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2
22
É
 
  hgf,
e do próprioOscar Niemeyer, dividir a sua produçãoentre as obras que vão de Pampulha a Brasíliacomo um primeiro período, e a produçãoposterior à da capital como um segundo. Cabeaqui, entretanto, estabelecer naquele algumadivisão que lhe desvele as nuances. Anal, aprodução do arquiteto inicia-se em 1935 – anode sua graduação pela Escola Nacional de Belas- Artes –, e certamente suas obras dos anos 1950guardam algumas diferenças em relação às dosanos 1940. Ou seja: nem suas obras iniciam-seem Pampulha, em 1941, nem esteve inerte opensamento do arquiteto ao longo de quinzeanos de trabalho.Seus primeiros trabalhos, de 1935 e 1936– anteriores ao contato pessoal com Le Cor-busier – caracterizam-se precisamente poruma leitura habilidosa, mas ainda restrita,dos princípios do mestre suíço, concretizadasna Obra do Berço (1935), e apenas projetadasna Residência Henrique Xavier (1936) e naResidência Oswald de Andrade (1936). Vê-seali não apenas a expressão clara do esqueletoindependente de concreto armado deslocadodos fechamentos – agora envidraçados – comoo uso de
terraço jardim
, janelas em ta e mesmodas mediterrâneas abóbadas das Maisons Jaoul(1919) e do
impluvium
da Residência Errazuriz,no Chile (1930).Noutra via, Oscar vinha desenvolvendo emseus projetos de 1936 a 1943 um pensamento decunho nativista que o leva a articular telhadoscerâmicos, muxarabis e generosos avarandados
[3]
, devidamente codicados pelas interpreta-
 As obras de
(...)procuro orientar meus projetos, caracterizando-os sempre que possível pela própriaestrutura. Nunca baseada nas imposições radicais do funcionalismo, mas sim, na procurade soluções novas e variadas, se possível lógicas dentro do sistema estático. E isso, sem temer as contradições de forma com a técnica e a função, certo de que permanecem, unicamente,as soluções belas, inesperadas e harmoniosas. Com esse objetivo, aceito todos os artifícios,todos os compromissos, convicto de que a arquitetura não constitui uma simples questão de engenharia, mas uma manifestação do espírito, da imaginação e da poesia.
[2]
Oscar Niemeyer 
em Belo Horizonte
[1]
1943
RESIDÊNCIA JOÃO LIMA PÁDUA Rua Bernardo Guimarães, 2751Belo HorizonteCliente: João Lima Pádua e Lúcia Valladares PáduaCálculo Estrutural: Joaquim CardozoPaisagismo: Roberto Burle-Marx Execução: SORENGE – Sociedadede Obras de Engenharia1. Vestíbulo2. Estar 3. Bar 4. Pátio5. Jantar 6. Cozinha7. Copa8. Quarto serv.9. Quarto10. Apto casal
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15678910423
Danilo MatosoplantacortefachaDa rua BernarDo GuiM,arÃesfachaDa rua araGuari
 
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2
ções modernas que Lúcio Costa vinha dandoa estes elementos não apenas em projetoscomo a Vila Operária de Monlevade (1934),como também em seus textos –
Razões da novaarquitetura
(1934) e
Documentação Necessária
 (1938)
[4]
. A estas leituras some-se o contato diretocom Le Corbusier e a condução das obras doMinistério da Educação e Saúde Pública – MESP– pelo próprio Oscar
[5]
, concluídas apenas em1945 e simultâneas à construção da Pampulha.Deve-se ainda ao europeu a sugestão do uso deazulejaria de feição portuguesa e da modena-tura em granito denindo os volumes
[6]
.Há razões, assim, para que consideremos asobras da Pampulha não como o início efetivoda obra de Niemeyer – conforme ele próprioarma recorrentemente
[7]
–, mas como aconuência de ao menos duas linhas de atuaçãoque o arquiteto vinha desenvolvendo ao longode oito anos. É ainda sua primeira contribuiçãoindividual relevante articulando o léxicodesenvolvido pelo grupo a cargo da construçãodo MESP. A produção arquitetônica de Oscar Niemeyerem Belo Horizonte sempre esteve, direta ouindiretamente, ligada à gura política de Jus-celino Kubitschek. E se podemos agrupar esteconjunto de obras em períodos determinados,eles correspondem precisamente aos mandatosdo político como prefeito da capital (1940-1945)– indicado por Benedito Valadares - e comogovernador eleito do estado de Minas Gerais(1951-1955).O primeiro grupo de obras, centralizadas so-bretudo no Conjunto da Pampulha, contribuiupara a denição de uma linguagem arquitetôni-ca que viria a ser conhecida internacionalmentecomo “
Estilo Brasileiro” 
[8]
. O segundo grupode obras viria a constituir a manifestação maismadura e depurada deste vocabulário, dandomostras de um encaminhamento do pensa-mento do arquiteto rumo ao que viria a seruma mudança radical em sua prática ocorridaa partir da segunda metade dos anos 1950, como projeto para o Museu de Caracas (1955) e comas obras de Brasília (1955-1960).
pplh
O contato de Oscar Niemeyer com a elitepolítica e intelectual mineira tem suas origensnão apenas em sua relação com o Ministro daEducação, Gustavo Capanema, mas tambémem sua obra para o Grande Hotel de Ouro Preto,encomendado em 1938 por Rodrigo de MelloFranco Andrade, que criara e que presidia o Ser-viço do Patrimônio Histórico e Artístico – atualIPHAN. As viagens constantes a Ouro Pretolevavam-no a Belo Horizonte. E o caminho atéJuscelino e o início de Pampulha nos descreveOscar:
Um dia Capanema me levou a BeneditoValadares, governador de Minas Gerais,que pretendia construir um cassino no‘Acaba Mundo’. E foi nessa ocasião que conheci  Juscelino Kubitschek, candidato a prefeitode Belo Horizonte. Fiz o projeto, que mostrei a Benedito, mas o assunto só foi retomadomeses depois, quando JK, prefeito da cidade,novamente me convocou.
 
