julho de 2003
irving wallace
o pr mio
dizer que o outono agonizava e o escuro inverno estava prestes
a chegar.
para o conde bert l jacobsson, que ia caminhando vagarosamente
meses de trabalho exaustivo. voltou-se durante um instante, para
contemplar solenemente o parque. aos olhos de qualquer outra pessoa,
aquilo que ainda havia pouco se mostrava verde e luxuriante
poderia parecer agora rido e nu, com as rvores despojadas de folhas
uns momentos, como era seu costume, diante do gigan-
tesco busto de alfred nobel. e de novo se sentiu hesitante ao
contemplar aquele rosto expressivo, vincado e barbudo. seria
realmente esta a figura que se recordava de ter visto em rapazinho
quando nobel j era muito velho? suspirando, voltou por
verde e as filas de mesas e cadeiras. ao atravessar esta sala,
observou as prateleiras que lhe cobriam as paredes. umas cheias
de jornais financeiros, cuja presen a ele n o se cansava de reprovar,
de colocar com cuidado a bengala a um canto, jacobsson piscou
alegremente o olho ao seu velho amigo, o rei gustavo v, cujo
retrato pendia da parede em frente. viu o grande livro de folhas
dobradas sobre a secret ria, pegou nele vivamente e foi sentar-se
nas costas dos pacifistas.
amorosamente, sem pressas, ergueu o rascunho do primeiro
telegrama a leu para si.
como reconhecimento de... em defesa dos ideais humanit rios...
pois sim... um momento.
a toda a pressa, o conde bertil leu e releu as folhas, contou-as,
para ver se tudo estava na devida ordem; por fim, ergueu-se e foi
quase com pesar que entregou os telegramas a mrs. steen.
muito bem. podem seguir.
depois de haver fechado a porta, jacobsson caminhou at
conseguia distinguir a figura alta do adido que se aproximava transportando
uma pasta, se curvava para entrar no carro e desaparecia.
o motor do carro vibrou e os telegramas l seguiram o seu destino
cheios de significado que precediam a chegada dos telegramas,
que precediam o instante em que a sua grandeza se transformaria
publicamente em gl ria e fortuna?