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Ecos Fonético-Fonológicos No Falar Cuiabano

Ecos Fonético-Fonológicos No Falar Cuiabano

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Indicação bibliográfica:SANTIAGO-ALMEIDA, M. M. Ecos fonético-fonológicos no falar cuiabano. IN: Santiago-Almeida & Cox (Orgs.). Vozes cuiabanas: estudos lingüísticos em Mato Grosso. Cuiabá: Cathedral Publicações, 2005. Pág. 69-93
Indicação bibliográfica:SANTIAGO-ALMEIDA, M. M. Ecos fonético-fonológicos no falar cuiabano. IN: Santiago-Almeida & Cox (Orgs.). Vozes cuiabanas: estudos lingüísticos em Mato Grosso. Cuiabá: Cathedral Publicações, 2005. Pág. 69-93

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Vozes Cuiabanas: estudos ling\u00fc\u00edsticos em Mato Grosso

Este texto quer mostrar os resultados do cruzamento do sistema fon\u00e9- tico-fonol\u00f3gico do portugu\u00eas falado na Baixada Cuiabana, atrav\u00e9s da an\u00e1- lise do corpus da l\u00edngua falada, e da descri\u00e7\u00e3o do sistema fon\u00e9tico-fonol\u00f3gi- co do portugu\u00eas setecentista, atrav\u00e9s da an\u00e1lise dos grafemas utilizados em documentos notariais coletados no Arquivo P\u00fablico de Mato Grosso, bem como de dados j\u00e1 estudados por historiadores e gram\u00e1ticos da l\u00edngua portu- guesa de todas as fases da hist\u00f3ria do portugu\u00eas.

A finalidade aqui \u00e9 levantar, na variante portuguesa falada pelos cuia- banos, fen\u00f4menos do sistema sonoro tamb\u00e9m observados em uma ou mais fases hist\u00f3ricas do portugu\u00eas, em especial da l\u00edngua portuguesa dos s\u00e9culos XVII e XVIII, na \u00e9poca das bandeiras, que ainda sobrevivem na oralidade de alguns habitantes nativos da regi\u00e3o estudada.

Para tanto vamos adotar a estrat\u00e9gia utilizada por Penha (1997) em
Portugu\u00eas rural de Minas numa vis\u00e3o tridimensional. No nosso caso, especifi-

camente, vamos mesclar vis\u00e3o tridimensional e vis\u00e3o bidimensional, uma vez que o cotejo est\u00e1 centrado na l\u00edngua falada na Baixada Cuiabana (LFBC), de um lado, e do outro, na l\u00edngua escrita na \u00e9poca das bandeiras, s\u00e9culos XVII e

XVIII(LEEB), e/ou na literatura de hist\u00f3ria da l\u00edngua(LitHL), englobando gra-
ECOS FON\u00c9TICO-FONOL\u00d3GICOS
NO FALAR CUIABANO
Manoel Mourivaldo Santiago Almeida1
1 Professor da Universidade de S\u00e3o Paulo.
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m\u00e1ticas, manuais, livros, teses e ensaios, que de certa forma descrevem dia- cronicamente a l\u00edngua portuguesa como o todo ou uma de suas caracter\u00edsti- cas, em uma fase hist\u00f3rica ou mais.

Vogais orais t\u00f4nicas
[a] > [a\u00f9] alongamento da vogal t\u00f4nica

LFBC: O alongamento da vogal t\u00f4nica que, em verdade, \u00e9 um recurso estil\u00edstico, em que a palavra est\u00e1 afetada de um valor expressivo, dentre muitos exemplos, \u00e9 percebido em [a\u00f9kRi]acre, [ku)p\u008c)\u00f8eRa\u00f9da]companheirada, [i)

b\u008dla\u00f9du] embolado,[tSEga\u00f9du] chegado,[da\u00f9] d\u00e1,[na\u00f9da] nada,[tSu-
vaRa\u00f9da] chuvarada,[mo\u00b4a\u00f9du] molhado,[i)
tRa\u00f9]entrar.

LEEB: Via de regra, nesse est\u00e1gio da escrita (s\u00e9culo XVIII) fica expl\u00edci- to que a principal preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era assinalar graficamente a tonicidade ou o timbre das vogais, como fazemos hoje. Dentre muitos exemplos:agoas,

necessarios, camara. Quando algum acento \u00e9 empregado, o que parece mais

prov\u00e1vel \u00e9 que, pelo menos em alguns casos, a preocupa\u00e7\u00e3o era a de assina- lar a quantidade da vogal. Um exemplo que abona o uso dos diacr\u00edticos com a fun\u00e7\u00e3o de indicar a quantidade das vogais, nos documentos estudados, ocorre em um dos empregos do agudo indicando a exist\u00eancia de crase, fazendo o\u00e1 dois sons, tornando-se longu\u00edssimo: hir \u00e1ditta guerra, \u00e1sua Custa e \u00e1 custa

dasuafadiga. Com essa mesma fun\u00e7\u00e3o, o agudo equivale-se ao circunflexo.