 No dia combinadovoltei a Belo Horizonte com Rodrigo. Tornei aconversar com JK, que me explicou. ‘Quero criar um bairro de lazer na Pampulha, um bairrolindo como outro não existe no país. Comcassino, clube, igreja e restaurante, e precisavado projeto do cassino para amanhã’. E o atendi,elaborando durante a noite no quarto do Hotel Central o que me pedira.
[9]
1943
RESIDÊNCIA  JUSCELINO KUBITSCHEK Av. Otacílio Negrão de Lima, 4188Pampulha – Belo HorizonteCliente: Juscelino Kubitschek Paisagismo: Roberto Burle-Marx Obras de Arte: Alfredo Volpi ePaulo Werneck. (atribuídos)1. Terraço2. Varanda3. Painel azulejos(Volpi)4. Biblioteca5. Estar 6. Música7. Rouparia8. Quarto9. Banho10. Vestir 11. Circulação12. Pátio13. Painel pastilhas(Paulo Werneck)14. Depósito15. Copa16. Lavabo17. Cozinha18. Jogos/jantar 
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Danilo Matoso
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elevaçÃo frontalcorte transversalplanta
 
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 É para o genro de Valadares, João LimaPádua, que Oscar desenvolve uma residêncianão na Pampulha, mas na área central de BeloHorizonte. Em que pese a sua aprovação na pre-feitura datar de 1943, conceitualmente, a obraconstitui um elo entre as pesquisas nativistas daprimeira etapa da obra de Oscar e as suas obrasà beira da represa. A casa é implantada em “C” num lote deesquina, ocupando todo o lote e voltando suaabertura para a rua, com a privacidade garan-tida pelo paisagismo de Burle-Marx e por umaparede de cobogós.O pátio interno, a azulejaria de feiçãotradicional – com a mesma estampa usada noCassino, no Iate e na Casa do Baile – emoldu-rada por mármore travertino e principalmenteo
impluvium
congurado por telhado cerâmicoem capa-canal conferem à obra o fundamentonativista, contrastado pela laje de concreto sobas telhas, pela marquise em “V” que marca aentrada principal e pelos panos de vidro queabrem a casa para o jardim interno. A outra residência deste período, projetadano mesmo ano às margens da Lagoa da Pampu-lha e destinada a servir ao próprio Juscelino, lidacom os mesmos elementos de modo diferente.O lote generoso permitiu a criação de um jardim à entrada, com lago e caminho sinu-oso, de modo a propiciar ao proprietário umaapreciação panorâmica da lagoa a partir daporção superior do terreno em aclive, coma necessária privacidade. O telhado em “V”mostra-se perpendicular ao eixo central da casa,cobrindo a entrada da garagem, a varanda deentrada e a área social, ligada por mezanino ameio-nível à área íntima – implantada acima,acompanhando a topograa dos fundos do lote. Aqui o “C” está voltado para os fundos,encerrado pelos quartos, a um lado, e pela áreade jogos e acomodações dos empregados, aoutro. A cozinha e área de serviço interpõem-seentre as três salas e o pátio, de uso exclusiva-mente íntimo. A caixilharia em madeira esmal-tada dos quartos, o revestimento da empenafrontal em paus-roliços e a própria implantaçãoda casa revelam algum parentesco com as obrasde feição nativista da primeira fase do arquiteto,como sua residência na Lagoa Rodrigo deFreitas (1941) ou a residência de FranciscoPeixoto em Cataguazes (1941), mas o mezaninorevestido em madeira, a cobertura em lajeplana, o amplo pano de vidro frontal e o própriodinamismo do conjunto representam um passodenitivo rumo à síntese que se estabelecia nasdemais obras da Pampulha.Talvez a obra que melhor expresse estanova síntese seja o Cassino. Implantada numapenínsula, a obra divide-se em três blocos in-terligados e funcionalmente bem denidos: umbloco principal, de jogos, o restaurante e pistade dança em forma de pêra avançando sobrea lagoa, e o bloco de serviços discretamenteatendendo aos dois. A imagem do conjuntoé a de volumes elevados sobre pilotis e, defato, uma malha regular de colunas permeiatodos os espaços. Entretanto, o bloco principal– destinado aos jogos – é implantado no solo,e neste nível aberto em pano de vidro. Todaalvenaria do térreo é revestida em azulejos defeição tradicional portuguesa, complementandoa leveza e transparência que ressaltam aregularidade dos volumes acima. A composição
1940
CASSINO DA PAMPULHA  Av. Otacílio Negrão de Lima, 16580Pampulha – Belo HorizonteCliente: Prefeitura de BeloHorizonteCálculo Estrutural: Joaquim CardozoPaisagismo: Roberto Burle-Marx Obras de Arte: August Zamoiski, Alfredo Ceschiatti, José Pedrosa1. Salão de entrada2. Recepção3. Rampas4. Escada p/ toaletes5. Terraço6. Bar 7. Elevador 8. Pista de dança9. Bastidores10. Entrada de serviço11. Toaletes12. Escritório13. Restaurante14. Palco15. Rampas16. Cozinha17. Salão de jogos
1567891042311121314151617915
Danilo Matosoplanta térreoplanta 1• paviMento

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