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Maquinaria escolar

Maquinaria escolar

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Este artigo foi publicado inicialmente no livro Arqueologia de la escuela, de Fernando Alvarez-Uria e Julia Varela, Madrid, Ediciones de la Piqueta, 1991. Tradução de Guacira Lopes Louro.
Este artigo foi publicado inicialmente no livro Arqueologia de la escuela, de Fernando Alvarez-Uria e Julia Varela, Madrid, Ediciones de la Piqueta, 1991. Tradução de Guacira Lopes Louro.

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Categories:Types, School Work
Published by: Claudemir de Quadros on Oct 27, 2011
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Maquinaria escolar 
1
Julia VarelaFernando Alvarez-Uria
2
A universalidade e a pretendida eternidade da Escola são pouco mais do queuma ilusão. Os poderosos buscam em épocas remotas e em civilizõesprestigiosas, especialmente na Grécia e na Roma clássicas, a origem das novasinstituições que constituem os pilares de sua posição socialmente hegemônica.Desta forma, procuram ocultar as funções que as instituições escolares cumpremna nova configuração social, ao mesmo tempo em que mascaram seu própriocaráter adventício na cena sócio-política. Este hábil estratagema serve para dotar tais instituições de um caráter inexpugnável, já que são naturalizadas, ao mesmotempo em que a ordem burguesa ou pós-burguesa se reveste de uma auréola decivilização.Em todo caso, se a Escola existiu sempre e por toda parte, não só está justificado que continue existindo, mas também que sua universalidade eeternidade a fazem
tão natural 
como a vida mesma, convertendo, de rebote, seuquestionamento em algo impensável ou antinatural. Isto explica por que ascríticas mais ou menos radicais à instituição escolar o imediatamenteidentificadas com concepções quiméricas que levam ao caos e ao irracionalismo.Os escassos estudos que procuram analisar quais o as fuões sociaiscumpridas pelas instituições escolares são ainda praticamente irrelevantes frente ahistórias da educão e a todo um enxame de tratados pedagicos quecontribuem para alimentar a rentável ficção da condição natural da escola.Aqui se procurará mostrar que a escola primária, enquanto forma desocialização privilegiada e lugar de passagem obrigatória para as crianças das
1 Este artigo foi publicado inicialmente no livro Arqueologia de la escuela, de Fernando Alvarez-Uriae Julia Varela, Madrid, Ediciones de la Piqueta, 1991. Transcrito aqui com a autorização dosautores. Tradução de Guacira Lopes Louro.2 A realização deste trabalho não teria sido possível sem as discussões nem as contribuiçõesteóricas que tiveram lugar nos cursos de B. Conein, M. Meyer e P. de Gaudemar, professores doDepartamento de Sociologia da Universidade de Paris VIII. Sirva este estudo comodemonstração de agradecimento.Teoria & Educação, 6, 19921
 
classes populares, é uma instituão recente cujas bases administrativas elegislativas contam com pouco mais do que um século de existência.
3
De fato, aescola pública, gratuita e obrigatória foi instituída por Romanones em princípios doséculo 20, convertendo os professores em funcionários do Estado e adotandomedidas concretas para tornar efetiva a aplicação da regulamentação que proibia otrabalho infantil antes dos dez anos. A escola nem sempre existiu; daí anecessidade de determinar suas condições históricas de existência no interior denossa formação social.Que caracteriza fundamentalmente esta instituição que ocupa o tempo epretende imobilizar no espaço todas as crianças compreendidas entre seis edezesseis anos? Na realidade, esta maquinaria de governo da inncia oapareceu de súbito, mas, ao invés disso, reuniu e instrumentalizou uma série dedispositivos que emergiram e se configuraram a partir do século 16. Trata-se deconhecer como se montaram e aperfeiçoaram as peças que possibilitaram suaconstituição.Neste sentido, a utilização da sociologia histórica não terá como finalidadenem a idealizão rontica do passado, nem o estabelecimento de falsasanalogias que sirvam hoje de lição. Não se busca dotar a história de um caráter magistral e pedagógico, porque um olhar retrospectivo deste tipo é também frutodas instituições escolares. Pretende-se, pelo contrio, aplicar o todogenealógico para abordar o passado a partir de uma perspectiva que nos ajude adecifrar o presente, a rastrear continuidades obscuras por sua própria imediatez, ea determinar os processos de montagem das peças mestras, seus engates, paraque servem e a quem, a que sistemas de poder eso ligados, como setransformam e disfarçam, como contribuem, enfim, para tornar possíveis nossascondições atuais de existência. Projeto ambicioso, sem dúvida, e portanto alcançável em profundidade de forma coletiva, com a ajuda de todos aqueles queestão desenvolvendo trabalhos paralelos.Limitar-nos-emos, simplesmente, a esboçar as condições sociais deaparecimento de uma série de instâncias no nosso entender fundamentais que, aose amalgamar em princípios deste século, permitiram o aparecimento da chamadaescola nacional:1.a definição de um estatuto da infância.
3 As classes distinguidas enviaram seus filhos a estabelecimentos de qualidade e distinção(colégios, liceus, ginásios, etc.), e supõe-se que continuarão fazendo-o. Referimo-nos, pois, àescola nacional em seu sentido preciso: espaço de governo dos filhos das classesdesfavorecidas.Teoria & Educação, 6, 19922
 
2.a emergência de um espaço específico destinado à educação dascrianças.3.o aparecimento de um corpo de especialistas da infância dotadosde tecnologias específicas e de elaborados códigos teóricos.4.a destruição de outros modos de educação.5.a institucionalização propriamente dita da escola: a imposição daobrigatoriedade escolar decretada pelos poderes blicos esancionada pelas leis.
Definição do estatuto da infância
Assim como a escola, a criança, tal como a percebemos atualmente, não éeterna nem natural; é uma instituição social de aparição recente ligada a práticasfamiliares, modos de educação e, conseqüentemente, a classes sociais.Os moralistas e homens da Igreja do Renascimento, no momento em quecomeçam a se configurar os Estados administrativos modernos, colocaram emação todo um conjunto de táticas cujo objetivo consiste em que a Igreja possacontinuar conservando, e se for possível aumentando, seu presgio e seuspoderes. Num momento em que a autoridade da Igreja e sua influência políticavêem-se afetadas não somente pelo absolutismo dos monarcas e as exigências doincipiente estamento administrativo, mas também pelas divergências e dissidênciasque surgem em seu próprio seio, seus representantes mais ativos fabricaram novosdispositivos de intervenção. Sua capacidade inventiva e de reação ficará bempatente na ação que desenvolveram em diferentes frentes.Os papas, especialmente a partir de Trento, converter-se-ão, cada vez mais,frente aos Concílios, na cabeça da Igreja, apoiados pela Cúria que sofrerá, então,o sem atritos, fortes modificões. Reestruturaram-se igualmente outrosorganismos e criaram-se novas congregações (Congregão de Ritos, dePropagação da Fé, de Indulgências, Relíquias e outras). A luta contra os hereges ea manutenção da ortodoxia exigirá uma série de remodelações no campo dateologia, da pastoral, da liturgia, da beneficência e das missões, bem como oaparecimento de novas ordens religiosas, a reforma das existentes, amodernização e, inclusive, o desaparecimento das que não se ajustam à devoção ereligiosidade modernas.As ticas aplicadas o ser diversificadas e compreenderam desde amanipulação sutil e individualizada das almas até as pregões e os gestos
Teoria & Educação, 6, 19923

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