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Purushatraya Swami. - Movimento Hare Krishna

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05/31/2012

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Movimento Hare Krishna - Histórico, Filosofia e informações.Escrito por Purushatraya Swami. Baseado numa enquête feita pelo órgão ASSINTEC - AssociaçãoInterconfessional de Educação de Curitiba (PR) - que assessora a Secretaria de Educação de Curitibanos assuntos referentes à Educação Religiosa e Diálogo Inter-Religiosos.1. Tradição religiosaO popularmente conhecido “movimento Hare Krishna” tem suas origens na índia e é parte de umcontexto muito amplo e diversificado chamado “Hinduísmo”. O Hinduísmo, por sua vez é constituídode múltiplas tradições religiosas. No caso particular, o “movimento Hare Krishna” está inserido naTradição Vaishnava (Vaishnavismo). O termo “Vaishnava” deriva-se de “Vishnu”, que é o aspectoimanente de Deus, presente na criação material.O Vaishnavismo é a linha estritamente monoteísta do Hinduísmo. Embora lide com múltiplos aspectosde Deus e hierarquias subordinadas a Ele, que atuam nos diferentes aspectos de Sua criação, a idéiacentral da religião é estabelecer a relação com o Deus Uno. Dessa forma, a consciência do devototransmuta-se de ‘consciência de ego’ para ‘consciência de Deus’, e ele torna-se um recipiente da graçadivina. Só pela graça do Senhor que a pessoa pode obter a salvação. Salvação significa liberação daexistência condicionada nesse mundo material e ingresso definitivo no reino de Deus.Opostamente à esse mundo relativo e sujeito às dualidades— bom/mal, prazer/dor, luz/escuridão,frio/calor, etc.— o reino de Deus é um estado de existência absoluta, perfeita, pura, eterna e plena de bem aventurança. Enquanto persiste a consciência material condicionada, centrada no ego, a pessoafica presa ao contínuo ciclo de nascimentos e mortes neste mundo, e aqui experimenta as suas delícias einconvenientes de acordo com seus méritos e culpa. Cada vida lhe dá uma nova oportunidade para purificar-se e desenvolver a consciência de Deus. A mudança de paradigma, do ego para Deus, se dáquando, pelo contato com o conhecimento revelado, pela misericórdia divina que chega ao indivíduo por diversos meios, é acendida no coração a chama da fé.2. Origem históricaO sub-continente indiano é o cenário para um leque de tradições religiosas, a maioria tendo suasorigens em épocas muito remotas. O Vaishnavismo, em particular, não tem um registro de início. Ostextos sagrados, muitos deles compilados em datas que remontam à era védica de cinco mil anos atrás, já oferecem o delineamento da doutrina, que antes era praticada e transmitida em via oral. Já na eracristã, o Vaishnavismo institucionalizou-se e associou-se ao sistema Vedanta de filosofia. Surgiramgrandes filósofos teístas, como Ramanuja, Madhva, Nimbarka e Vishnuswami e foi, assim, formatadoem quatro linhas principais, chamadas sampradayas. O sistema de filosofia Vedanta tem duas linhas:uma estritamente filosófica e outra teísta. O Vaishanavismo, obviamente, é a linha teísta. O“movimento Hare Krishna” é filiado à linha Vaishnava chamada Brahma-Madhva-sampradaya.O “movimento Hare Krishna” teve seu início há quinhentos anos, exatamente na virada do século, naépoca dos descobrimentos. O responsável por sua difusão foi o santo Sri Caitanya (lê-se Cheitânya)Mahaprabhu. Sua vida foi amplamente registrada em biografias, algumas delas contemporâneas a ele.Caitanya, que foi um acadêmico e intelectual sem rival em sua juventude, teve uma reviravolta radicalem sua vida, passando a manifestar uma natureza mística sem precedentes, certamente, na história dahumanidade. Mais da metade dos quarenta e oito anos de sua existência foram passados, na maior partedo tempo, num êxtase místico de amor a Deus. A mensagem de Caitanya resume-se basicamente na
 