Pelo menos, no caso dos dois primeiros exemplos, o mesmo escriv\u00e3o, na ou- tra via do documento, emprega o circunflexo para marcar a ocorr\u00eancia de crase: ir \u00e2ditta guerra e \u00e2suaCusta.

LitHL: Lembrando o sistema voc\u00e1lico latino, Bacellar (1783, p. 36-37) recorre \u00e0 quantidade voc\u00e1lica para explicar o emprego dos diacr\u00edticos em sua gram\u00e1tica setecentista, para isso apresenta os tr\u00eas acentos que indicam se a vogal \u00e9 breve <`>, longa ou circunflexa <^> e longu\u00edssima ou aguda <\u00b4>.

[a] > [E] eleva\u00e7\u00e3o dea para\u00e9
LFBC: Essa altera\u00e7\u00e3o \u00e9 registrada no verboralar: [rElu]r\u00e9lo no lugar
de ralo.
LEEB: Nos documentos analisados essa eleva\u00e7\u00e3o \u00e9 notada apenas com
oa em posi\u00e7\u00e3o pret\u00f4nica: reza\u00f5, que convive com a forma raza\u00f5, epesquins.
LitHL: Esse mesmo fato tamb\u00e9m \u00e9 registrado por Penha (1997, p. 36)
Ecos fon\u00e9tico-fonol\u00f3gicos no falar cuiabano
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Vozes Cuiabanas: estudos ling\u00fc\u00edsticos em Mato Grosso

como tra\u00e7o de l\u00edngua antiga, tratando das vogais pret\u00f4nicas, na linguagem rural do bairro S\u00e3o Domingos no munic\u00edpio sul-mineiro de El\u00f3i Mendes, e dando como exemplo, dentre outros voc\u00e1bulos, relar,rel\u00e9 erez\u00e3o.

[e] realiza\u00e7\u00e3o dee fechado t\u00f4nico antes de consoante palatal
LFBC: A realiza\u00e7\u00e3o de [e] antes de consoante palatal est\u00e1 registrado no
corpusda l\u00edngua falada na Baixada nestes exemplos: [meS] m\u00eas,[feS] fez.

LitHL: A realiza\u00e7\u00e3o dessa vogal no contexto em quest\u00e3o \u00e9 considera- do exemplo certo de conserva\u00e7\u00e3o de tra\u00e7o antigo no portugu\u00eas do Brasil por Celso Cunha (1986, p. 204). Para tanto d\u00e1 exemplos de voc\u00e1bulos como [feSu]fecho, [seZa]seja, e [ispe\u00b4u]espelho, acrescentando que na regi\u00e3o lisboeta essa vogal evolveu no s\u00e9culo XIX para [\u00e4].

[e] > [E] altera\u00e7\u00e3o dee para\u00e9

LFBC: Registramos essa mudan\u00e7a de timbre, de fechado para aberto, nos voc\u00e1bulos [mEtSu]mexo e [bEbu]bebo. Trata-se de um fen\u00f4meno que contradiz o que \u00e9 de praxe em muitas an\u00e1lises fon\u00e9ticas no que diz respeito ao processo metaf\u00f4nico: nesses dois voc\u00e1bulos temos o [u] final, que, teori- camente, deveria, mas n\u00e3o impediu a realiza\u00e7\u00e3o do timbre aberto dee.

LitHL: As atuais variedades dialetais na regi\u00e3o portuguesa de Entre- Douro-e-Minho, e grande parte das variedades modernas do galego, que ainda revelam muitas formas come aberto, tal qual observamos no falar cuiaba- no, s\u00e3o consideradas por Maia (1986, p. 342) como resultado da conserva- \u00e7\u00e3o de antigas formas nas quais a metafonia n\u00e3o atuou.

[E] > [i] eleva\u00e7\u00e3o de\u00e9 parai
LFBC: A altera\u00e7\u00e3o de timbre da vogal t\u00f4nica em [sigi]sigue no lugar
de segue pode ser explicada pela a\u00e7\u00e3o metaf\u00f4nica exercida por [i] final.

LitHL: Dentre os exemplos de tra\u00e7o de l\u00edngua antiga, registrados por Penha (1997, p. 93-95) na linguagem de S\u00e3o Domingos, em Minas Gerais, encontram-se, al\u00e9m de [sigi]segue, [dispidi]despide no lugar de despe -

dee [xipiti ] repiteem vez de repete.

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