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Projeto Político Pedagógico

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Revista de divulgaçãotécnico-científica do ICPGVol. 3 n. 9 - jul.-dez./2006ISSN 1807-2836
1 INTRODUÇÃO
Este artigo tem por objetivo refletir sobre a construção doProjeto Político-Pedagógico na escola como um processo coletivo,envolvendo os diversos agentes que fazem parte da realidadeescolar.Justificamos a pertinência do tema por compreendermosque a escola possui uma identidade própria, que se constitui soba influência da sua realidade local e das diretrizes/teorias geraisda educação. Essa identidade nem sempre é explícita ou, mesmo,reconhecida na própria escola, que acaba por reduzir sua funçãoao repasse de conteúdos prontos e acabados, sem relacioná-loscom o público ao qual atende. A construção coletiva do ProjetoPolítico-Pedagógico é, justamente, uma possibilidade dereconhecimento dessa identidade e de reflexão e mudança daprática pedagógica.Desenvolvemos a reflexão aqui apresentada com base emlevantamento bibliográfico, sendo Veiga (2004), Vasconcelos(2004a e 2004 b) e Padilha (2003) alguns dos autores quefundamentaram as discussões, possibilitando a construção destetexto. Sob a ótica desses autores, o Projeto Político-Pedagógicodeve ser um instrumento de diagnóstico e transformação darealidade escolar, construído coletivamente. Além dos teóricosmencionados, a legislação pertinente, tanto no âmbito federalquanto municipal, também subsidiou as reflexões.A introdução inicia a organização do texto. Na seqüência,procuramos discutir sobre o conceito de Projeto Político-Pedagógico, refletindo sobre seu significado e função eapontando os agentes responsáveis pela sua elaboração. Discutiras ações desses agentes necessárias à efetivação do processode construção permanente é a proposta seguinte. Apontamoscomo principais agentes os profissionais da escola, os alunos eos pais. Depois de refletirmos sobre os papéis e formas departicipação desses sujeitos na construção coletiva do projeto,procuramos ressaltar a necessidade de mantê-lo como umdocumento vivo, parte integrante da realidade escolar e, portanto,em constante transformação. Por último, nas considerações finais,retomamos o objetivo inicial do artigo, reafirmando a construção
PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICOUma construção coletiva
Simone Raquel Pagel LonghiKarla Lucia BentoResumo
 Este artigo discute a importância da construção coletiva do Projeto Político-Pedagógico na escola como um documento quereflete a realidade escolar, sendo que a escola tem autonomia para elaborá-lo, relacionando-o diretamente à identidade dainstituição. Tendo em vista que a escola é constituída de diferentes segmentos, o Projeto Político-Pedagógico cumprirá o seu papel se for uma construção coletiva com o objetivo de melhorar a prática educativa. Procuramos ressaltar que a busca da participação da comunidade escolar é fundamental nesse processo, cujo caminho pode estar cheio de dificuldades, mas que pode,também, ser um momento propício para visualizar novas possibilidades e transformação da realidade.
Palavras-chave:
Projeto Político-Pedagógico. Participação. Viabilidade.do projeto político-pedagógico como algo necessário e possível.
2 CONCEITO E FUNÇÃO DE UMPROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO
Pesquisando o conceito de Projeto Político-Pedagógico,encontramos em Vasconcelos (2004a, p.169) a seguinte explicação:
É o plano global da instituição. Pode ser entendido comoa sistematização, nunca definitiva, de um processo dePlanejamento Participativo, que se aperfeiçoa e seconcretiza na caminhada, que define claramente o tipo deação educativa que se quer realizar. É um instrumentoteórico-metodológico para a intervenção e mudança darealidade. É um elemento de organização e integração daatividade prática da instituição neste processo detransformação.
