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Este mundo da injustiça globalizada - Jose Saramago

Este mundo da injustiça globalizada - Jose Saramago

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Este mundo da injustiça globalizada
José Saramago
Ciberfil Literatura Digital
 
 Versão para Acrobat Reader por Marcelo C. BarbãoMarço de 2002Permitida a distribuiçãoVisite nosso site: www.ciberfil.hpg.ig.com.br ou mande-nos um e-mail: ciberfil@yahoo.com
 
 
Texto lido na cerimônia de encerramento do Fórum Social Mundial 2002
 
Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um facto notável da vida camponesa ocorrido numaaldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atençãopara este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moralextraível do episódio não terá de esperar o fim do relato, saltar-vos-á ao rosto não tarda.Estavam os habitantes nas suas casas ou a trabalhar nos cultivos, entregue cada um aos seus afazeres ecuidados, quando de súbito se ouviu soar o sino da igreja. Naqueles piedosos tempos (estamos a falar dealgo sucedido no século XVI) os sinos tocavam várias vezes ao longo do dia, e por esse lado não deveriahaver motivo de estranheza, porém aquele sino dobrava melancolicamente a finados, e isso, sim, erasurpreendente, uma vez que não constava que alguém da aldeia se encontrasse em vias de passamento.Saíram portanto as mulheres à rua, juntaram-se as crianças, deixaram os homens as lavouras e osmesteres, e em pouco tempo estavam todos reunidos no adro da igreja, à espera de que lhes dissessem aquem deveriam chorar. O sino ainda tocou por alguns minutos mais, finalmente calou-se. Instantesdepois a porta abria-se e um camponês aparecia no limiar. Ora, não sendo este o homem encarregado detocar habitualmente o sino, compreende-se que os vizinhos lhe tenham perguntado onde se encontrava osineiro e quem era o morto. "O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino", foi a resposta do camponês."Mas então não morreu ninguém?", tornaram os vizinhos, e o camponês respondeu: "Ninguém quetivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta."Que acontecera? Acontecera que o ganancioso senhor do lugar (algum conde ou marquês semescrúpulos) andava desde há tempos a mudar de sítio os marcos das estremas das suas terras, metendo-ospara dentro da pequena parcela do camponês, mais e mais reduzida a cada avançada. O lesado tinhacomeçado por protestar e reclamar, depois implorou compaixão, e finalmente resolveu queixar-se àsautoridades e acolher-se à protecção da justiça. Tudo sem resultado, a expoliação continuou. Então,

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