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fascículo 07 ENEM 2011

fascículo 07 ENEM 2011

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   U  n   i  v  e  r  s   i   d  a   d  e   A   b  e  r   t  a   d  o   N  o  r   d  e  s   t  e  e   E  n  s   i  n  o  a   D   i  s   t   â  n  c   i  a  s   ã  o  m  a  r  c  a  s  r  e  g   i  s   t  r  a   d  a  s   d  a   F  u  n   d  a  ç   ã  o   D  e  m   ó  c  r   i   t  o   R  o  c   h  a .    É  p  r  o   i   b   i   d  a  a   d  u  p   l   i  c  a  ç   ã  o  o  u  r  e  p  r  o   d  u  ç   ã  o   d  e  s   t  e   f  a  s  c   í  c  u   l  o .   C   ó  p   i  a  n   ã  o  a  u   t  o  r   i  z  a   d  a   é   C  r   i  m  e .
Linguagens, Códigose suas Tecnologias
Interpretação, Literatura, Redação,Inglês e Espanhol
Paulo Sérgio Lobão, Pedro Fernandes,Rivaldo Coelho e Sousa Nunes
0 7
 
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Caro Es tudan te
Nes te  fascículo de Linguagens, Códigos e suas  Tecnologias, daremos con tinuidade ao  trabalho iniciado no  fascículo 3, abordando a in terpre tação de  te x tos li terários e não li terários e linguagem corporal por meio das danças. Na produção  te x tual,  tra taremos do plane jamen to para a elaboração da in trodução de sua redação. Na linguagem es trangeira moder-na (LEM ), prosseguimos com a abordagem da In terpre tação  Te x tual,  trabalhando as habilidades H5, H6, H7 e H8.Bom  trabalho!
Objeto do Conhecimento
Textos literário e não literário
Nesta seção, temos como objetivo geral o estudo de as-pectos relevantes da análise literária. Primeiramente, fare-mos uma abordagem sucinta acerca das características dalinguagem em função estética, componente fundamen-tal do texto literário, e em função utilitária, a que tem afinalidade de transmitir o conhecimento para permitir acomunicação social. Depois, partindo de uma análise deum poema de Manuel Bandeira, apresentamos-lhe ummodelo de leitura e interpretação essencial para ajudá-lo adesvendar as questões do Enem.A linguagem em função utilitária aspira a ser denota-tiva (sentido real, dicionário), enquanto a linguagem emfunção estética procura a conotação (sentido figurado ouvirtual). Por isso, vale-se largamente de mecanismos comoa metáfora e a metonímia. Gregório de Matos, por exem-plo, depois de ter definido num soneto a vaidade comorosa, planta e nau, mostra, valendo-se de metáforas e demetonímias, que a vaidade é inútil porque a vida é pas-sageira: “Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa / De que im-porta, se aguarda sem defesa / Penha a nau, ferro a planta,tarde a rosa.” O rochedo (penha) acaba com a nau; o ins-trumento cortante (ferro) com a planta; a tarde, com a rosa,que é efêmera como o dia.No uso estético da linguagem, procura-se desautoma-tizá-la, ou seja, criar novas relações entre as palavras, es-tabelecer associações inesperadas e estranhas. Isso tornasingular a combinatória das palavras. Enquanto a lingua-gem em sentido utilitário pretende ter um sentido único, alinguagem em função estética é plurissignificativa.A produção de um texto literário implica:a valorização da forma, visando à exploração de recursosexpressivos da linguagem (figuras de linguagem ouestilo);a reflexão sobre o real;a reconstrução da linguagem;a plurissignificação, cuja base é a conotação ou sentidofigurado da palavra;a intangibilidade da organização linguística.
Exemplos de textos não literários:
notícias e reporta-gens jornalísticas, textos de livros didáticos de História,Geografia, Ciências, textos científicos em geral, receitasculinárias, bulas de remédio.
Exemplos de textos literários:
poemas, romances literá-rios, contos, novelas.
A interpretação de um texto literário
Examinemos agora um breve poema de Manuel Bandeira.
Irene no u
 Irene pretaIrene boaIrene sempre de bom humor.Imagino Irene entrando, no Céu: — Licença, meu branco!E São Pedro bonachão: — Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.O texto centraliza-se na exaltação da humildade e dasimplicidade, à luz do Cristianismo. Remete também auma realidade social brasileira, não apenas na vinculaçãoa tal dimensão de religiosidade, mas ainda a uma atitudepaternalista em relação ao negro, revelada na caracteriza-ção de Irene, no comportamento a ela atribuído diante deSão Pedro bonachão e na reação do santo porteiro do Céuà sua atitude.O poema mobiliza elementos de nossa emoção rela-cionados com a formação cristã e com certos comporta-mentos sociais que, como brasileiros, nos são peculiares.Observe-se que a humildade e a simplicidade depreendi-das dos versos não se configuram apenas na parte de sentidode cada palavra que corresponde à representação do mundo,mas, sobretudo, na parcela de significação que nelas corres-ponde à capacidade de manifestar estados de alma e exerceruma atuação sobre o próximo. O sentido do texto emer-ge do ambiente linguístico em que os termos se inserem.Estes não reenviam necessariamente a uma realidade passí-vel de ser comprovada de forma imediata. A “verdade” queneles se consubstancia funda-se na coerência.
 