O Projeto Político-Pedagógico é, portanto, um documentoque facilita e organiza as atividades, sendo mediador de decisões,da condução das ações e da análise dos seus resultados eimpactos. Ainda se constitui num retrato da memória históricaconstruída, num registro que permite à escola rever a suaintencionalidade e sua história.Neste sentido, podemos entender que o projeto norteia otrabalho da escola por encaminhar ações para o futuro com basena sua realidade atual e sua história. É um planejamento queprevê ações a curto, médio e longo prazos, intervindo diretamentena prática pedagógica diária. As ações refletidas no projetoprocuram incluir desde os conteúdos, avaliação e funções até asrelações que se estabelecem dentro da escola e entre a escola e acomunidade. A ideologia em relação ao tipo de sujeitos que aescola pretende formar dá o tom político ao projeto. Por meiodessa explicitação ideológica e de objetivos articulados com asações, é possível distinguir entre uma prática que se preocupacom a formação de cidadãos críticos, participativos, responsáveise sujeitos de sua própria história e outra de repasse e repetiçãode conteúdo sem estar atenta ao desenvolvimento humano.
 
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Vol. 3 n. 9 - jul.-dez./2006ISSN 1807-2836Revista de divulgaçãotécnico-científica do ICPG
A própria metodologia de construção do projeto – centradaem algumas pessoas que detêm o poder de comando da escolaou coletivo de forma que todos se sintam partícipes e responsáveispelas decisões tomadas – é indício de posição político-ideológica.De acordo com a forma como procuramos conceituar a importânciae relevância de um Projeto Político-Pedagógico, não caberia umaconstrução autoritária e hierárquica. Isso porque compreendemosa escola não como lugar somente de transmissão deconhecimento, e sim como lugar privilegiado para realizar umtrabalho pedagógico muito mais amplo visando à formação integraldos cidadãos e buscando o exercício da cidadania por meio daparticipação e reflexão da realidade da comunidade escolar.A importância de a escola construir este documento éreconhecida pela legislação. Assim, o Projeto Político-Pedagógico,em âmbito federal, é citado pela Lei de Diretrizes e Bases, Lei9396/98 (BRASIL,1998), e, no município de Blumenau, SC, éexigência do Conselho Municipal de Educação, Resolução nº004/00, para todas as escolas públicas e privadas ligadas aosistema municipal de ensino que atuam na educação básica(BLUMENAU, 2001).Segundo Sousa e Corrêa (apud DAVIS, 2002, p.49), é precisopensar “o projeto pedagógico como um direito e um dever daescola e como um dos desafios para o avanço na organização dotrabalho pedagógico”.Para o Projeto Político-Pedagógico realmente ser um direito eum dever, todos os envolvidos nesse processo precisam estarcientes de que fazem parte dele, acreditando na sua importância,para não ser somente um documento, e sim ser utilizado comonorteador para um trabalho pedagógico desenvolvidocoerentemente entre teoria e prática.De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96, ainstituição escolar tem autonomia para que o Projeto Político-Pedagógico aconteça. Isto é assegurado no art. 15, Título IV:“Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolarespúblicas de educação básica que os integram progressivos grausde autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira,observadas as normas gerais de direito financeiro público.”(BRASIL, 1996)Em relação à autonomia, é preciso perceber que existem trêseixos que estão interligados – administrativo, financeiro epedagógico – e que delineiam a identidade da escola. Autoresque discutem a questão da autonomia reconhecem a limitação daescola em relação a esses eixos, sendo, portanto, uma autonomiarelativa. Segundo Veiga (2004, p. 14),
A principal possibilidade de construção do projeto político-pedagógico passa pela relativa autonomia da escola, desua capacidade de delinear sua própria identidade. Istosignifica resgatar a escola como espaço público, lugar dedebate, do diálogo, fundado na reflexão coletiva.
Quanto mais ampla for a participação de diferentes agentesno processo de construção do projeto, mais ampla pode se tornaressa autonomia. Segundo Vasconcelos (2004a, p.47), “nãocompete à equipe diretiva assumir o papel de guardiã do projeto,e em especial do cumprimento da programação. Isto é tarefa detodos”.Sendo resultado da reflexão coletiva, implica compromissocoletivo que orienta a prática pedagógica da instituição, criaestratégias e condições para um planejamento geral, aponta osideais dos envolvidos com a questão educacional e a adequaçãoà realidade social. Não é um processo simples, pois exige de seusagentes o compromisso de ressignificar a própria prática. SegundoGadotti (1994 apud VEIGA, 2004, p. 12),
Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessascom o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estadoconfortável para arriscar-se, atravessar um período deinstabilidade e buscar uma nova estabilidade em função dapromessa que cada projeto contém de estado melhor que opresente. Um projeto educativo pode ser tomado comopromessa frente a determinadas rupturas. As promessastornam visíveis os campos de ação possível,comprometendo seus atores e autores.
