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[Jan Hunt] Aliment an Do o Interesse Natural Da CrianÇa Pelo Aprendizado

[Jan Hunt] Aliment an Do o Interesse Natural Da CrianÇa Pelo Aprendizado

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Published by api-26678171
As crianças têm prazer em aprender as coisas por seu próprio valor intrínseco.
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Não é necessário motivar as crianças com recompensas exteriores, como notas altas ou estrelinhas no caderno, que sugerem à criança que a atividade em si deve ser difícil ou desagradável.
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Pais sensatos dizem: "Vejo que você aprecia mesmo esse livro!" e não
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"Se você terminar de ler o livro, vai ganhar um doce".
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Nesse singelo artigo você irá fazer descobertas interessantes.
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As crianças têm prazer em aprender as coisas por seu próprio valor intrínseco.
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Não é necessário motivar as crianças com recompensas exteriores, como notas altas ou estrelinhas no caderno, que sugerem à criança que a atividade em si deve ser difícil ou desagradável.
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Pais sensatos dizem: "Vejo que você aprecia mesmo esse livro!" e não
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"Se você terminar de ler o livro, vai ganhar um doce".
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Nesse singelo artigo você irá fazer descobertas interessantes.
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ALIMENTANDO O INTERESSE NATURAL DA CRIAN\u00c7A PELO APRENDIZADO
por Jan Hunt, Psic\u00f3loga diretora do "The Natural Child Project"

Eu e meu marido escolarizamos nosso filho em casa(1) e eu \u00e0s vezes me pergunto se
quem aprende mais com isso s\u00e3o os pais ou os filhos. Mas o termo "escolarizar em casa"
j\u00e1 mostrou ser enganoso. Crian\u00e7as escolarizadas em casa n\u00e3o passam a maior parte do
tempo em casa e seu aprendizado n\u00e3o ocorre do mesmo modo que na escola. Na verdade
muitos dos pressupostos do ensino da escola p\u00fablica s\u00e3o opostos aos da escolariza\u00e7\u00e3o em
casa.

O elemento mais importante para o sucesso da escolariza\u00e7\u00e3o domiciliar \u00e9 a confian\u00e7a.
Confiamos que as crian\u00e7as saibam quando estar\u00e3o prontas para aprender aquilo que
estiverem interessadas em aprender. Confiamos que elas saibam como empreender esse
estudo. Embora esse modo de ver as crian\u00e7as possa causar estranhamento, os pais
costumam entender assim o aprendizado nos dois primeiros anos de vida, quando a
crian\u00e7a ainda est\u00e1 aprendendo a ficar em p\u00e9, andar, falar e fazer algumas outras coisas
importantes e dif\u00edceis, sem muita ajuda de ningu\u00e9m.

Ningu\u00e9m perde tempo pensando que talvez o beb\u00ea seja muito pregui\u00e7oso, indisciplinado
ou desmotivado para aprender; sup\u00f5e-se que o beb\u00ea tenha nascido com vontade de
aprender tudo o que ele precisa para conhecer e participar do mundo ao seu redor. Essas
autoridades de um a dois anos de idade nos ensinam v\u00e1rios princ\u00edpios da aprendizagem:

Crian\u00e7as s\u00e3o naturalmente curiosas e t\u00eam um desejo inato de aprender sozinhas
sobre o mundo a sua volta.
John Holt, em seu livro 'How Children Learn' ('Como as Crian\u00e7as Aprendem'), descreve o
estilo natural de aprendizagem das crian\u00e7as pequenas:

"A crian\u00e7a \u00e9 curiosa. Ela quer compreender as coisas, descobrir seu funcionamento,
desenvolver habilidades e obter controle sobre si mesma e seu ambiente, al\u00e9m de fazer
tudo o que ela v\u00ea os outros fazerem. Ela \u00e9 aberta, perceptiva e emp\u00edrica. Ela n\u00e3o se
limita a observar. Ela n\u00e3o se fecha para o mundo estranho e complicado \u00e0 sua volta, ela
o degusta, toca, ergue, dobra, quebra. Para descobrir como a realidade atua, a crian\u00e7a
atua sobre a realidade. Ela \u00e9 audaciosa. Ela n\u00e3o tem medo de errar. E ela \u00e9 paciente.
Ela pode tolerar um grau incr\u00edvel de d\u00favida, confus\u00e3o, ignor\u00e2ncia e suspense... A escola
n\u00e3o \u00e9 um lugar que ofere\u00e7a muito tempo, oportunidade ou recompensa por esse modo
de pensar e de aprender da crian\u00e7a"(2).

