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SAWAIA- impresso

SAWAIA- impresso

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As Artimanhas da Exclusão
 –
Análise psicossocial e ética da desigualdade socialIntrodução
:
Exclusão ou Inclusão perversa? - Bader Sawaia 
O livro busca aprimorar o conceito de exclusão, explicitando as ambigüidades inerentesao termo por entender que a complexidade e contraditoriedade constituem o processo deexclusão social e sua possível transformação em inclusão social. Visa abordar o temasob a perspectiva ético-psicossociológica, baseada na dialética exclusão/inclusão,ampliando o conceito de exclusão que passa a ser entendida como descompromissopolítico com o sofrimento do outro.O binômio exclusão/inclusão gesta subjetividades específicas que determinam e sãodeterminadas por formas diferenciadas de legitimação social e individual e manifestam-seno cotidiano como identidade, sociabilidade, afetividade, consciência e inconsciência. Éum processo sutil e dialético, pois só existe em relação à inclusão como parte constitutivadela e que envolve o homem por inteiro e suas relações com os outros.
Primeira ParteReflexões acerca do conceito de Exclusão
 
1. Refletindo sobre a noção de exclusão 
 –
Mariângela Belfiore Wanderley 
O texto tem como objetivo apresentar as principais idéias sobre a noção de exclusãosocial a partir dos anos 90. Atribui-se a René Lenoir a invenção desta noção em 1974 quefoca a exclusão como um fenômeno não mais individual mas social. Dentre suas causasdestacava o rápido e desordenado processo de urbanização, a inadaptação euniformização do sistema escolar, o desenraizamento causado pela mobilidadeprofissional, as desigualdades de renda e de acesso aos serviços. Xiberras, em 1993,
coloca que “excluídos são todos aqueles que são rejeitados de nossos mercadosmateriais ou simbólicos, de nossos valores”.
 Do ponto de vista da situação global, na década de 80 houve o declínio dos
Welfare States 
iniciando novos tipos de relações entre economia, política e sociedade. Nomomento em que o neoliberalismo torna-se hegemônico, constata-se uma crise dotrabalho e do sujeito, onde camadas da sociedade consideradas aptas ao trabalho eadaptadas à sociedade moderna não encontram lugar no mercado, apontando para umaumento das desigualdades.No caso brasileiro a situação além de ser conjuntural, sob a luz do fenômeno daglobalização, tem componentes estruturais. Segundo Aldaíza Spozatti (1996), no Brasil adiscriminação é econômica, cultural e política, além de ética e caracteriza-se por exclusãosocial e não individual (embora atinja as pessoas) pois impossibilita um conjuntosignificativo da população de poder partilhar o que leva à vivência da privação, da recusae do abandono e da expulsão, inclusive com violência. Esta situação de privação coletiva,que se entende por exclusão, inclui pobreza, discriminação, não equidade, nãoacessibilidade e não representação pública.A naturalização do fenômeno da exclusão promove seu reforço e reprodução tanto nonível social como individualmente (
isso é assim e não há nada para fazer)
implicandonuma fragilização dos vínculos sociais. Por outro lado, a estigmatização da pobreza faz osdireitos serem transformados em favor das elites dominantes para os beneficiários daspolíticas públicas, ratificando a exclusão.
 
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A exclusão contemporânea é diferente das formas anteriores de discriminação esegregação, pois cria globalmente uma massa de indivíduos desnecessários ao processoprodutivo. A eles são atribuídos os males da sociedade: despreparo para o emprego e aviolência social, por exemplo. Assim, pobreza e exclusão no Brasil são faces da mesmamoeda. A consolidação do processo de democratização terá que passar peladesnaturalização do processo de exclusão, verificável através das altas taxas deconcentração de renda e da diminuição da ação social do Estado, fruto da políticaneoliberal, garantindo o exercício da cidadania para todos.
2. Exclusão Social: um problema de 500 ano
 –
Maura Pardini Bicudo Veras 
O tema da exclusão social no Brasil não é novo, pois desde os tempos coloniais, doImpério, das Repúblicas (Velha, Nova e Contemporânea) ele se faz presente. Porém, oprocesso de globalização vem dando novos contornos para o conceito de marginalidadesocial. Nas décadas de 60 e 70 a exclusão era vista, por alguns autores, como uma dasconseqüências do processo migratório e da desadaptação dos novos habitantes urbanosque ocasionavam mendicância, delinqüência, favelas. Outros colocavam o fenômeno dapobreza urbana como uma cultura diferenciada do restante da sociedade. Outros aindacreditavam às contradições do modo capitalista de produção o enraizamento da pobrezae a exclusão subjacente. As populações marginais aparecem como conseqüência daacumulação capitalista, um exército industrial de reserva singular.Em 1978, a publicação de
O mito da marginalidade 
apontou uma tendência já presenteem outros trabalhos da época: a marginalidade como conseqüência de um modelo dedesenvolvimento que tem como característica básica a exclusão de vastos setores dapopulação de seu aparato produtivo principal.Na década de 80, utilizando a obra de Milton Santos como expoente, chama-se a atençãopara a importância do componente territorial na exclusão. Explicita que não só oshabitantes deveriam ter acesso aos bens e serviços indispensáveis, mas que haja umagestão adequada dos mesmos, assegurando os benefícios para a coletividade. Aponta
que o terceiro mundo tem “não cidadãos” porque se afunda na sociedade do consumo, da
mercantilização e na monetarização. Em lugar do cidadão surge o consumidor insatisfeito.Portanto o direito à acessibilidade e à mobilidade seriam condições de cidadania.Nos anos 90, um artigo apresentado por Atkinson para a Comissão Européia coloca que oconceito de exclusão social é dinâmico, multidimensional e refere-se tanto a processosquanto a situações conseqüentes dos mesmos. Estabelece a natureza dos mecanismosatravés dos quais os indivíduos e grupos são excluídos das trocas sociais, das práticascomponentes e dos direitos de integração social e de identidade. A exclusão, portanto, vaialém do desemprego, englobando os campos da habitação, educação, saúde e acesso aserviços, e portanto à não-cidadania. Segundo Boaventura de Souza Santos, as relaçõessociais são enfocadas em confronto com a noção de Estado
 –
Estado providência ouEstado Mínimo
 –
e podem ser diferencialistas ou universalistas. Os adeptos desta negamas diferenças e buscam a homogeneização com base no princípio da cidadania eigualdade abstrata de direitos. Para os primeiros, que respeitam as diferenças, houve
 