A exigência legal tem mobilizado escolas, tanto na construçãocomo na atualização do Projeto Político-Pedagógico. Por meiodesse movimento de reflexão sobre a própria realidade e retomadaperiódica do documento, tem-se procurado assegurar seu caráterde intervenção e mudança, não apenas como cumprimento deexigência legal, mas, justamente, como reconhecimento de que arealidade muda e de que a mudança traz novas exigências, novasposturas, diferentes práticas e relações. No município deBlumenau, especificamente, esse movimento pode ser observadopor meio das orientações do Conselho Municipal de Educaçãoem relação à construção e reformulação periódica do documento.A instituição que se propõe seguir com seriedade ecompromisso a construção coletiva do Projeto Político-Pedagógico demonstra estar disposta a discutir, a se expor e areorganizar-se de acordo com a necessidade e possibilidade deseus educandos, familiares e comunidade. Nessa escolha, ficaexplícito ser indispensável a participação desses agentes:funcionários da escola (administrativo, financeiro, pedagógico),alunos, familiares e comunidade. A articulação e a viabilização doprocesso participativo desses sujeitos passam peloreconhecimento da identidade, função e influência de cada umdos agentes na realidade da escola. Esta questão, pela suaimportância, é a discussão da próxima parte deste artigo.
3 PARTICIPAÇÃO COLETIVA:QUEM, POR QUE E COMO VIABILIZAR?
3.1 QUEM SÃO OS AGENTES E POR QUE DEVEM PARTICIPAR3.1.1 A liderança do processoComo já vínhamos discutindo, na forma como compreendemoso Projeto Político Pedagógico (PPP), ele não pode ser imposto,mas construído coletivamente, por se tratar de um documentoque expressa a identidade de uma comunidade (escolar) e não deum grupo ou equipe técnica, sendo uma necessidade, e nãoapenas uma obrigação.Essa construção será possível por meio das discussões ereuniões que envolvem toda a comunidade escolar, ou seja, entreequipe administrativa, financeira e pedagógica, alunos, familiarese comunidade, focando sempre a melhoria da prática educativa etransformando idéias e concepções em movimentos de açãoimportantes e fundamentais para o processo de construção.
 
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Todo processo requer um articulador que, no caso daconstrução do Projeto Político-Pedagógico, pode ser o(a)diretor(a) da escola, o(a) supervisor(a), o(a) coordenador(a) ououtra liderança expressiva na realidade escolar. Conforme otamanho da escola – espaço físico e número de funcionários/ alunos – poderá existir uma equipe articuladora. A essa equipecaberá conhecer e refletir sobre as metodologias possíveis deconstrução coletiva do Projeto Político-Pedagógico e planejar asformas de participação e sensibilização dos demais sujeitosdurante o processo de construção. Por reconhecermos queexistem diferentes realidades escolares, optamos por denominar,neste artigo, de articulador ou equipe articuladora a quem assumea liderança desse processo.A idéia da equipe se pauta, também, na motivação do próprioarticular que, se estiver sozinho, poderá se abater por dificuldadespossíveis e prováveis que encontrará na caminhada. Sendo partede uma equipe, sempre há a possibilidade de ajuda mútua, detroca, do estabelecimento de uma rede de apoio da qual devemfazer parte, também, os teóricos que escrevem a respeito do tema.Essa rede de apoio pode, inclusive, estabelecer ligações comoutras escolas que já tenham caminhado mais adiante em relaçãoa esse processo, promovendo, assim, troca de experiências entrediferentes realidades.O papel da equipe de apoio é fundamental na viabilização doprocesso, pois é dela a função de planejar ações para sensibilizaros envolvidos, buscando conscientizar (e estar consciente econvencida) da importância desse documento para promovermelhor qualidade nas práticas da escola e, conseqüentemente,da educação.3.1.2 Administrativo, financeiro e pedagógico: o envolvimentodos funcionários da escolaA existência de uma escola requer o trabalho de muitas pessoasque interferem diretamente no seu cotidiano. Neste sentido, épreciso envolver todos os seus funcionários – da secretaria,limpeza, cozinha, biblioteca, entre outros – na elaboração doProjeto Político-Pedagógico para que este possa retratar arealidade