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Vol. 3 n. 9 - jul.-dez./2006ISSN 1807-2836Revista de divulgaçãotécnico-científica do ICPG
A própria metodologia de construção do projeto – centradaem algumas pessoas que detêm o poder de comando da escolaou coletivo de forma que todos se sintam partícipes e responsáveispelas decisões tomadas – é indício de posição político-ideológica.De acordo com a forma como procuramos conceituar a importânciae relevância de um Projeto Político-Pedagógico, não caberia umaconstrução autoritária e hierárquica. Isso porque compreendemosa escola não como lugar somente de transmissão deconhecimento, e sim como lugar privilegiado para realizar umtrabalho pedagógico muito mais amplo visando à formação integraldos cidadãos e buscando o exercício da cidadania por meio daparticipação e reflexão da realidade da comunidade escolar.A importância de a escola construir este documento éreconhecida pela legislação. Assim, o Projeto Político-Pedagógico,em âmbito federal, é citado pela Lei de Diretrizes e Bases, Lei9396/98 (BRASIL,1998), e, no município de Blumenau, SC, éexigência do Conselho Municipal de Educação, Resolução nº004/00, para todas as escolas públicas e privadas ligadas aosistema municipal de ensino que atuam na educação básica(BLUMENAU, 2001).Segundo Sousa e Corrêa (apud DAVIS, 2002, p.49), é precisopensar “o projeto pedagógico como um direito e um dever daescola e como um dos desafios para o avanço na organização dotrabalho pedagógico”.Para o Projeto Político-Pedagógico realmente ser um direito eum dever, todos os envolvidos nesse processo precisam estarcientes de que fazem parte dele, acreditando na sua importância,para não ser somente um documento, e sim ser utilizado comonorteador para um trabalho pedagógico desenvolvidocoerentemente entre teoria e prática.De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96, ainstituição escolar tem autonomia para que o Projeto Político-Pedagógico aconteça. Isto é assegurado no art. 15, Título IV:“Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolarespúblicas de educação básica que os integram progressivos grausde autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira,observadas as normas gerais de direito financeiro público.”(BRASIL, 1996)Em relação à autonomia, é preciso perceber que existem trêseixos que estão interligados – administrativo, financeiro epedagógico – e que delineiam a identidade da escola. Autoresque discutem a questão da autonomia reconhecem a limitação daescola em relação a esses eixos, sendo, portanto, uma autonomiarelativa. Segundo Veiga (2004, p. 14),
A principal possibilidade de construção do projeto político-pedagógico passa pela relativa autonomia da escola, desua capacidade de delinear sua própria identidade. Istosignifica resgatar a escola como espaço público, lugar dedebate, do diálogo, fundado na reflexão coletiva.
Quanto mais ampla for a participação de diferentes agentesno processo de construção do projeto, mais ampla pode se tornaressa autonomia. Segundo Vasconcelos (2004a, p.47), “nãocompete à equipe diretiva assumir o papel de guardiã do projeto,e em especial do cumprimento da programação. Isto é tarefa detodos”.Sendo resultado da reflexão coletiva, implica compromissocoletivo que orienta a prática pedagógica da instituição, criaestratégias e condições para um planejamento geral, aponta osideais dos envolvidos com a questão educacional e a adequaçãoà realidade social. Não é um processo simples, pois exige de seusagentes o compromisso de ressignificar a própria prática. SegundoGadotti (1994 apud VEIGA, 2004, p. 12),
Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessascom o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estadoconfortável para arriscar-se, atravessar um período deinstabilidade e buscar uma nova estabilidade em função dapromessa que cada projeto contém de estado melhor que opresente. Um projeto educativo pode ser tomado comopromessa frente a determinadas rupturas. As promessastornam visíveis os campos de ação possível,comprometendo seus atores e autores.
A exigência legal tem mobilizado escolas, tanto na construçãocomo na atualização do Projeto Político-Pedagógico. Por meiodesse movimento de reflexão sobre a própria realidade e retomadaperiódica do documento, tem-se procurado assegurar seu caráterde intervenção e mudança, não apenas como cumprimento deexigência legal, mas, justamente, como reconhecimento de que arealidade muda e de que a mudança traz novas exigências, novasposturas, diferentes práticas e relações. No município deBlumenau, especificamente, esse movimento pode ser observadopor meio das orientações do Conselho Municipal de Educaçãoem relação à construção e reformulação periódica do documento.A instituição que se propõe seguir com seriedade ecompromisso a construção coletiva do Projeto Político-Pedagógico demonstra estar disposta a discutir, a se expor e areorganizar-se de acordo com a necessidade e possibilidade deseus educandos, familiares e comunidade. Nessa escolha, ficaexplícito ser indispensável a participação desses agentes:funcionários da escola (administrativo, financeiro, pedagógico),alunos, familiares e comunidade. A articulação e a viabilização doprocesso participativo desses sujeitos passam peloreconhecimento da identidade, função e influência de cada umdos agentes na realidade da escola. Esta questão, pela suaimportância, é a discussão da próxima parte deste artigo.
3 PARTICIPAÇÃO COLETIVA:QUEM, POR QUE E COMO VIABILIZAR?
3.1 QUEM SÃO OS AGENTES E POR QUE DEVEM PARTICIPAR3.1.1 A liderança do processoComo já vínhamos discutindo, na forma como compreendemoso Projeto Político Pedagógico (PPP), ele não pode ser imposto,mas construído coletivamente, por se tratar de um documentoque expressa a identidade de uma comunidade (escolar) e não deum grupo ou equipe técnica, sendo uma necessidade, e nãoapenas uma obrigação.Essa construção será possível por meio das discussões ereuniões que envolvem toda a comunidade escolar, ou seja, entreequipe administrativa, financeira e pedagógica, alunos, familiarese comunidade, focando sempre a melhoria da prática educativa etransformando idéias e concepções em movimentos de açãoimportantes e fundamentais para o processo de construção.