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Criança e Desenho

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Revista de divulgaçãotécnico-científica do ICPGVol. 2 n. 5 - abr.-jun./2004ISSN 1807-2836
1. INTRODUÇÃO
O nosso planeta Terra passou e vem passando por trans-formações. A história do ser humano é feita de desenvolvimentose evoluções. Tudo no mundo tem seu tempo e sua hora. O dese-nho também passa por fases e evoluções.Ao desenhar, a criança conta sua história, seus pensa-mentos, suas fantasias, seus medos, suas alegrias, suas tristezas.No ato de desenhar, a criança age e interage com o meio, seucorpo inteiro se envolve na ação, traduzida em marcas que a mes-ma produz, se transportando para o desenho, modificando e semodificando. Através do desenho, conta o que de melhor lheaconteceu, demonstrando, relembrando e dominando a situação.Por alguns instantes, tem momentos muito agradáveis e proveito-sos, expressando sua percepção de mundo.Cada desenho tem uma história, um significado pessoalque, muitas vezes, o adulto interpreta de modo diferente. Deve-mos lembrar que a visão da criança é diferente da visão do adulto.O adulto, quando conduz ou interpreta uma produção infantil deforma errônea, a vai inibindo até que perca sua capacidade decriação.Mas se o valor do desenho é tão perceptível, se está liga-do às necessidades e potencialidades da criança, se há uma inter-relação nos vários aspectos do seu desenvolvimento - o motor, oafetivo e cognitivo - então, por que o educador está sempre ten-tando decodificar o desenho infantil? O que pensa o educador aover a produção artística de uma criança? Como entender o dese-nho infantil, se o educador não possui informações teóricas? Comopreparar esses educadores para que se tornem mais sensíveis ecuriosos em relação ao desenho infantil?Este trabalho
 
pretende trazer alguns subsídios que permi-tam ao educador tornar-se mais sensível e curioso perante umaprodução artística infantil, evitando, assim, “diagnosticar” a cri-anças através do seu desenho.
A CRIANÇA E O DESENHO INFANTILA sensibilidade do educadormediante uma produção artística infantil
Ema Roseli de NovaesLygia Helena Roussenq Neves
Curso de Especialização em Educação Infantil
Resumo
É primordial, para quem atua na área da Educação Infantil, a compreensão e o conhecimento das fases do desenho infantil e suarelação com a evolução do desenvolvimento humano. Da mesma forma, é importante saber que o desenho é a manifestação denecessidades vitais pelas quais a criança terá que passar, ou seja, conhecer e agir sobre o mundo e comunicar-se com este mundo.O objetivo deste trabalho é refletir sobre a importância do educador nessas etapas de desenvolvimento da criança. É compreender,ainda, que a observação é um dos meios que o educador poderá utilizar na construção desse aprendizado  para fazer desabrochar na criança um olhar sensível e pensante. Para isso, ele não poderá agir apenas como facilitador desse processo. Permeandoinformações de natureza mais teórica, o educador poderá estar desafiando e incentivando, ampliando as experiências, o conheci-mento e aprimorando a capacidade de criação e de expressão artística da criança.
Refletindo sobre as informações acima questionadas, par-tiremos para uma análise da evolução do desenho infantil, atravésde pesquisas bibliográficas e de comparações da visão de váriosestudiosos sobre o assunto. Pretendemos, assim, conscientizar oprofessor de Educação Infantil sobre a importância de estar fun-damentado para entender como se dá o processo do desenvolvi-mento infantil, na faixa etária de 0 a 06 anos de idade, fase queacreditamos ser uma das mais importantes do desenvolvimentohumano.
