Welcome to Scribd, the world's digital library. Read, publish, and share books and documents. See more
Download
Standard view
Full view
of .
Save to My Library
Look up keyword
Like this
28Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
Tratamento Da Espasticidade

Tratamento Da Espasticidade

Ratings:

4.5

(4)
|Views: 7,738 |Likes:
Published by api-3717663
Apresentamos revisão sobre o tratamento atual da espasticidade, enfocando a terapêutica farmacológica, fisioterápica e através da utilização de toxina botulínica
Apresentamos revisão sobre o tratamento atual da espasticidade, enfocando a terapêutica farmacológica, fisioterápica e através da utilização de toxina botulínica

More info:

Published by: api-3717663 on Oct 15, 2008
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

03/18/2014

pdf

text

original

TRATAMENTO DA ESPASTICIDADE
UMA ATUALIZA\u00c7\u00c3O
H\u00c9LIO A.G. TEIVE*, MARISE ZONTA**, YUMI KUMAGAI***
RESUMO - Apresentamos revis\u00e3o sobre o tratamento atual da espasticidade, enfocando a
terap\u00eautica farmacol\u00f3gica, fisioter\u00e1pica e atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de toxina botul\u00ednica.
PALAVRAS-CHAVE: espasticidade, fisioterapia, toxina botul\u00ednica.
Treatment of spasticity: an update
ABSTRACT - We present an update about the treatment of spasticity, stressing the
pharmacological treatment, physical therapy and botulinum toxin therapy.
KEY WORDS: spasticity, physical therapy, botulinum toxin.

A espasticidade pode ser definida como o aumento, velocidade dependente, do t\u00f4nus
muscular, com exacerba\u00e7\u00e3o dos reflexos profundos, decorrente de hiperexcitabilidade do
reflexo do estiramento. A espasticidade associa-se, dentro da s\u00edndrome do neur\u00f4nio motor
superior, com a presen\u00e7a de fraqueza muscular, hiperreflexia profunda e presen\u00e7a de
reflexos cut\u00e2neo-musculares patol\u00f3gicos, como o sinal de Babinski1-4.

Dentre os v\u00e1rios mecanismos fisiopatol\u00f3gicos, originados em v\u00e1rios pontos da via do
reflexo do estiramento, envolvendo os motoneur\u00f4nios alfa, gama, interneur\u00f4nios da medula
espinhal e vias aferentes e eferentes, sobressai a teoria cl\u00e1ssica do aumento do t\u00f4nus,
secund\u00e1rio \u00e0 perda das influ\u00eancias inibit\u00f3rias descendentes (via ret\u00edculo-espinhal), como
resultado de les\u00f5es comprometendo o trato c\u00f3rtico-espinhal (piramidal, agora melhor
definido como vias mediadoras de influ\u00eancias supra-espinhais sobre a medula espinhal). A
perda da influ\u00eancia inibit\u00f3ria descendente resultar\u00e1 em aumento da excitabilidade dos
neur\u00f4nios fusimotores gama e dos moto-neur\u00f4nios alfa1-5. Os principais neurotransmissores
envolvidos no mecanismo do t\u00f4nus muscular s\u00e3o: \u00e1cido gamaminobut\u00edrico (GABA) e glicina
(inibit\u00f3rios) e glutamato (excitat\u00f3rio), al\u00e9m da noradrenalina, serotonina e de
neuromoduladores como a adenosina e v\u00e1rios neuropept\u00eddeos.

A espasticidade nos membros superiores predomina nos musculos flexores, com postura
em adu\u00e7\u00e3o e rota\u00e7\u00e3o interna do ombro, flex\u00e3o do cotovelo, prona\u00e7\u00e3o do punho e flex\u00e3o dos
dedos. Nos membros inferiores, a espasticidade predomina nos m\u00fasculos extensores, com
extens\u00e3o e rota\u00e7\u00e3o interna do quadril, extens\u00e3o do joelho, com flex\u00e3o plantar e invers\u00e3o do

p\u00e9. Esta postura caracter\u00edstica recebe a denomina\u00e7\u00e3o de atitude de Wernicke-Mann1-6. Na
pr\u00e1tica as etiologias mais frequentemente encontradas t\u00eam sido a esclerose m\u00faltipla, o
trauma cr\u00e2nio-encef\u00e1lico e raqui-medular, a paralisia cerebral e o acidente vascular
encef\u00e1lico (AVE)1-4. Ao exame f\u00edsico os membros esp\u00e1sticos demonstram aumento de
resist\u00eancia ao movimento passivo, que \u00e9 mais acentuado com o aumento da amplitude e da
velocidade imposta. O aumento de resist\u00eancia ao estiramento passivo \u00e9 maior no in\u00edcio do
movimento e diminui com a continua\u00e7\u00e3o dele, caracterizando o chamado "sinal do
canivete"1-4,6.