realização de que o método mais eficaz para restabelecermos nossa conexão com Deus é através docanto e meditação de Seus santos nomes. Os santos nomes do Senhor, diz Caitanya, possuem energiasespirituais que vão atuar na consciência, tornando-a cada vez mais espiritualizada. Com a prática,obtém-se purificação, auto-conhecimento, desapego, renúncia, santidade, paz interior e amor puro por Deus. Embora todos os nomes referentes a Deus têm esse poder, Caitanya recomendava o canto e ameditação no maha-mantra Hare Krishna (explicaremos mais a frente). Seu movimento teve um grandeimpacto social pois desestruturava um rígido sistema de castas que prevalecia no país naquela época.Ele atingiu tanto as camadas populares quanto a classe intelectual, e até, membros da realeza. Começouna região da Bengala (leste da índia, cuja capital é Calcutá) e, a seguir, espalhou-se pelo estado vizinho,Orissa. Na seqüência, permeou o país. Caitanya, inclusive, profetizou que esse canto espalhar-se-ia pelo planeta, o que , mais ou menos, podemos, hoje em dia, presenciar.Em 1965, um sannyasi (renunciado) da linha de Caitanya, A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada,trouxe esse conhecimento para o Ocidente. Aos setenta anos de idade, sem recursos e qualquer apoioinstitucional, Swami Prabhupada desembarcou em Boston, nos Estados Unidos. Logo a seguir, radicou-se em Nova York e, por arranjo do destino, seu público foi, quase que exclusivamente, o mundo hippie,que naquela época, estava em seu auge. Sua mensagem era estritamente ortodoxa e apresentava valores praticamente diametrais aos cultivados pelos hippies. Mas, mesmo assim, surpreendentemente, suamensagem teve um tremendo eco, certamente devido à genuína postura espiritual de Prabhupada. Em1966, ele fundou a Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON). De Nova York estabeleceu-se uma ramificação no oeste, em São Francisco; depois Montreal e Londres. De lá, àmedida em que seus discípulos espalhavam centros nos diversos continentes, Prabhupada voltou à suaterra natal e estabeleceu alguns importantes centros de adoração a Deus.3. Idéia e representação do Transcendente (Deus)Como já afirmamos, a Tradição Vaishnava é monoteísta por excelência. Outra característica marcantedo Vaishnavismo é que, baseado na revelação, nos é dada a noção de Deus como Pessoa, a SupremaPersonalidade de Deus. Logicamente, não uma pessoa como nós— corporificada, condicionada, falível,efêmera, limitada, ignorante e sofrida—, mas uma Personalidade infinitamente superior a qualquer referencial humano— possuidor de qualidades ilimitadas e perfeitas, e destituído de qualquer indício deimperfeição ou limitação.A conhecimento Vaishnava aceita que “ tudo provém de Deus.” Não existe uma dicotomia original deBem e Mal, ou Deus e Satanás. Essas dualidade estão presentes no estado de existência em que oravivemos. Em geral, o aspecto negativo da realidade é a ausência da contraparte positiva, assim como por exemplo, o fenômeno “escuridão” se dá quando a luz é bloqueada ou está inativa. O sofrimento,tido muitas vezes como uma imperfeição na criação de Deus, tem, com certeza, seu papel no teatro davida e, muitas vezes, é aquilo que purifica, que nos faz ver a realidade e nos traz conhecimento erealizações mais profundas.A morada do Senhor é o reino absoluto. O termo sânscrito que traduz isso é sat cit ananda, quesignifica, existência plena e eternidade (sat), consciência infinita (cit) e bem aventurança plena(ananda). A forma do Senhor é igualmente sat cit ananda.Assim como na revelação cristã, a Tradição Vaishnava aceita que “Deus tem muitas moradas.” Alémde muitas moradas, Ele possui muitas formas. Apesar de possuir inúmeras manifestações, Ele não perde Seu caráter de Ser único e Uno.
 