2. O DESENHO INFANTIL
O desenho, para a criança, é uma continuidade entre oobjeto e a representação gráfica. A criança representa o objeto emsi, ou seja, a sua criação é diferente da criação do adulto. Elaliberta-se das aparências e, ao mesmo tempo, pode representar oobjeto como ele é realmente, enquanto o adulto só o representapor um único ponto de vista. Segundo Luquet, (apud MERLEAU-PONTY, 1990, p.130), “ o desenho é uma íntima ligação do psíqui-co e do moral. A intenção de desenhar tal objeto não é senão oprolongamento e a manifestação da sua representação mental; oobjeto representado é o que, neste momento, ocupará no espíritodo desenhador um lugar exclusivo ou preponderante.”Para a criança, o desenho é uma expressão de mundo enunca uma simples imitação ou cópia fiel porque a criança dese-nha conforme o modelo interior, a representação mental que pos-sui do objeto a ser desenhado. O desenvolvimento infantil é comoum jogo, visto que a criança se desenvolve e se modifica confor-me a faixa etária. O mesmo acontece com o desenho: vai evoluin-do e se modificando com o desenvolvimento da criança.Em seus estudos, Merleau-Ponty (1990) nos apresenta osvários estágios do desenho infantil:
 
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Vol. 2 n. 5 - abr.-jun./2004ISSN 1807-2836Revista de divulgaçãotécnico-científica do ICPG
Realismo fortuito – a criança procura representar o obje-to como uma totalidade.Subdivide-se em:
a)Desenho involuntário
– a criança desenha só para fa-zer linhas, sendo que, nesse estágio, repete o movi-mento pelo simples prazer e
b)Desenho voluntário
–a criança percebe certa semelhan-ça entre os traços e o objeto real. Ela enuncia a inter-pretação que o desenho lhe dá. Mais tarde, diz o quepretende desenhar, mas o resultado a faz interpretarseu desenho de forma diferente. Em outra situação, odesenho, afinal, corresponde com a sua interpretaçãoinicial. Então, percebe que pode representar, atravésdo desenho, tudo o que deseja.Incapacidade sintética – a criança desenha cada objetode forma diferente, considerando seu ponto de vista paradiferenciá-los. Pode desenhar uma figura humana, masdesenhar os olhos, a boca e os cabelos ao lado do corpocomo se não fizessem parte dele.Realismo intelectual – a criança procura desenhar nãosó o que pode ver no objeto, mas todas as suas fases.Desenha de acordo com sua noção momentânea dosobjetos.Realismo visual – a criança representa apenas os aspec-tos visíveis do objeto. Há um aprimoramento de sistemade desenho construído no estágio anterior.A criança, ao desenhar, tem uma intenção realista. O realis-mo evolui nas diferentes fases do desenho infantil até chegar aorealismo visual, que é o realismo do adulto. Para o adulto, o dese-nho tem que ser idêntico ao objeto. Já para a criança, o desenho,para ser parecido com o objeto, deve conter todos os elementosreais do objeto, mesmo invisíveis para os outros. Assim, a criançadesenha de acordo com um modelo interno: a imagem que sabe doobjeto que vê.2.1. O DESENHO INFANTIL SEGUNDO LOWENFELDQuanto mais auto-confiante a criança, mais ela se arrisca acriar e a se envolver com o que faz. A criança segura se concentracom mais facilidade nas atividades. Consegue se soltar e acreditarno que faz. De acordo com Streinberg ( apud LOWENFELD, 1977,p.128),
Aprender a desenhar, desenhando. Embora essa afirmação possaparecer destituída de significado, ela é muito verdadeira: a ação dedesenhar é que é a escola do desenho. O mesmo vale para as outrasatividades artísticas: aprende-se a pintar, pintando; aprende-se aesculpir, esculpindo: aprende-se a escrever, escrevendo, e assim pordiante.
