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Vera Candau sobre a Didática

Vera Candau sobre a Didática

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Redumo do texto de Vera Candau sobre a Didática.
Redumo do texto de Vera Candau sobre a Didática.

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Vera Candau sobre a DidáticaA autora mostra que a Didática, nos últimos anos, vem sendo discutida dentro do viés dacontestação. Vera Maria Candau faz, em seu texto, uma historicização do processo de contestação dadidática, segundo a autora
É nesta perspectiva que tenta se colocar o presente trabalho, que pretendeoferecer subsídios para o aprofundamento da compreensão da polêmica atual sobre o papel da didáticana formação dos educadores e sugerir algumas pistas para a sua superação.
 Assim tentand
o organizar seus argumentos a autora divide seu trabalho em: “1.
AMultidimensionalidade do processo de ensino/Aprendizagem
”; “2.
Ensinando Didática
” e “3.
3. De umadidática instrumental a uma didática fundamental
”.
 No item 1. A Multidimensionalidade do processo de ensino/Aprendizagem a autora coloca queeste é multidimensional porque está conectado à inúmeras categorias que dizem respeito às técnicas, àscondições sociais e políticas que envolvem o contexto de uma época, categorias que envolvem tambémindivíduos com interesses e objetivos específicos. O processo de ensino e aprendizagem abarca todasessas dimensões.Segundo à abordagem humanista o relacionamento humano está intrinsecamente imbricado aoprocesso de ensinar e aprender. Nessa abordagem a didática está atenta ao fato de que cada pessoa tema sua maneira de criar significados sobre determinado objeto, que cada pessoa tem a sua própria maneira
de entender o que lhe é “ensinado”. Trata
-se de uma perspectiva individualista e subjetiva do processo.Para essa perspectiva a didática não deve se ater tanto à técnica, mas antes sim à formas de lecionarque se liguem à formas de lidar com pessoas. É a didática privatizada.Crítica à perspectiva humanista:O crescimento da pessoa (como individuo singular) é desvinculado do coletivo que a estáinfluenciando. O coletivo diz respeito às dimensões políticas, de sociedade, e econômicas que seinterpenetram na vida dos indivíduos que vivem em sociedade. É como se a perspectiva humanista sóentendesse o psicológico e não entendesse que o psicológico faz parte de todo um processo deconstrução que emana das características do individuo, mas que também tem a ver com o contexto que o
cerca. A abordagem humanista “faz da dimensão humana o único eixo norteador do proce
sso de
ensino/aprendizagem”.
 A abordagem técnica diferentemente da perspectiva humanista é uma concepção que tende aver o processo de ensino/aprendizagem como algo intencional, sistemático,que procura organizar ascondições (avaliação, seleção de conteúdo, estratégias de ensino...etc) que facilitem a aprendizagem.Quer dizer essa abordagem se quer racional e objetiva, no sentido de estar determinada a passar o quese quer ensinar e depois aplicar técnicas para descobrir se o que foi ensinado foi assimilado. Essetecnicismo põe de lado todo a dimensão humana, política, social que influencia o processo deaprendizagem, o tecnicismo só se importa com aspectos de avaliação. Entender a técnica como algoobjetivo e neutro é uma forma ingênua de concebê-la, a técnica está, querendo ou não, ligada àideologias, modos de ver, ela tem raízes fincadas na política. A perspectiva técnica está desconectada dosentido para que fazer e por que fazer, se atendo ao sentido do fazer por fazer.2. Ensinando Didática: neste item a autora empreende uma análise crítica da evolução do ensinode didática da década de 60 até hoje.1º MOMENTO desta evolução: A AFIRMAÇÃO DO TÉCNICO E O SILENCIAR DO POLÍTICO: OPRESSUPOSTO DA NEUTRALIDADEO contexto era o de crítica à didática tradicional e afirmação da concepção escolanovista. Nosúltimos anos da década de 50 e nos primeiros da de 60 a didática faz o discurso escolanovista. O
 
