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Pan-americanismo "monroista", desemvolvimentismo e Serviço Social - Manuel M. Castro

Pan-americanismo "monroista", desemvolvimentismo e Serviço Social - Manuel M. Castro

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CAPÍTULO IVPAN-AMERICANISMO “MONROÍSTA”,DESENVOLVIMENTISMO E SERVIÇO SOCIAL
Os países do continente que surgiram para a vida independente em finais do séculoXVIII (os Estados Unidos) e princípios do século XIX (a América de tradiçãoibérica) procuraram, desde muito cedo, reforçar as bases da sua unidade geográfica,determinando as suas coincincias poticas essenciais, quer sob o digorepublicano, quer sob claras premissas anticolonialistas. A Doutrina Monroe (1823),mais além de suas posteriores modificações, e o Congresso Anfictiônico do Panamá(1826) marcaram a necessidade de as jovens repúblicas integrarem seus esforços para a mútua defesa, já que permaneciam as ameaças extra-continentais. No entanto, desde esta época, é possível distinguir duas propostas alternativas que,seguindo a Vasconcelos, podemos denominar como bolivarismo e monroísmo:
Chamaremos bolivarismo ao ideal hispano-americano de criar uma confederaçãoque envolva todos os povos de cultura espanhola. Chamare-131
 
mos monroísmo ao ideal anglo-saxônico de incorporar as vinte nações hispânicas aoimpério do Norte, mediante a política do pan-americanismo”. (1)Quanto ao ideal bolivariano, sempre latente, pôde avançar muito pouco no séculoXIX, apesar das reuniões celebradas sob o seu signo em Lima (1847), Santiago doChile (1856) e novamente Lima (1864). Já o pan-americanismo, mesmo operante noséculo XIX, é nos seus finais que passa a definir-se programaticamente de modomais sistemático, em especial a partir das Conferências Inter-Americanas realizadasem Washington (1889), México (1901), Rio de Janeiro (1906), Buenos Aires(1910), Santiago do Chile (1923), Havana (1928) e Montevidéu (1933). Realmente,sua afirmação ocorre quando os Estados Unidos, após a sua guerra civil e aanexação de territórios mexicanos, concluíram a sua reconstrução e desenvolverama sua política expansionista, elevando-a a novo patamar e concorrendo vorazmentecom as potências européias. Ou seja: quando o lema de Monroe, “A América paraos americanos”, converte-se de fato em “A América para os norte-americanos”, o pan-americanismo oficial não é mais que uma estratégia dos Estados Unidos paraganhar hegemonia no continente.Contudo, este primeiro momento do pan-americanismo (1889-1933) orepresentou de imediato o predomínio norte-americano sobre o continente. Por exemplo: na Primeira Conferência Inter-Americana, os Estados Unidos oobtiveram o apoio necessário para definir um regime de arbitragem obrigatória entreas nações americanas, nem a união alfandegária que postulavam. Apesar disto, em1890, Washington conseguiu criar o Escritório Comercial das ReblicasAmericanas, para, em seguida, a partir desta instituição, criar, em 1910, em BuenosAires, a Uno Pan-Americana (UPA). Simultaneamente a este trabalhoorganizativo e diplomático, os Estados Unidos capitalizaram a seu favor os últimostriunfos dos povos americanos em sua luta contra o colonialismo hispânico (Cuba,1898) e, valendo-se da chamada Emenda Platt e outros instrumentos de força,impuseram uma política expansionista, mediante a qual anexaram Porto Rico,Filipinas e Guam, converteram Cuba e Panamá em protetorados, e controlaram, política e economicamente, São Domingos, Nicarágua e Haiti, ins-
1. Vasconcelos. J. Bolivarjsmo y Monroísmo. Temas Americanos, p. 7.
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taurando nestes países governos ditatoriais alinhados incondicionalmente aWashington.A larga história das intervenções norte-americanas nas repúblicas da AméricaCentral e do Caribe, bem como no resto do continente, até hoje acumula incidentes.(2) No entanto, por ocasião da VII Conferência InterAmericana (Montevidéu,1933), a potica de boa vizinhança preconizada por Franklin D. Rooseveltcomprometeu-se com o respeito ao princípio da não-intervenção nos assuntosinternos dos países do continente — logo depois ratificada em Buenos Aires (1936),criando bases mais propícias para definir a unidade continental em face do Eixonazi-fascista durante a Segunda Guerra Mundial.
1. O pan-americanismo posterior à
 
 guerra e a OEA
A experiência do período da Segunda Guerra Mundial e a enorme força acumulada pelos Estados Unidos depois do triunfo aliado permitiram finalmente a este paísorganizar a sua hegemonia a nível mundial após a Conferência das Nações Unidassobre Organização Internacional (São Francisco, 1945) e dar um passo decisivo para o seu predomínio continental com a celebração, no Rio de Janeiro (1947), doTratado Inter-Americano de Assistência Reproca (TIAR), com o qual seassentaram as bases militares do pan-americanismo “monroísta” — em si mesmo, osuporte estratégico requerido para a criação da Organização dos EstadosAmericanos (OEA), consubstanciada na assinatura da Carta de Bogotá (1948), nodecurso da IX Conferência Internacional dos Estados Americanos.É possível dizer-se que durante a Segunda Guerra Mundial se engendra e, com oTIAR e a OEA, se consolida uma segunda fase do pan-americanismo monroístaque, revelando-se jurídica e organicamente mais elaborada, desenvolve-se nointerior de uma complexa trama de nculos e compromissos de crescentedependência em face da potência do norte.
2. A agressão à Argentina e à América Latina, que reuniu a Grã-Bretanha e os Estados Unidos nasIlhas Malvinas, não é apenas o mais recente desses incidentes. E também o que mais claramenterevela o caráter imperialista dos anteriores e o que mais diretamente desafia e reclama asolidariedade continental dos nossos povos. (Recorde-se que o autor escreveu este texto antes da brutal agressão imperialista a Granada. N. dos T)
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