Nenhum treino ou exercício de coordenação motora farácom que a criança expresse sua criatividade. Uma criança seguratem maior capacidade de envolvimento, de concentração e deprazer em criar. É importante a ela sentir-se livre para poder expres-sar-se em seus desenhos. Assim, a criança se desenvolve emharmonia e se organiza no contexto espaço/temporal, seposicionando frente à vida, descobrindo o significado que a vidatem para si e percebendo-se como criadora de sua própria histó-ria. Lowenfld (1977) estabelece três fases para o desenho infantil.2.1.1. PRIMEIRA FASEA primeira fase divide-se em três etapas: etapa da garatujadesordenada, etapa da garatuja ordenada e etapa da garatuja no-meada.Na fase da garatuja desordenada, a criança não tem cons-ciência da relação traço-gesto; muitas vezes, nem olha para o quefaz. Seu prazer é explorar o material, riscando tudo o que vê pelafrente. Segura o lápis de várias formas, com as duas mãos oualternando. Não usa o dedo ou o pulso para controlar o lápis. Fazmovimentos de vaivém, vertical ou horizontal; muitas vezes, ocorpo acompanha o movimento.Na fase da garatuja ordenada, a criança descobre a relaçãodo gesto-traço. Passa a olhar o que faz, começa a controlar otamanho, a forma e a localização do desenho no papel. Descobreque pode variar as cores. Começa a fechar suas figuras em formascirculares ou espiraladas. Perto dos três anos, começa a segurar olápis como o adulto. Copia intencionalmente um círculo, mas nãoum quadrado.Na etapa da garatuja nomeada, a criança faz passagem domovimento sinestésico, motor, ao imaginário, ou seja, representao objeto concreto através de uma imagem gráfica. Distribui me-lhor os traços no papel. Anuncia o que vai fazer, descreve o quefez, relaciona o desenho com o que vê ou viu, sendo que o signifi-cado do seu desenho só é inteligível para ela mesma. Começa adar forma à figura humana.2.1.2. SEGUNDA FASENa segunda fase - a pré-esquemática -, os movimentoscirculares e longitudinais da etapa anterior evoluem para formasreconhecíveis, passando de conjunto indefinido de linhas parauma configuração representativa definida. A criança desenha oque sabe do objeto e não uma representação visual absoluta;seus desenhos apresentam características, não porque possuamuma forma de representação inata, mas sim porque está no come-ço de um processo mental ordenado.2.1.3. TERCEIRA FASENa terceira fase, chamada esquemática, a consciência daanalogia entre a forma desenhada e o objeto representado se afir-ma. Nessa fase, a representação gráfica é muito mais tardia que alúdica verbal, enquanto a brincadeira simbólica e a linguagem jáestão bem formadas. A criança já constrói grandes cenas dramá-ticas brincando, mas só nessa fase começa a organizar seus dese-nhos. A representação das figuras humanas evolui emcomplexibilidade e organização.
De acordo com a abordagem construtivista, o conhecimento nãoestá pré-formado no sujeito, nem está totalmente pronto, acabado,determinado pelo meio exterior, independente da organização doindivíduo. A aquisição de conhecimento processa-se na troca, na
 
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interação da criança com o objeto a conhecer. Em outras palavras,o ato de conhecer parte da ação do sujeito sobre o objeto, só seefetua com a estruturação que ele faz dessa experiência. Isso signi-fica que o conhecimento é adquirido não pelo simples contado dacriança com o objeto cognoscente, mas pela atividade do sujeitosobre esse objeto, a partir do que ele aprende, do que ele retira, doque organiza da experiência (PIAGET, 1976, p.47).
2.2. O DESENVOLVIMENTO DO DESENHOINFANTIL SEGUNDO MIRIAN C. MARTINS,GISA PICOSQUE E MARIA T.T. GUERRAAs autoras estão fundamentadas na teoria das múltiplasinteligências formulada pelo pesquisador norte-americano HowardGardner, psicólogo da universidade de Harward. Na visão deMartins; Picosque; Guerra (1998), o desenvolvimento do dese-nho infantil, divide-se em quatro movimentos. Para as autorasmencionadas, esses movimentos não são estágios, não delimitamterritório de maneira precisa, definida. São movimentos que man-têm sua essência, sendo maleáveis e modificando-se mediante asintervenções externas, ou seja, pelo meio sócio-cultural, pela fa-mília e pelo educador.Há necessidade de que haja uma compreensão dessesquatro movimentos e de tudo que os envolvem porque cada umtem sua beleza e significação. Estudá-los é estar se fundamentan-do para poder fazer uma boa leitura da expressão artística da cri-ança.2.2.1. O PRIMEIRO MOVIMENTOAção = Pesquisa = ExercícioA criança olha, cheira, toca, se move, experimenta, sente,pensa. Desenha, canta, sorri, chora; faz tudo usando todo o cor-po. O corpo é a ação, é o movimento. Seu movimento se dá naação, na percepção, envolvido sempre pelo sentimento. A criançasente, reconhece e cria, mas ainda não é um criador intencional;essa criação focaliza a própria ação, o exercício, a repetição. Ela searrisca porque não tem medo, está aberta a todas as experiências,vive intensamente. Com a influência dos objetos e das pessoas,ela fará sua leitura e constituirá sua compreensão de mundo.
