatos e detalhes específicos. Não posso revelar quem exatamente me disse o quê, uma vez que as fontes de informações devem permanecer secretas. Mas posso garantir ao leitor que todas as informações, fatos e detalhes foram conferidos pelo menos duas vezes, não importando qual fosse a font e. Se houver qualquer erro a responsabilidade é toda minha. Tenho certeza de que haverá comentários porque relato conversas de homens que morreram antes de minhas investigações começarem. Como eu poderia saber, por exem plo, o que se passou entre Albino Luciani e o Cardeal Villot no dia em que discutiram a questão do controle da natalidade? Não existe no Vaticano uma audiência particular que permaneça absolutamente particular. Os dois homens simples- mente conversaram depois com outros a respeito. Essas font es secundárias, às vezes com opiniões pessoais profundament e divergentes sobre a questão discutida pelo Papa e seu Secretário de Estado, proporcionaram a base para as palavras at ribuídas. Nenhum dos diálogos nest e livro é frut o da imaginação, assim como os eventos aqui transcritos.

Abril de 1984 DAVI D A. YALLOP
Prólogo

O líder espiritual de quase um quinto da população mundial manipula um imenso poder. Mas qualquer observador desinformado de Albino Luciani, no início de seu pontificado como Papa João Paulo 1, acharia difícil acreditar que aquele homem realmente encarnava tanto poder. A timidez e humildade emanando daquele pequeno e quieto italiano de 65 anos levaram muitos a concluir que o seu papado não seria particularmente notável. Os bem- informados, no entanto, sabiam que não era bem assim: Albino Luciani iniciara um a revolução.

A 28 de setembro de 1978 ele era Papa há 33 dias. Em pouco mais de um mês, lançara-se por diversos cursos de ação que, se prosseguidos, teriam um efeito direto e dinâmico sobre todos nós. A maioria aplaudiria suas decisões, uns poucos ficariam assustados. O homem que fora rapidamente chamado de "O Papa Sorriso" tencionava remover os sorrisos de diversos rostos no dia seguint e.

Naquela noite, Albino sent ou para comer na sala de jantar no terceiro andar do Pacio Apostólico, na Cidade do Vaticano. Tinha a companhia de seus dois secretários, Padre Diego Lorenzi, que trabalhara como ele em Veneza por mais de dois anos, quando Luciani, como cardeal, ali fora Patriarca, e Padre John Magee, que assumira o post o recent em ente, depois da eleição papal. Enquanto as freiras que trabalhavam nos aposentos papais pairavam ansiosam ente pelas proximidades, Albino Luciani comeu uma refeão frugal, de sopa, vitela, vagens frescas e um pouco de salada. Bebia ocasionalment e um gole de água e pensava nos acontecimentos do dia e nas decisões que tomara. Não queria a posição. Não procurara nem solicitara votos para ser o novo Papa. Agora, como Chefe de Estado, tinha de assumir as terríveis responsabilidades.

Enquanto as Irmãs Vincenza, Assunta, Clorinda e Gabrietta serviam silenciosamente os três homens, que assistiam ao noticiário pela televisão sobre os acontecimentos que preocupavam a Itália naquela noite, outros homens, em outros lugares, preocupavam- se profundament e com as at ividades de Albino Luciani.

As luzes ainda se achavam acesas um andar abaixo dos aposentos papais, no Banco do Vaticano. Seu diretor, o Bispo Paul Marcinkus, estava absorvido por problem as mais prem entes que o seu Jantar. Nascido em Chicago, Marcinkus aprendera tudo sobre a sobrevivência nas ruas de Cicero, em Illinois. Durant e a sua meteórica ascensão à posição de "Banqueiro de Deus", sobrevivera a muitos moment os de crise. Confront ava- se agora com a crise mais séria que já lhe surgira. Nos últimos 33 dias, seus colegas no banco haviam notado uma mudança intensa no homem que controlava os milhões do Vaticano. O extrovertido americano de 1,90m de altura, 100 quilos de peso, tornara-se soturno e int rospectivo. Estava visivelment e em agrecendo e seu rost o adquirira uma palidez extrema. Sob muitos aspectos, a Cidade do Vaticano é uma aldeia... e é muito difícil se guardar segredos numa aldeia. Marcinkus tomara

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