global da comunidade escolar.Os funcionários devem ser sensibilizados a participar daelaboração do Projeto Político-Pedagógico, o que poderáacontecer de diversas formas: acreditando que este processopode melhorar a educação; buscando as questões que influenciamo trabalho desenvolvido na escola; relatando, por meio dequestionários e entrevistas, sua prática e o que acreditam sernecessário mudar para ter um ensino de qualidade; e procurandotrazer soluções para as questões-problema da escola. Aparticipação dos mais diferentes segmentos faz com que, na suaindividualidade, o funcionário da escola perceba a importânciada sua função na organização e funcionamento da escola. Estaconscientização terá reflexos na coletividade já que cada umpoderá passar a exercer seu papel compreendendo a influênciaque exerce sobre a função do outro.Cabe ressaltar a importância de os professores aderirem àelaboração do Projeto Político-Pedagógico e com ele secomprometerem, trazendo para as discussões sua visão deeducação e ações possíveis de serem executadas e que possammelhorar a qualidade da educação na escola. Neste sentido,professores são agentes essenciais para elaborarem a redaçãotécnica e buscarem o referencial teórico para fundamentar osideais e opiniões expostos nas reuniões. Esta redação poderá tero apoio de outros agentes envolvidos na construção, sendo quealguns cuidados para evitar o desânimo e a descrença são muitoimportantes. Segundo Vasconcelos (2004b, p.44),
Para resgatar a credibilidade dos educadores nos processosde planejamento, é decisivo que possam vivenciar:• Algo que não demore muito na elaboração; é muitodesgastante quando a escola fica anos elaborando seuprojeto.• Algo que efetivamente aconteça, que na RealizaçãoInterativa revele a pertinência e a viabilidade deconcretização.
Partindo do pressuposto de que professores e demaisfuncionários da escola tenham um comprometimento profissionale ético em relação à qualidade da educação, a sensibilização, oconvencimento destes precede o envolvimento dos alunos efamiliares. Tanto os alunos quanto seus familiares precisarãoencontrar motivação na equipe de funcionários da escola paraacreditarem na importância desta construção. Além dessamotivação, os próprios professores deverão estar convencidosda necessidade dessa participação já que “a escola não pode serpropriedade dos professores, ela deve incluir toda comunidadeeducativa no planejamento de suas metas de melhoria”.(HERNÁNDEZ, 2003, p.25).3.1.3 Envolvimento dos alunos, das famílias e da comunidadeQuando o Projeto Político-Pedagógico é elaborado, énecessário conhecer a realidade em que vivem os alunos da escola,a sua história de vida e os seus sonhos para o futuro e refletirsobre eles. Neste sentido, a equipe articuladora precisa buscaralternativas que possam abranger todos os alunos nestaelaboração, observar, dialogar e entender a importância da escolapara a vida deles. É relevante lembrarmos que a escola existe emfunção do aluno e que é ele quem vive mais diretamente oprocesso pedagógico, a realidade escolar. Conteúdos, avaliação,relações sociais e valores vão constituindo, diariamente, a históriade vida de cada criança e, possivelmente, cada criança terá algoa dizer sobre esses assuntos que vivencia.Durante a elaboração, os alunos devem ser ouvidos para quepossa ser entendida a visão que os mesmos têm da escola ondeestudam. As formas como as crianças expressam o que pensamsão muito diversas das formas que os adultos utilizam. Adultosfalam e escrevem, basicamente. Crianças exteriorizam por meiodas notas, do empenho, da alegria (ou não) de estarem na sala, dapreferência pelo recreio e não pela sala de aula, do número defaltas, da evasão, da reprovação, da violência e da depredaçãocontra pessoas e estrutura física da escola.Promover a participação dos alunos significa atestar para elessua importância, bem como mostrar que a escola se preocupacom eles e deseja assumir a responsabilidade de buscar caminhosque possibilitem transformar a realidade em que vivem.A participação da família nas discussões possibilita à escolacompreender e reconhecer mais profundamente a realidade deseus alunos. A escola é uma parceira na educação das crianças, é

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