De acordo com a revelação Vaishnava, Deus tem, basicamente, três aspectos: a) Seu aspecto impessoal(Brahman)— a energia cósmica, o somatório de todas energias, a Consciência Suprema, o EspíritoSupremo; b) o aspecto imanente (Paramatma), que participa intimamente na manifestação cósmicamaterial; e c) o Deus Transcendente (Bhagavan), a Suprema Personalidade de Deus, que atua nummeio ambiente puramente espiritual.Brahman é o suporte de tudo. Muitas religiões dão primazia a este aspecto impessoal de Deus. Adoutrina Vaishnava, apesar de considerar esse aspecto do Divino, enfatiza o aspecto pessoal de Deus, pois só assim pode-se desenvolver um relação estritamente pessoal com Deus. Paramatma ouSuperalma é o Deus Todo-Penetrante ou Onipresente, ciente, se isso for Seu desejo, da caída de umamera folha seca ao chão em qualquer parte de Sua criação. Ele está presente no coração de todos. Ele éo Testemunha e o Sancionador. Para aqueles que são indiferentes à Sua presença, fazendo mal uso deseu livre-arbítrio, Ele simplesmente garante que haja justiça na hora da colheita daquilo que foisemeado. Mas àqueles que refugiam-se nEle, o Senhor no coração conduz a pessoa com segurançaatravés do oceano da existência.O Deus Trancendente, conforme se descreve nas Escrituras, manifesta-se, por sua vez, em diferentesformas— Rama, Krishna, Narayana, etc. Algumas dessas manifestações de Deus vêm a este mundo eaqui exibem certas atividades (lilas) cuja única finalidade é atrair as almas condicionadas para arealidade transcendental eterna. Esses são chamados de avataras. Embora convivendo por um períodode tempo no seio da sociedade humana, esses avataras, como Rama e Krishna, não estão sujeitos às leisda natureza material e suas formas são imateriais e divinas.Embora possuindo múltiplas formas, todas são manifestações do Deus Uno, como já dissemos. Odevoto Vaishnava escolhe a forma de Deus que mais lhe inspire e, então, desenvolve sua devoção baseado nos preceitos das Escrituras. Cada manifestação de Deus tem características e humoresdiferentes e, conseqüentemente, a forma de devoção também varia em termos de sentimento e em seuaspecto formal e ritualístico.Podemos classificar a devoção a Deus de duas formas: asvarya e madhurya. O Deus no aspecto asvaryaé o Deus Todo-Poderoso, o Criador, o Senhor com opulências inconcebíveis. Ele é o Senhor SupremoAbsoluto e diante dele o devoto é uma ser insignificante. Essa magnitude de Deus inspira respeito profundo e até temor. A devoção é solene, formal e ritualística. Já o aspecto madhurya permiteintimidade entre o devoto e Deus. No caso da devoção a Krishna, o devoto pode desenvolver ambos ostipos de devoção. Caitanya Mahaprabhu foi um dos seres iluminados desse mundo que revelaram adevoção em intimidade, e esse tipo de devoção é dirigida a específicos aspectos de Krishna.Dentre diferentes tipos de relações, essas três são as mais íntimas: amizade, amor da mãe para o bebê eamor conjugal. O Senhor Krishna aceita esses três tipos de relacionamentos amorosos, que devem ser,definitivamente, destituídos de qualquer conotação material e só é atingido num estado de consciência pura. O relacionamento amoroso conjugal é o mais rico e íntimo. Com base no princípio de que “tudovem de Deus,” isso também deve estar necessariamente em Deus.Essas manifestações de Deus na categoria de Deus Transcendente Pessoal possuem a contrapartefeminina. A consorte de Krishna chama-se Radha, que é a personificação de Sua energia interna de prazer. Conhecer e apreciar os intercâmbios amorosos do Casal Supremo e desenvolver um sentimentoe atitude devocional puramente espiritual, constitui um dos aspectos mais confidenciais da devoçãoreligiosa chamada “Consciência de Krishna,” que nos foi revelada por Sri Caitanya Mahaprabhu.

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