O que a lei nº 5 692/71 chamou de núcleo comum a atual lei denomina base nacionalcomum. Na verdade, o sentido das duas expressões é praticamente o mesmo. Trata-se de umconjunto de matérias consideradas obrigatórias para todos os estabelecimentos de ensinofundamental e para todos os alunos dos mesmos. São aqueles estudos que o legisladorconsidera necessários para dar ao educando uma formação geral sólida e abrangente,indispensável à compreensão da sociedade em que vive, à participação efetiva na vida social eao prosseguimento dos estudos nos níveis ulteriores.E quais são esses conteúdos que constituem a base nacional comum?No parágrafo 1º do artigo 26, a lei estabelece que "os currículos (...) devem abranger,obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa, o conhecimento do mundo físico e natural eda realidade social e política, especialmente do Brasil".Tal dispositivo, na prática, sugere como base nacional comum as cinco matériastradicionalmente consideradas como necessárias e obrigatórias para a formação geral docidadão, que são as mesmas do anterior núcleo comum, embora sem a sua organização emáreas de conhecimento:l-Língua Portuguesa, incluindo a literatura nacional;II - MatemáticaIII - Ciências, destinadas ao estudo do mundo físico e natural;IV - História, especialmente do Brasil;V - Geografia, também especialmente do Brasil.Cumpre ressaltar que as duas últimas se destinam, conforme a lei, ao conhecimento darealidade social e política. Portanto, tanto a História quanto a Geografia devem priorizar osaspectos sociais e políticos da sociedade, especialmente da sociedade brasileira. Trata-se demudar uma abordagem dessas matérias bastante arraigada em nosso sistema educacional, qualseja a de privilegiar a História e a Geografia universais, dos outros países, principalmente dosEstados Unidos e da Europa, isto é, dos países ricos, em detrimento do que nos interessa maisde perto, a História e a Geografia do nosso país.A lei dedica um parágrafo especial (art. 26, § 4~) ao ensino da História do Brasil, quedeverá "levar em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação dopovo brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana e européia". Trata-se de umdispositivo importante, principalmente se levarmos em conta que, freqúentemente, a nossahistória tem sido estudada como a história do conquistador europeu, supostamente um povosuperior, que aqui veio para trazer a "civilização". Na verdade, todos sabemos, e é preciso que aescola, de uma vez por todas, também incorpore essa realidade, o povo brasileiro resulta dacombinação de três matrizes principais: a indígena' a européia e a africana, que precisam terigual tratamento por parte da escola. Além disso, também não se deve esquecer a matrizasiática, já que o Brasil, de modo especial mais recentemente, recebeu grande contingente deimigrantes desse continente.Será o currículo escolar uma estrada coerente que leva ao desenvolvimento global dapersonalidade do educando ou um emaranhado de caminhos estranhos, em que geralmente acriança se perde?Entretanto, a base nacional comum vai além das cinco matérias citadas, incluindo maisquatro:VI - O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis daeducação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. Claro que todasas matérias, em maior ou menor grau, promovem o desenvolvimento cultural dos alunos (art.26, § 2º). O legislador indica quais as que considera fundamentais e obrigatórias e, entre estas,está a arte. Mas não existe "a arte"; o que há são "artes", como a pintura, a música, aescultura, o teatro, o cinema, etc. E o ensino da "arte" não se dá em abstrato, e sim por meiode uma determinada arte, e esta está na dependência direta das aptidões dos alunos. Não há,portanto, por que obrigar todos os alunos a estudar música ou cinema; e, em música, não temcabimento obrigar todos a estudar flauta, por exemplo. A lei dispõe que devem ser formadas