problema está em superar a escola tradicional, em reformar internamente a escola. Afirma-se anecessidade de partir dos interesses espontâneos e naturais da criança; os princípios de atividade, deindividualização, de liberdade, estão na base de toda proposta didática; parte-se da importância dapsicologia evolutiva e da aprendizagem como fundamento da didática: trata-se de uma didática de basepsicológica; afirma-se a necessidade de "aprender fazendo" e de "aprender a aprender"; enfatiza-se aatenção às diferenças individuais; estudam-se métodos e técnicas como: "centros de interesse", estudodirigido, unidades didáticas, método de projetos, a técnica de fichas didáticas, o contrato de ensino etc.;promovem-se visitas às "escolas experimentais", seja no âmbito do ensino estatal ou privado.Segundo Saviani (80) o movimento escolanovista se baseia na tendência do "humanismomoderno" e esta predominou na educação brasileira de 1945 a 1960 e o período 1960 a 1968 secaracteriza pela crise desta tendência e pela articulação da tendência tecnicista.Nesta etapa, o ensino da didática assume certamente uma perspectiva idealista porque a análiseda prática pedagógica concreta da maioria das escolas não é objeto de reflexão. ensino da didáticaassume uma perspectiva também centrada na dimensão técnica do processo de ensino-aprendizagem.Os condicionamentos sócio-econômicos e estruturais da educação não são levados emconsideração. A prática pedagógica depende exclusivamente da " vontade" e do "conhecimento" dosprofessores que, uma vez dominando os métodos e técnicas desenvolvidos pelas diferentes experiênciasescolanovistas, poderão aplica-los às diferentes realidades em que se encontram. A base científica destaperspectiva se apóia fundamentalmente na psicologia.Desde o início dos anos 60 o desenvolvimento da Tecnologia Educacional e, concretamente, doEnsino Programado, vinha exercendo forte impacto na área da Didática. De uma concepção da tecnologiaeducacional que enfatiza os meios, conceito centrado no meio, e, conseqüentemente, os recursostecnológicos, se passava a uma visão da tecnologia educacional como processo. De 1964 e passado operíodo de transição pós-64 a visão "industrial" penetra o campo educacional, e a Didática é concebidacomo estratégia para o alcance dos "produtos" previstos para o processo de ensino-aprendizagem. Agora,mais do que confrontar a Didática tradicional e a Didática renovada, o centro nuclear do curso é oconfronto entre o enfoque sistêmico e o não-sistêmico da Didática. Se um enfatiza objetivos gerais,formulados de forma vaga, o outro enfatiza objetivos específicos e operacionais. Se um enfatiza oprocesso, o outro o produto. Se um parte de um enfoque da avaliação baseada na "norma", o outroenfatiza a avaliação baseada em "critérios. Se no primeiro o tempo é fixo, o segundo tende a trabalhar avariável tempo. Se um enfatiza a utilização dos mesmos procedimentos e materiais por todos os alunos, ooutro faz variar os procedimentos e materiais segundo os indivíduos. Nesta perspectiva, a formulação dosobjetivos instrucionais, as diferentes taxionomias, a construção dos instrumentos de avaliação, asdiferentes técnicas e recursos didáticos, constituem o conteúdo básico dos cursos de Didática. Modelossistêmicos são estudados, habilidades de ensino são treinadas e são analisadas metodologias tais como:ensino programado, plano Keller, aprendizagem para o domínio, módulos de ensino etc. Desde o iníciodos anos 60 o desenvolvimento da Tecnologia Educacional e, concretamente, do Ensino Programado,vinha exercendo forte impacto na área da Didática. Neste enfoque a acentuação da dimensão técnica doprocesso de ensino-aprendizagem é ainda mais enfatizada do que na abordagem escolanovista. Nesta,pelo menos em algumas de suas expressões, a dimensão humana é salientada e a relação professor-aluno é repensada em bases igualitárias e mais próximas, do ponto de vista afetivo.Na perspectiva da tecnologia educacional a Didática se centra na organização das condições, noplanejamento do ambiente, na elaboração dos materiais instrucionais. A objetividade e racionalidade doprocesso são enfatizadas.
 