ummovimento de reflexão e passou-se a entender que estar incluído é estar dentro dosistema mesmo que desigualmente.No Brasil deve-se destacar a obra de José de Souza Martins (1997) que faz a crítica àrotulação do termo exclusão que passa a ser explicativo e responsável de tudo e por tudo.Busca contrapor a partir da abordagem da relação política entre sociedade e Estado,centralizada nas contradições que poderiam criar condições de ação eficaz dosdominados. Aponta que as políticas econômicas atuais (neoliberais) acabam por provocarnão políticas de exclusão, mas de inclusão precária e marginal, ou seja, incluem pessoasnos processos econômicos, na produção e circulação de bens e serviços estritamente em
 
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termos daquilo que é conveniente e necessário à mais eficiente e barata reprodução docapital (fenomenologia dos processos sociais excludentes). Estas diminuem o caráterperigoso das classes dominadas que de uma certa forma adequam-se ao funcionamentodo sistema em favor dos dominantes. Coloca ainda que a exclusão é estruturante dosistema capitalista, que exclui para poder incluir de uma nova forma. O que acontece hojeé que o hiato entre estes dois momentos está se transformando num modo de vida quepermanece. O excluído hoje é aquele que além de estar em situação de carência materialé aquele que não é reconhecido como sujeito, pois não se reconhece a si como tal eportanto não atua como tal. O fato de ter acesso à esfera do consumo, principalmenteatravés do consumismo dirigido, constrói um sujeito que imita os ricos (colonização doimaginário), adquirindo mercadorias semelhantes e partilhando das idéias individualistas ecompetitivas. Só que as oportunidades não são iguais, o valor dos bens é diferente e aascensão social é bloqueada, caracterizando a sociedade da imitação, dareprodutibilidade e da vulgarização, no lugar da criação e do sonho.Segundo Francisco de Oliveira há que se atentar para a exclusão social como faceeconômica do neoliberalismo globalizado na América Latina e Brasil e para ela não existenenhuma política assistencialista, pois as classes dominantes não querem mais integrar.Porém ocorre uma certa sociabilidade da apartação e do confinamento, pois acomunicação mediática substitui a construção da esfera pública. Assim oacompanhamento de questões públicas (guerras, CPIs,etc) transformam-se emespetáculos da mídia ao se declarar vigilante dos interesses populares. Os pobrespassam a desconfiar de si próprios, numa culpabilidade popular: caminhando sobre ochão pavimentado pelo preconceito dos pobres contra os pobres, as classes dominantesno Brasil começaram a extravasar uma subjetividade antipública que segrega,
popularizando a idéia da “desnecessidade” do público. A proteção estatal se transforma
no custo Brasil, onde os direitos e conquistas civilizatórias traduzidos em direitos sociaisse transformam em fatores causais da miséria, pobreza, em obstáculo para odesenvolvimento econômico e ausência de cidadania.A autora finaliza registrando a importância de atualizar a discussão e trabalhar no sentidode erradicar os processos sociais excludentes.
Segunda ParteAnálise Psicossocial e Ética da Exclusão
 –
Categorias Analíticas
1. Os Processos Psicossociais da Exclusão 
 –
Denise Jodelet 
A Psicologia Social, no que se refere à exclusão, tenta compreender de que maneirapessoas ou grupos são objetos de uma distinção, são constituídos como uma categoria aparte. Um dos modos pelo qual ela tenta dar conta das relações sociais é através dasdimensões ideais e simbólicas e dos processos psicológicos e cognitivos que articulam osfundamentos materiais destas. O outro considera o espaço de interação entre pessoas egrupos, no seio do qual elas se constróem e funcionam. A questão central da maioria daspesquisas é o que faz com que, em sociedades que cultuam valores democráticosigualitários, as pessoas sejam levadas a aceitar a injustiça, a adotar ou tolerar frenteàqueles que não são seus pares ou como eles, práticas de discriminação que osexcluem? A propensão para prejudicar o outro encontra respaldo nas explicações causaise na atribuição de responsabilidades das situações nas quais a pessoa se acha vitimizada(cada um tem o que merece). É a desconsideração do outro como pessoa ou quando olaço de solidariedade é rompido que se estabelece uma situação propícia para agredir ooutro, fortalecida se a ordem emana de uma posição de poder.Nos anos 50, a teoria da personalidade autoritária, elaborada pela Escola de Frankfurt,associa a ideologia e a personalidade para dar conta das tomadas de posições racistas e

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