Crian\u00e7as conhecem o melhor modo de aprender alguma coisa.

Se deixarmos por sua conta, as crian\u00e7as sabem instintivamente qual m\u00e9todo funciona
melhor para elas. Pais zelosos e atentos logo aprendem a confiar nesse conhecimento.
Eles dizem para o beb\u00ea: "Oh! que interessante, voc\u00ea est\u00e1 aprendendo a descer as
escadas engatinhando de costas!" Eles n\u00e3o dizem: "Assim est\u00e1 errado". Pais perceptivos
sabem que h\u00e1 v\u00e1rios modos de se aprender a mesma coisa e confiam na escolha da
crian\u00e7a.

Crian\u00e7as precisam ficar muito tempo sossegadas para pensar.

Pesquisas mostram que a crian\u00e7a que fantasia bem, aprende melhor e tem mais
facilidade para lidar com a frustra\u00e7\u00e3o do que aquela que j\u00e1 perdeu essa capacidade. Mas
fantasiar requer tempo, e o tempo \u00e9 um dos valores mais amea\u00e7ados de nossas vidas. A
programa\u00e7\u00e3o intensiva no hor\u00e1rio escolar e mais atividades extracurriculares n\u00e3o deixam
muito tempo para a crian\u00e7a sonhar, pensar, encontrar solu\u00e7\u00f5es para os problemas e
enfrentar situa\u00e7\u00f5es de estresse, al\u00e9m de suprir a necessidade universal de solid\u00e3o e
privacidade.

Crian\u00e7as n\u00e3o temem reconhecer sua ignor\u00e2ncia e cometer erros.

John Holt observou que quando convidava crian\u00e7as em idade pr\u00e9-escolar para tocar seu
violoncelo, elas aceitavam imediatamente; crian\u00e7as maiores e adultos sempre
recusavam.

Crian\u00e7as escolarizadas em casa, que n\u00e3o s\u00e3o intimidadas pela exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica e por
notas baixas, mant\u00eam-se abertas para explorar o novo. As crian\u00e7as aprendem
perguntando, e n\u00e3o respondendo \u00e0s perguntas dos outros. Pr\u00e9-escolares fazem muitas
perguntas e escolares tamb\u00e9m - mas s\u00f3 at\u00e9 a terceira s\u00e9rie. A essa altura muitos j\u00e1
aprenderam o triste fato de que na escola \u00e9 mais importante proteger-se, escondendo a
pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia, do que tentar entender melhor um assunto - por mais curioso que se
esteja.

As crian\u00e7as t\u00eam prazer em aprender as coisas por seu pr\u00f3prio valor intr\u00ednseco.

N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio motivar as crian\u00e7as com recompensas exteriores, como notas altas ou
estrelinhas no caderno, que sugerem \u00e0 crian\u00e7a que a atividade em si deve ser dif\u00edcil ou
desagrad\u00e1vel. (De outro modo, porqu\u00ea iriam lhe oferecer uma recompensa que n\u00e3o tem
nada a ver com o assunto? ) Pais sensatos dizem: "Vejo que voc\u00ea aprecia mesmo esse
livro!" e n\u00e3o "Se voc\u00ea terminar de ler o livro, vai ganhar um doce".

As crian\u00e7as aprendem melhor a se relacionar com outras pessoas, convivendo com
gente de todas as idades.

Os pais n\u00e3o dizem para um filho pequeno: "Voc\u00ea s\u00f3 vai ficar com crian\u00e7as que tenham at\u00e9 seis meses de diferen\u00e7a de idade com voc\u00ea. Aqui est\u00e1 outra crian\u00e7a de dois anos. Voc\u00eas podem olhar um para o outro, mas n\u00e3o se falem!"

John Taylor Gatto, eleito Professor do Ano do estado norte-americano de Nova York,
afirma: "\u00c9 absurdo, \u00e9 anti-vida... sentar confinados com pessoas exatamente da mesma
idade e classe social. Esse sistema consegue alienar-nos da enorme diversidade da vida"

(3).
A crian\u00e7a aprende mais sobre o mundo experimentando-o sozinha.

Nenhuma m\u00e3e diria a seu filho pr\u00e9-escolar: "Deixe essa lagarta a\u00ed e volte a estudar seu
livro sobre lagartas". Crian\u00e7as escolarizadas em casa aprendem em contato direto com o
mundo. Meu filho diz que estudar em casa \u00e9 "aprender fazendo em vez de ser ensinado".
Ironicamente a obje\u00e7\u00e3o mais comum \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o domiciliar \u00e9 que as crian\u00e7as "s\u00e3o
privadas do mundo real".

