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3º Contos do mar
Disponibilização e Tradução: Silvana RodriguesRevisão: Vanessa StraiotoRevisão e Formatação: Iara Brandão
RESUMO
Por tê-lo atraído até seu navio e depois permitir que sua gente o encerrasse.Sim, o destino da bela Beth Livingston estava unido ao do Saegar, príncipe dePacífica, porque este estava empenhado em convertê-la em sua esposa e aencher de paixão e felicidade para sempre...O que era isso que a tripulação de seu pai tinha achado? Dava igual quem, ouo que, era essa formosa criatura de rasgos marcados e fortes músculos, ocerto era que toda sua ira se dirigia para ela e, se não convencia seu pai paraque o deixasse em liberdade, acabaria sofrendo a cólera... E o desejo daqueleser.
PREFACIO
 
ESTAVAM cada vez mais perto. Tentando controlar o crescente desespero, concentrou-se em escapar.Cortava a água com poderosas braçadas, enquanto a parte inferior de seucorpo, fibrosa, cheia de músculos, aumentava a velocidade com elegantes erítmicos golpes. Mantinha a cabeça baixa para não desperdiçar o segundoque demoraria em tomar ar.Ganhou dois metros, outros dois. Mas não poderia ganhar a batalha com umalancha. E os homens que estavam o perseguindo não iam abandonar acaçada. Sua excitação era tão evidente como a vibração que emitia o motorsob a água…E então lançaram o arpão. Apesar da dor, conseguiu arrancar o afiado metalde seu ombro, mas não pôde evitar a rede.Se tivesse sua faca a cortaria como cortou uma vez o banco de algas que oaprisionava. Mas sua faca estava no fundo do oceano e a rede o imobilizavacom cada puxão. Teria seguido lutando se sua morte pudesse ajudar a seu povo. Mas não seriaassim. Vivo ou morto, aquela captura provaria sua existência e enviaria maishomens avaros ao mar.De modo que ficou parado, reservando suas forças para quando o subissem àsuperfície. Quase agradecia a dor do ombro, e os cortes que a linha da redefazia. A dor o manteria alerta. A raiva o manteria concentrado.Manteve uma expressão serena quando os últimos raios do sol brilharamsobre seu corpo, mas por dentro amaldiçoava aos homens que o olhavamcom temerosa admiração. E amaldiçoava a si mesmo pela curiosidade quelhe tinha feito pôr em perigo sua liberdade.Mas, sobre tudo, amaldiçoava a mulher pálida de cabelo escuro que o atraiupara o perigo. Tinha pedido ajuda da proa do navio, usando os ancestraisgestos de sua gente…E jurou vingar-se.
Capitulo 1
Beth demorou muito em descobrir a combinação que abria a porta e, umavez dentro, apoiou-se no escorregadio corrimão. Deveria ter trocado os saltospor sapatos esportivos, pensou, enquanto descia para as vísceras do navio.Os degraus de metal eram perigosos. E deveria ter trocado o vestido de noitepor algo, mas pratico. A seda azul se danificaria se a água de mar roçavasuas delicadas dobras.Culpando-se de leve, Beth desceu outro degrau e conteve um gemido quandoo navio pareceu afundar a proa no mar. Se agarrou ao corrimão com as duasmãos, mas só podia manter o equilíbrio.—OH, não, outra vez não - murmurou, fechando os olhos.Odiava as tormentas em alta mar. De fato, odiava o mar com suas tormentas
 
e suas misteriosas e escuras profundidades. Se fosse por ela, permaneceriaem terra para sempre.Mas não dependia dela, mas sim de seu pai, que amava o mar. Carl T.Livingston era um gênio que tinha ganhado suficiente dinheiro com seusinventos tecnológicos para permitir-se qualquer capricho, incluindo comprar oSearcher.E na adega do Searcher havia um enorme tanque de água salgada no qualque podia estudar qualquer criatura que sua tripulação tivesse capturado. Tragando a saliva para evitar a usea, Beth abriu os olhos e seguiudescendo os degraus. Sempre lhe dava pena os animais que capturavam:golfinhos, morsas… inclusive um polvo tão assustando que não se moveu dofundo do tanque. Negava-se a nadar, negava-se a comer. E antes que Bethtivesse podido convencer a seu pai de que o soltasse, o animal morreu. Tentando afastar aquela lembraa, seguiu descendo degraus até ocompartimento de carga e enrugou o nariz quando chegou o cheiro de óleodas maquina, misturado com o aroma de pescado.Esperava que aquela criatura não sofresse o mesmo destino. Sobre tudoporque ela tinha sido a causadora de sua captura.Não de propósito, é obvio. Estava na proa do navio, tentando não vomitar,quando o ajudante de seu pai se aproximou. Ela o queria companhianaquele momento e muito menos a do Ralph Lesborn. Não porque não fosseatrativo: alto, loiro, levava bigode e o cabelo sempre penteado para trás.Beth se alegrou quando Ralph aceitou trabalhar para seu pai no Searcher,mas ultimamente tinha desenvolvido uma tendência a aproximar-se muito.Isso a punha nervosa. E estar nervosa era o ultima coisa que necessitavaquando seu estomago não deixava de dar botes.Mas Ralph se aproximou do corrimão de proa, onde estava apoiada. O aromade sua colônia e suas atenções a puseram mais doente que as sacudidas donavio. Possivelmente porque considerava a si mesmo como um Gourmet, osgalanteios do Ralph sempre incluíam alguma menção à comida.Beth levou uma mão à boca quando disse que seus olhos eram tão verdescomo os espinafres… embora, em realidade, eram azuis. Mas quando lhedisse que seu cabelo era da mesma cor que as madalenas que tomavampelas manhãs, esteve a ponto de soltar o jantar sobre seus sapatos italianos.Seguia tentando o vomitar quando viu uma cauda dourada sesobressaindo da água. Esperando distrair ao Ralph de seu cabelo «cormadalena», Beth assinalou com a mão ao estranho peixe.De repente, ele se sujeitou ao corrimão, atônito. Parecia um gato que tivesseencontrado o aperitivo, inclusive movia o bigode.—Não pode ser. Não posso acreditar!—exclamou.E depois saiu correndo para procurar a seus homens, que em seguidalançaram o barco a motor à água. Beth não ficou para ver como apanhavamo pobre peixe. Rezando para que escapasse das garras do Ralph, baixou aosantuário de seu camarote.Mas desgraçadamente pescaram à criatura. Seu pai se negou a lhe dizer queera, mas parecia estranhamente emocionado. Tanto que só prometendo queiria ver ela mesma e logo subiria a informá-la, conseguiu impedir que selevantasse da cama.
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