99
Universidade Aberta do Nordeste
O poema, ainda que capte algo da realidade, é o queé porque foi feito como foi feito. Irene, essa Irene, passaa “viver” a partir de sua presença nesse texto, por forçada linguagem de que este último se faz, em que algunsprocedimentos se destacam em relação ao uso da línguaportuguesa. O autor valeu-se de termos do falar cotidiano;reproduziu formas da fala coloquial despreocupada: aoatribuir ao santo o emprego da forma “entra”, em lugar de“entre”, exigida pelo tratamento você, afastou-se da normaculta da língua, em nome do efeito expressivo. Por nor-ma, nesse sentido, entenda-se, como registra o
Dicionário de linguística gramática 
de Joaquim Mattoso Câmara Jr.,“o conjunto de hábitos linguísticos vigentes no lugar ouna classe social mais prestigiosa do país”. De forma maisampla, a norma pode ser caracterizada como um sistemade realizações obrigatórias consagradas do ponto de vistasocial e culturalmente: não corresponde ao que se podedizer, mas ao que já se disse e tradicionalmente se diz nacomunidade considerada. Em se tratando de Bandeira, oaparente “erro” ajuda a traduzir a naturalidade e a afeti-vidade que marcam as palavras de São Pedro. O adjetivo“bonachão” e a simplicidade da expressão “— Licença,meu branco!” – popular, típica, coloquial – como queautorizam a forma “entra”. Por outro lado, para dar maiorautenticidade ao que revela, o poeta recorreu ao diálogo;dividiu a composição em duas estrofes: a primeira centra-da na caracterização da figuração de Irene; a segunda, feitade elipses e entoação, vinculada à caracterização de SãoPedro e à ação de ambos, exigindo maior participação doleitor para melhor captar o que no poema se comunica.Os versos se fazem de emoção subjetiva, trazem elemen-tos narrativos e até traços típicos da linguagem dramática.Na sua feitura, nota-se, além disso, o aproveitamento dofalar simples da gente simples do Brasil, que ganha condi-ção de linguagem literária.No texto de Bandeira, literário que é, inter-relacionam-se, interdependem-se elementos fônicos, ópticos, sintáti-cos, morfológicos, semânticos, formando um conjunto derelações internas, por meio das quais se revela uma rea-lidade que não preexiste ao poema, a não ser como po-tencialidade. Caracteriza-se uma perspectiva existencialrelacionada com o complexo cultural de que essa mani-festação literária é representativa, a partir das vivências deum escritor brasileiro. Configura-se um posicionamentoideológico na visão de mundo do autor.
Questão Comentada
|C5-H17|
No livro
Socráticas 
, de José Paulo Paes, encontra-se este belíssimopoema que esclarece como o autor trata do âmbito da vida emsua exteno maior.
1926-1998
SKEPSIS
 “Dois e dois são três” disse o louco.“Não são não” berrou o tolo.“Talvez sejam” resmungou o sábio.Sobre as três vozes que dialogam no poema é correto afirmar que:a) a primeira vai ao encontro da lógica do pensamento mate-mático, que se confunde com o pensamento logicizado dasconvenções sociais.b) a segunda, voltando-se contra a primeira, traduz o protestoimediato e alienante daquele que parece resguardar a nor-malidade das coisas, sabedor pragmático de que o resultadoda operação será sempre quatro, indiscutivelmente.c) a terceira descarta a possibilidade de o “erro” metamorfosear-se em acerto.d) a fala do tolo traduz uma visão de mundo favorável aos mo-vimentos ambíguos do existir.e) a fala do sábio se solidariza com a do tolo, sugerindo adver-bialmente ser a dúvida a mais lúcida das afirmações.
Solução comentada:
O título do poema de José Paulo Paes,“Skepsis”, dentre outras acepções na língua grega, tem por sig-nificado “ver criticamente”. A afirmação veiculada pelo loucovai de encontro à lógica do pensamento matemático, e não aoencontro dela, pois burla os nossos mais remotos e básicos co-nhecimentos algébricos, transgredindo o teor das convençõessociais. Se observarmos os verbos de elocução que aparecemnas três falas, concluiremos que o louco apenas diz, como umgesto humilde de alguém reconhecedor de que o mundo nãogira em torno de suas assertivas, o que pode assemelhar-se à ati-tude de um poeta diante da vida, que questiona o mundo regi-do pelas calculadoras e computadores para entregar-se à poesiae perscrutar o novo. Está falsa, portanto, a opção
a
. A segundafala, de fato, traduz um protesto contra o “absurdo” da afirmaçãodo louco. O tolo, representante do pensamento comum, restri-tivo e alienante, incapaz de dizer as coisas de uma forma nova,como o louco-poeta, protesta contra a quebra das regras da ló-gica. A sua frase não é dita com humildade, mas simplesmenteberrada, com a arrogância de quem reclama para si a autorida-de incontestável no assunto. A opção
b
está, portanto, correta.A terceira fala, a do sábio, não descarta a possibilidade de o “erro”metamorfosear-se em acerto, pelo contrário, ele considera essapossibilidade, solidarizando-se com o pensamento do louco eresmungando contra o pensamento estático e soberbo do tolo.A sua dúvida, expressa pelo “talvez”, ataca o pensamento mani-queísta que sustenta “verdades absolutas”. Esfalsa, portanto, aopção
c
. A fala do tolo, pelo que se expôs, não favorece os mo-

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