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120 - Sobre a Veste Nupcial

120 - Sobre a Veste Nupcial

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Sobre a Veste Nupcial
John Wesley
"E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial?".
 
(Mateus 22:12)1.
Nos versos precedentes do texto nós lemos:
"Depois dessas coisas, Jesus falou-lhes novamente por parábolas, e disse: Um certo rei fez uma ceia para seu filho. E quandoo rei entrou para ver os convidados, ele viu alguém que não estava em veste nupcial. E elelhe disse: Amigo, como tu vens para cá e não tem uma veste nupcial? E ele ficou sem fala. Então, disse o rei aos servos: Amarre-o, pés e mãos, e o jogue dentro da distanteescuridão, lá haverá choro e ranger de dentes".
2.
Sobre esta parábola um de nossos mais célebres expositores comenta da seguintemaneira: --
"O objetivo desta parábola é mostrar aquela graciosa provisão feita por Deusaos homens na pregação, e através da pregação do Evangelho. Para convidá-los a isto, Deus envia seus servos, Profetas e Apóstolos" – 
E nestas palavras:
"Por que tu entraste nãotem veste nupcial?",
ele prossegue assim:
"A punição de que não deveria desencorajar-nos,ou nos fazer voltar atrás nas ordenanças santas".
Certamente, não deveria, mas nada destetipo pode ser inferido desta parábola, que não tem referência para as ordenanças, não maisdo que o batismo e casamento. E, provavelmente, nos nunca deveremos imaginar isto, masque a palavra ceia ocorrida nela.
3.
 No entanto, a maioria dos que comentam tem caído no mesmo erro que o Sr.Burkitt. E assim têm milhares de seus leitores. Ainda assim, um erro certamente isto é; e talerro, como a não ter qualquer sombra de fundamento no texto. É verdade, de fato, queninguém deveria se aproximar da mesa do Senhor, sem uma preparação habitual, pelomenos, se não verdadeira; ou seja, um firme propósito de manter todos os mandamentos deDeus, e um desejo sincero de receber todas as suas promessas. Mas esta obrigação não podeser inferida deste texto, embora possa, de muitas outras passagens das Escrituras. Mas nãoexiste necessidade de textos múltiplos; um é tão bom quanto mil. Não há necessidade deinduzir homem algum de uma consciência terna, a comungar em todas as oportunidades,mais do que aquele simples mandamento de nosso Senhor:
"Faça isto, em lembrança demim".
4.
Mas, qualquer preparação que seja necessária com o objetivo de sermos feitos parceiros merecedores da Ceia do Senhor, não tem relação, afinal, com a
"veste nupcial",
mencionada nesta parábola. Ela não pode: Porque aquela comemoração de sua morte nãofoi, então, ordenada. Ela se refere totalmente aos procedimentos de nosso Senhor, quandoele vem nas nuvens do céu para julgar o vivo e o morto; e para as qualificações que serão,então, necessárias para herdar 
"o reino preparado para eles, desde a fundação do mundo".
5.
Muitos homens excelentes, que estão totalmente informados disto – que estãoconvencidos de que as vestes núpcias aqui mencionadas não devem ser entendidas comoalguma qualificação para a Ceia do Senhor, mas da qualificação para a glória, -- interpreteisto, como a retidão de Cristo;
"que" 
, dizem eles,
"é a única qualificação para o céu; esta sendo a única retidão, na qual qualquer homem pode permanecer no dia do Senhor.
 
 Porque quem" 
, eles falam,
"irá, então, atrever-se a aparecer, diante do grande Deus, salvona retidão de seu bem amado Filho? Nós não devemos, então, pelo menos, se não antes,estarmos na necessidade de termos uma melhor retidão do que a nossa própria? E queoutra pode esta ser do que a retidão de Deus, nosso Salvador?".
O devoto e engenhoso Sr.Hervey, falecido, transvasa largamente sobre isto, especificamente no seu elaborado:
"Diálogos entre Theron e Aspásio".
6.
Um outro escritor distinto, agora, eu confio com Deus, fala fortemente para omesmo efeito no prefácio de seu comentário sobre a Epístola de Paulo aos Romanos:
"Nóscertamente",
diz ele,
"precisamos de uma retidão melhor do que a nossa própria, onde ficarmos, na corte de Deus, no dia do julgamento".
Eu não entendo a expressão. Ela é bíblica? Nós lemos na Bíblia, quer no Velho Testamento ou no Novo? Eu duvido. Esta nãoé uma frase bíblica, é inadequada, e tem nenhum significado determinado. Se você quer dizer, através daquela questão bizarra, inelegante:
"Em cuja retidão você deverá estar noultimo dia?" --
através do que, ou através do mérito de quem você espera entrar na glória deDeus? Eu respondo, sem a menor hesitação: pela causa de Cristo, o Justo. É através dosméritos Dele somente que todos os crentes serão salvos; ou seja, justificados – salvos daculpa – santificados – salvos da natureza, do pecado; e glorificado – recebido no céu.
7.
Pode ser proveitoso passarmos algumas palavras mais sobre este importante ponto. É possível delinear uma expressão mais ininteligível do que esta – 
"Sob que retidão,nós deveremos permanecer diante de Deus no último dia?".
Por que você não falaclaramente, e diz:
"Através de quem você busca ser salvo?".
Qualquer camponês poderia,então, responder rapidamente:
"Através de Jesus Cristo".
Mas todas essas frases obscuras,ambíguas, tendem apenas a complicar a causa, e abrir um caminho para os ouvintesdescuidados a escorregar para o Antinomianismo.
8.
Existe alguma expressão similar a isto na
"veste nupcial" 
, para ser encontrada nasSantas Escrituras? Em Apocalipse, nós encontramos menção feita do
"linho, branco elimpo, que é a retidão dos santos".
E isto, também, muitos veementemente argumentam,meios da retidão de Cristo. Mas como, então, podemos reconciliar isto, com aquela passagem no sétimo capítulo:
"Eles têm lavado suas vestes e as tornado brancas no sanguedo Cordeiro?".
Eles dirão:
"A retidão de Cristo foi lavada e feita branca no sangue deCristo?".
Fora com esse tal jargão Antinominiano! E o claro significado não é este: -- Foido sangue redentor que a própria retidão dos santos derivou seu valor e aceitabilidade comDeus?
9.
 No décimo-nono capítulo de Apocalipse, no nono verso, existe uma expressãoque vem para bem perto disto: --
"A Ceia de casamento do Cordeiro".
 