Mas, se estas duas abordagens se diferenciam, elas partem de um pressuposto comum: "osilenciar da dimensão política". E este silêncio se assenta na afirmação da neutralidade do técnico, isto é,na preocupação com os meios desvinculado-os dos fins a que servem, do contexto em que foramgerados. Significa ver a prática pedagógica exclusivamente em função das variáveis internas do processode ensino-aprendizagem, sem articulação com o contexto social em que esta prática se dá. Neste sentido,a Didática não tem como ponto de referência os problemas reais da prática pedagógica quotidiana,aqueles que enfrentam os professores de 1º e 2º graus, tais como: precárias condições econômicas dasescolas e dos alunos, classes superlotadas, taxas significativas de evasão e repetência, conteúdosinadequados, condições de trabalho aviltantes, etc. Como a Didática não fornece elementos significativospara análise da prática pedagógica real e o que ela propõe não tem nada que ver com a experiência doprofessor, este tende a considerá-la um ritual vazio que, quando muito, pertence ao mundo dos "sonhos",das idealizações que não contribuem senão para reforçar uma atitude de negação da prática real que nãooferece as condições que tornariam possível a perspectiva didática proposta.2º Momento: A afirmação do político e a negação do técnico: a contestação da didáticaPrincipalmente a partir da metade da década de 70, a crítica às perspectivas anteriormenteassinaladas se acentuou. Esta crítica teve um aspecto fortemente positivo: a denúncia da falsaneutralidade do técnico e o desvelamento dos reais compromissos político-sociais das afirmaçõesaparentemente "neutras", a afirmação da impossibilidade de uma prática pedagógica que não seja sociale politicamente orientada, de uma forma implícita ou explícita. Mas, junto com esta postura de denúncia ede explicitação do compromisso com o "status quo" do técnico aparentemente neutro, alguns autoreschegaram à negação da própria dimensão técnica da prática docente.A afirmação da dimensão política da prática pedagógica é então acompanhada da negação dadimensão técnica. Esta é vista como necessariamente vinculada a uma perspectiva tecnicista. Mais umavez as diferentes dimensões do processo de ensino-aprendizagem são contrapostas, a afirmação de umalevando à negação das demais. Afirmar a dimensão política e,conseqüentemente, estrutural daeducação,supõe a negação do seu caráter pessoal. Competência técnica e política se contrapõem. Nestemomento, mais do que uma didática, o que se postula é uma antididática.3. DE UMA DIDÁTICA INSTRUMENTAL A UMA DIDÁTICA FUNDAMENTALNo momento atual, segundo Salgado (82), ao professor de Didática se apresentam duasalternativas: a receita ou a denúncia. Isto é, ou ele transmite informações técnicas desvinculadas dosseus próprios fins e do contexto concreto em que foram geradas, como um elenco de procedimentospressupostamente neutros e universais, ou critica esta perspectiva, denuncia seu compromisso ideológicoe nega a Didática como necessariamente vinculada a uma visão tecnicista da educação.Mas a crítica à visão exclusivamente instrumental da Didática não pode se reduzir à suanegação. Competência técnica e competência política não são aspectos contrapostos. A práticapedagógica, exatamente por ser política, exige a competência técnica. As dimensões política, técnica ehumana da prática pedagógica se exigem reciprocamente. Mas esta mútua implicação não se dáautomática e espontaneamente. É necessário que seja conscientemente trabalhada. Daí a necessidadede uma didática fundamental.A perspectiva fundamental da Didática assume a multidimensionalidade do processo de ensino-aprendizagem e coloca a articulação das três dimensões, técnica, humana e política, no centroconfigurador de sua temática.Nesta perspectiva, a reflexão didática parte do compromisso com a transformação social, com abusca de práticas pedagógicas que tornem o ensino de fato eficiente (não se deve ter medo da palavra)para a maioria da população. Ensaia. Analisa. Experimenta. Rompe com a prática profissional

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