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 LITERATURA DE CORDEL.
A MORTE DE PATATIVA DO ASSARÉ
***Patativa do Assaré"Setembro passou/Outubro e novembro/Já estamos emdezembro/Meu Deus, que é de nós?", perguntava o poeta popular.
 São versos de A triste partida , toada pungente cuja gravaçãodeixou o grande Luiz Gonzaga mais famoso do que já era. Seuautor, Antônio Gonçalves da Silva, conhecido e amado em todoo sertão do Cariri como Patativa do Assaré.Patativa bateu asas, que nem a Asa branca, o Sabiá e a Zabelê, eganhou as alturas.Deve estar animando forró de pé-de-serra no céu, com ZéDantas, Humberto Teixeira, Gonzagão, Jackson do Pandeiro eJoão do Vale.Viveu 93 anos, forte feito a Acauã, bonito que nem o AssumPreto,falante que só Zé Pretinho e cantante que nem Cego Aderaldo.Era do cordel e do repente; com ele morre boa fatia da culturanordestina (tá com o senhor agora, seu Ariano Suassuna).Estudo? "Quem sabe que nada sabe é quem possui maisestudo/Eu amo a Deuse ao mundo, me iludo e me desiludo/Pra não haver contratempo,vamos dar tempo ao tempo/Que o tempo resolve tudo".Freqüentou a escola durante seis meses e aprendeu tudo o queprecisava. O que não precisava, também.Vendeu uma cabra por 16 mil réis e comprou uma viola. Foi ser
 
cantador eum dia cantou assim:"Para ser poeta no sertão/Nem tem que ser professor/Basta verno mês de maio/Um poema em cada galho/Um verso em cadaflor". Está dito.Luis Pimentel, jornalista e escritor Extraído do jornal O Dia,Terça, 16 de julho de 2002 ***
 
O POLIGLOTA
***O PoliglotaÉ verdade matemáticaQue ninguém podi negáQue essa história de gramáticaSó serve pra atrapaiáInda vem língua estrangeraAjudá a compricáMeió nóis cabá cum issoPra todos podê falá Na Ingraterra ouví dizêQue um pé de sapato é xuDesde logo já se vêDois pé de sapato é xuxuXuxu pra nois é legumeÉ verdade e não boatoO ingrês que lá se arrumeMas nóis num come sapato Ná Itália ouví dizêEu não sei por que razão

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