O rabiscar se estende além do lápis, do giz e do pincel. Na areia elarabisca estradas com os carrinhos de brinquedo. O rabisco não temnenhuma finalidade estética, enquanto produto: a criança não rabis-ca com intenção de fazer bonito ou expressivo, mas pelo simplesprazer de rabiscar. O rabisco é, de fato, o registro de um movimento,que serve de ‘feedback’ para a criança aprender a controlar seusmovimentos. Portanto, os rabiscos da criança não são artes abstra-tas ( ZILBERMENN, 1990, p.156).
Seu pensamento em ação, sua pesquisa, é exercitada atra-vés do exercício gestual que se manifesta em garatujas que, nessemomento, não têm significado simbólico. Esses rabiscos, de iní-cio, são incontrolados e, geralmente, longitudinais. Dos rabiscosnascem formas circulares, triangulares, quadrangulares, irregula-res. Esses diagramas vão combinando, se agregando, compondo-se. As formas vão se tornando cada vez mais complexas.Gardner (apud MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 1998), oautor da teoria das inteligências múltiplas, vê, no primeiro movi-mento, uma forma de conhecimento intuitivo, construída a partirda interação com o objeto físico e com outras pessoas, adquiridoatravés do sistema de percepções sensoriais e interações motoras,estimuladas pelo mundo externo, mesmo em crianças com dificul-dades ou limitações físicas.2.2.2. SEGUNDO MOVIMENTOAção = Pesquisa = Exercício = Interação = Símbolo =Esse segundo movimento vai se estruturando enquantose descola de aspectos do primeiro. As mudanças vão ocorrendo,na descoberta cada vez mais confirmada de que tudo que está nomundo tem nome, tem significado, tem um porquê.
A criança dá nome aos seus rabiscos, ao perceber que eles se pere-cem com alguma coisa. Esta é uma etapa intermediária, para umafase posterior, a criança começa a representar. A representação“representa” algo para a criança, mas não tem intenções naturalis-tas. Isso dá muitas vezes, aos adultos a impressão que não ficouparecido. Muitas vezes aparecem no papel coisas que, aparente-mente, não tem nada a ver entre si, ou as partes das mesmas coisaspodem aparecer separadas, soltas no espaço. Organizar as coisas noespaço é um processo demorado, que depende do próprio desenvol-vimento da criança e não pode ser imposto de fora para dentro(ZILBERMANN, 1990, p.157).
O ser humano tem por natureza buscar significações daprópria vida, e isso nasce dessas primeiras descobertas. Não ape-nas registramos os estímulos externos, mas pensamos para agirsobre eles.O segundo movimento expressivo é denominado simbóli-co. A função simbólica é o centro do processo de aprendizagem,representa os objetos, as ações sobre eles; também representaseus conceitos.São representações sobre representações. Fingir beber emuma xícara vazia, por exemplo, representa um significado e temuma função lúdica e comunicativa, implicando uma conversa in-terna, tornada possível pela interiorização da ação expressada,pelas representações verbais, visuais, gestuais, sonoras.No desenho, essa passagem se dá lentamente. Dos rabis-cos e das pesquisas de formas nascem as primeiras tentativas deletras – diferenciando escrita de desenho – e as primeiras figurashumanas. A representação centra-se no manejar e construir sím-bolos em si. Não há preocupação com a organização das cenas nopapel; seus desenhos parecem soltos no espaço.Os símbolos construídos pelas crianças através do ver,pensar e sentir o mundo, são pautados nas suas referências pes-soais e culturais, nos registros de suas preferências e prioridades,nas características estruturais globais que enfatizam ou excluem.2.2.3. O TERCEIRO MOVIMENTOAção = Pesquisa = Exercício = Interação = Símbolo = Or-ganização = Regra =Chamada a idade de ouro do desenho, a fase em que acriança vive e elabora soluções criativas para expressar o espaço,a sobreposição, o que tem por baixo ou por trás das coisas, crian-

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