As crian\u00e7as precisam e merecem muito tempo de conv\u00edvio familiar.

O professor Gatto alerta: "Todo o tempo da crian\u00e7a \u00e9 devorado entre a escola e a
televis\u00e3o. Isso destruiu a fam\u00edlia norte-americana"(4). Crian\u00e7as escolarizadas em casa
percebem a uni\u00e3o familiar como um dos maiores benef\u00edcios dessa viv\u00eancia. Assim como
presenciei o primeiro passo e a primeira palavra de meu filho, tamb\u00e9m tive a honra de
compartilhar seu mundo e suas id\u00e9ias. Eu aprendi mais sobre a vida, o processo de
aprendizado e o amor durante esse anos todos com ele do que poderia ter aprendido de
qualquer outra fonte. A escolariza\u00e7\u00e3o em casa \u00e9 uma via de m\u00e3o dupla.

O estresse interfere com o aprendizado.

Einstein escreveu: "\u00c9 um erro muito grave acreditar que o prazer de observar e pesquisar
possa ser desenvolvido pela coer\u00e7\u00e3o"(5). Quando uma crian\u00e7a de um ano cai ao tentar
aprender a andar, dizemos: "Muito bem! Logo voc\u00ea vai conseguir!" Pais atentos n\u00e3o
dizem: "Um beb\u00ea da sua idade j\u00e1 deveria estar andando. Vou lhe dar um prazo at\u00e9 sexta-
feira".

A maioria dos pais compreende o quanto \u00e9 dif\u00edcil para seus filhos aprender alguma coisa
quando s\u00e3o empurrados, amea\u00e7ados ou quando recebem notas baixas. John Holt alerta
que "ficamos com dificuldade ou mesmo impossibilitados de pensar e de fazer as coisas
quando estamos com medo ou ansiosos... quando amedrontamos as crian\u00e7as,
bloqueamos totalmente o seu aprendizado"(6).

Enquanto as crian\u00e7as pequenas nos ensinam muito sobre o processo de aprendizagem, as
escolas adotam princ\u00edpios muito diversos, em fun\u00e7\u00e3o das dificuldades de se ensinar um
grande contingente de crian\u00e7as da mesma idade em um ambiente coercitivo. A estrutura
da escola ( freq\u00fc\u00eancia obrigat\u00f3ria, mat\u00e9rias e livros escolhidos pela escola e freq\u00fcentes
avalia\u00e7\u00f5es do desempenho da crian\u00e7a) parte da premissa de que a crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um
aprendiz nato e precisa ser ensinada \u00e0 for\u00e7a.

Aprendizes natos n\u00e3o necessitam de uma estrutura dessas. O sucesso do aprendizado
auto-gerido (crian\u00e7as escolarizadas em casa superam as que freq\u00fcentam escola em
termos de desempenho acad\u00eamico, socializa\u00e7\u00e3o, confian\u00e7a e auto-estima), \u00e9 uma forte
evid\u00eancia de que os m\u00e9todos padronizados inibem tanto o aprendizado quanto o
desenvolvimento pessoal.

A escolariza\u00e7\u00e3o em casa \u00e9 uma tentativa de seguir os princ\u00edpios da aprendizagem natural
e de ajudar a preservar na crian\u00e7a a curiosidade, o entusiasmo e o amor de aprender,
presentes desde o nascimento.

A escolariza\u00e7\u00e3o em casa, nas palavras de Holt, \u00e9 uma quest\u00e3o de f\u00e9. "A f\u00e9 que somos por
natureza animais aprendizes. As borboletas voam, os peixes nadam e os seres humanos
pensam e aprendem. N\u00f3s n\u00e3o precisamos motivar a crian\u00e7a a aprender por meio de
suborno, adula\u00e7\u00e3o e intimida\u00e7\u00e3o. N\u00e3o precisamos continuar tentando esmiu\u00e7ar suas
mentes para nos certificarmos de que est\u00e3o aprendendo. Tudo de que precisamos \u00e9 dar
\u00e0s crian\u00e7as toda a ajuda e orienta\u00e7\u00e3o de que elas necessitem e que nos solicitem, ouvir
atentamente quando elas tiverem vontade de falar e depois deixar-lhes o caminho livre.
Podemos confiar que elas far\u00e3o o restante"(7).

1. N. da T.: Nos Estados Unidos existe a alternativa legal de escolarizar os filhos em casa.

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