A espasticidade pode ser avaliada atrav\u00e9s de escalas. Dentre estas citamos a de Ashworth
(Tabela 1) e a de espasmos (Tabela 2)1,2. Outras escalas de avalia\u00e7\u00e3o s\u00e3o, dentre outras, as
de Barthel, a de avalia\u00e7\u00e3o do movimento (EAM), a de medi\u00e7\u00e3o da locomo\u00e7\u00e3o independente
funcional (EMLIF)1,2. Podem-se utilizar manobras semiol\u00f3gicas para melhor caracteriza\u00e7\u00e3o
dos grupos musculares esp\u00e1sticos, como: as provas de Duncan-Ely diferenciando a
espasticidade do m\u00fasculo reto femural daquela do m\u00fasculo ileopsoas (com o paciente em
dec\u00fabito ventral, com a articula\u00e7\u00e3o coxo-femural extendida, o examinador flexiona o joelho
do paciente provocando o estiramento do m\u00fasculo reto femural; se existir flex\u00e3o da
articula\u00e7\u00e3o coxo-femural e a n\u00e1dega elevar-se, deve haver espasticidade do reto femural),
a de Thomas caracterizando a espasticidade do m\u00fasculo ileopsoas (com o paciente em
dec\u00fabito dorsal, com uma articula\u00e7\u00e3o coxo-femural totalmente flexionada: se houver
espasticidade do m\u00fasculo ileopsoas observar-se-\u00e1 a eleva\u00e7\u00e3o da articula\u00e7\u00e3o coxo-femural
oposta) e a de Silverskiold diferenciando a espasticidade do m\u00fasculo gastrocn\u00eamio do
m\u00fasculo s\u00f3leo (o examinador orienta o paciente a realizar movimentos de flex\u00e3o e
extens\u00e3o do joelho; se o examinador mantiver o p\u00e9 do paciente em posi\u00e7\u00e3o de dorsiflex\u00e3o
m\u00e1xima e obtiver uma maior dorsiflex\u00e3o com o joelho do paciente flexionado do que
estendido, deve haver espasticidade do m\u00fasculo gastrocn\u00eamio; se a dorsiflex\u00e3o do p\u00e9
estiver limitada tanto durante a flex\u00e3o como a extens\u00e3o do joelho, deve haver
espasticidade do m\u00fasculo s\u00f3leo). A an\u00e1lise quantitativa da marcha (laborat\u00f3rios de
marcha), e a utiliza\u00e7\u00e3o da eletromiografia convencional e din\u00e2mica tamb\u00e9m contribuem
para melhor avalia\u00e7\u00e3o da espasticidade2.

Dentre os tratamentos dispon\u00edveis incluem-se: a fisioterapia, os agentes farmacol\u00f3gicos
(por via oral ou intratecal), a quimiodesinerva\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos com o uso de inje\u00e7\u00f5es de
fenol, a utiliza\u00e7\u00e3o de inje\u00e7\u00f5es de toxina botul\u00ednica e os tratamentos cir\u00fargicos como o
alongamento de tend\u00f5es, transfer\u00eancia de tend\u00f5es, libera\u00e7\u00e3o capsular, neurotomia,
cordotomia e a rizotomia1-3,7-21.

TRATAMENTO FISIOTER\u00c1PICO

O tratamento fisioter\u00e1pico visa \u00e0 inibi\u00e7\u00e3o da atividade reflexa patol\u00f3gica para normalizar o
t\u00f4nus muscular e facilitar o movimento normal, devendo ser iniciado o mais breve poss\u00edvel.
Por inibi\u00e7\u00e3o da atividade reflexa patol\u00f3gica se entende evitar e combater os padr\u00f5es de
movimento e posturas relacionadas aos mecanismos reflexos liberados, adotando posi\u00e7\u00f5es
e guias adequadas e empregando os m\u00e9todos inibidores. Desta forma a fisioterapia pode
prover condi\u00e7\u00f5es que facilitem o controle do t\u00f4nus prestando ajuda nos movimento e na
aquisi\u00e7\u00e3o de posturas, oferecendo est\u00edmulos que favore\u00e7am os padr\u00f5es normais18-21. Para se
inibir o padr\u00e3o patol\u00f3gico \u00e9 necess\u00e1rio conhecer suas formas de instala\u00e7\u00e3o, que variam de
acordo com o tipo e o local da les\u00e3o. O grau de hipertonia vai indicar o quanto de inibi\u00e7\u00e3o
ser\u00e1 necess\u00e1ria. Com a inibi\u00e7\u00e3o se facilita o movimento normal e, por sua vez o movimento
normal inibe a espasticidade17-21. Cada padr\u00e3o patol\u00f3gico ter\u00e1 a sua inibi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 no
posicionamento mas em todos os movimentos passivos ou ativos utilizados desde as
primeiras sess\u00f5es de fisioterapia. Muitas vezes ser\u00e1 necess\u00e1rio o uso de talas ousplin ts
para auxiliar no posicionamento ou facilitar os movimentos dentro de um padr\u00e3o mais
pr\u00f3ximo de normal7,19.

A espasticidade \u00e9 evidenciada pelo grau de excitabilidade do fuso muscular que depende
fundamentalmente da velocidade com que os movimentos s\u00e3o feitos. Portanto, os
movimentos lentos t\u00eam menor possibilidade de induzir a hipertonia esp\u00e1stica. Da mesma
forma, os alongamentos m\u00fasculo-tendinosos devem ser lentos e realizados diariamente
para manter a amplitude de movimento e reduzir o t\u00f4nus muscular18,21. Exerc\u00edcios frente a
grande resist\u00eancias podem ser \u00fateis para fortalecer m\u00fasculos d\u00e9beis, mas devem ser
evitados nos casos de pacientes com les\u00f5es centrais, pois nestes se refor\u00e7ar\u00e3o as rea\u00e7\u00f5es
t\u00f4nicas anormais j\u00e1 existentes e consequentemente aumentar\u00e1 a espasticidade18,21.

Dentre os diferentes m\u00e9todos fisioter\u00e1picos existentes para o tratamento da espasticidade
sobressai o m\u00e9todo neuroevolutivo (Bobath). Outras alternativas que podem ser utilizadas

Activity (28)

You've already reviewed this. Edit your review.
1 hundred reads
1 thousand reads
Fabiana Santos liked this
Adrielle Gobbo liked this
Márcia NP liked this
Danila Miranda liked this
Gina Canuto liked this
mipacheco1212 liked this
mipacheco1212 liked this
Ana Rita Almeida liked this

You're Reading a Free Preview

Download
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->