[Apocalipse 19]
.Existe uma semelhança entre esta e a ceia de casamento mencionada na parábola. Aindaassim, elas não são completamente a mesma coisa: existe uma diferença clara entre elas. Aceia mencionada na parábola pertence à Igreja Militante; que é mencionada em Apocalipsecomo a Igreja Triunfante: Uma, para o reino de Deus na terra; a outra, para o reino de Deusno céu. Assim sendo, na primeira, podem ser encontrados aqueles que não têm
"vestesnúpcias" 
. Mas haverá ninguém assim para ser encontrado na última: Não; não
"em grandequantidade que nenhum homem possa numerar, de toda afinidade e língua, e pessoas, e
 
nação".
Eles serão
"reis e sacerdotes junto a Deus, e deverão reinar com Ele para sempree sempre".
10.
Esta expressão,
"a retidão dos santos" 
indica o que é a
"veste nupcial",
na parábola? É a
"santidade, sem o que nenhum homem verá ao Senhor".
A retidão de Cristoé, sem dúvida, necessária, para qualquer alma que entre na glória: Mas assim é a santidade pessoal também, para cada filho do homem. Mas é altamente indispensável ser observadoque elas são necessárias em diferentes aspectos. A primeira é necessária, para nos autorizar  para o céu; a última para nos qualificar para ele. Sem a retidão de Cristo, nós não podemoster pretensão à glória; sem a santidade, não teremos aptidão para isto. Através da primeira,nós nos tornamos membros de Cristo, filhos de Deus, e herdeiros do reino do céu. Peloúltimo,
"somos feitos adequados para sermos parceiros na herança dos santos na luz".
11.
Do momento em que o Filho de Deus entregou esta verdade valiosa para osfilhos dos homens – de que todos que não tiverem a
"veste nupcial" 
seriam
"lançados naescuridão, onde estão o choro e o ranger de dentes",
-- o inimigo das almas tem trabalhado para obscurecê-la. Para que eles ainda possam buscar a morte no erro de suas vidas; emuitos caminhos ele tem tentado, para dissimular a santidade, sem o que s o poderemos ser salvos. Quantas coisas têm sido impingidas, até mesmo, junto ao mundocristão, no lugar disto! Alguns desses são totalmente contrários a ela, e destruidores dela.Alguns, de maneira alguma, estiverem ligados a ela, ou se relacionaram com ela; mas comninharias inúteis e insignificantes. Outros seriam considerados como fazendo parte dela,mas, de modo algum, do todo. Pode ser útil enumerar algumas delas, a fim de que nãosejamos ignorantes aos conselhos de satanás.
12.
Da primeira espécie das coisas prescritas como santidade cristã, embora que plenamente contrária a ela, é a idolatria. Como isto tem, em várias formas, sido ensinada, eo é até este dia, como essencial à santidade! Quão diligentemente isto circula em umagrande parte da igreja cristã! Alguns de seus ídolos são a prata e o ouro, ou a madeira e a pedra,
"esculpida pela arte e astúcia do homem" 
, alguns, homens de paixões iguais a simesmos, especialmente os Apóstolos de nosso Senhor e a Virgem Maria. A esses, elesacrescentaram inúmeros santos de sua própria criação, com uma não pequena companhia deanjos.
13.
Uma outra coisa tão diretamente contrária a todo o teor da religião verdadeira éaquilo diligentemente ensinado em muitas partes da Igreja cristã; eu quero dizer, o espíritode perseguição; perseguindo seus irmãos, até mesmo até a morte; de modo que a terra temsido freqüentemente coberta com o sangue, através daqueles que são chamados cristãos,com o objetivo de
"tornar seu chamado e eleição certos".
É verdade que muitos, atémesmo na Igreja de Roma, que foram ensinados nesta horrível doutrina, agora parecemestar envergonhados dela. Mas têm os líderes daquela comunidade, tão abertamente eexplicitamente renunciaram àquela doutrina capital dos diabos, quanto eles a admitiram noConcílio de Constance, e a praticaram por muitas era? Até que eles tenham feito isto, elesserão responsabilizados com o sangue de Jerome de Prague, basicamente assassinado, e demuitos milhares ambos à vista de Deus e homem.

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