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Artigo 02

Artigo 02

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Artigo nº 02: Compras coletivas e as violações aos direitos do consumidor
Autor: José Eduardo Figueiredo de Andrade Martins
Artigo nº 02: Compras coletivas e as violações aos direitos do consumidor
Autor: José Eduardo Figueiredo de Andrade Martins

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Categories:Types, Research, Law
Published by: José Eduardo Martins on Nov 11, 2011
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Compras coletivas e as violações aos direitos do consumidor
Artigo nº 02José Eduardo Figueiredo de Andrade Martins
 –
OAB/SP nº 306.4941
Desde meados de 2009, os
sites
de compras coletivas se tornaram muitopopulares dentre os consumidores brasileiros, dada a oferta de produtos e serviçospor preço muito inferior ao que comumente se pratica no mercado. O mecanismofunciona da seguinte forma: por um período pré-estabelecido, o produto ou serviçofica disponível para ser adquirido por qualquer um que estiver regularmentecadastrado no
site
. Sendo de seu interesse, o consumidor realiza a compra
online
,recebendo em troca um cupom (também chamado de
voucher 
) comprovando aaquisição e que talvez lhe dê o direito de utilizar o serviço ou apropriar-se do produtoofertado com a sua apresentação ao estabelecimento empresarial conveniado com o
site
de compras coletivas. Talvez porque para que seja realmente efetivada a compra,deverá haver um número mínimo de consumidores interessados na oferta. Oadministrador do
site
de compra coletiva, portanto, funciona como um intermediário,angariando clientes para as lojas que se submetem às regras de venda coletiva.Parece um grande negócio para o consumidor: adquire um produto ou serviço,muitas vezes de qualidade e renome, por um menor preço e no conforto de suaresidência. Realmente, quando todo o procedimento corre bem, é bastante vantajoso.E quando alguma coisa dá errado? Aí sim os problemas se iniciam.De forma didática, serão apresentados os problemas numa ordem cronológica,desde a oferta até após a celebração do contrato. Assim, acreditamos que fique maisfácil compreender todas as dificuldades que envolvem esta relação consumerista.Esclarece-se, desde logo, que qualquer violação aqui apontada importa emnulidade da cláusula contratual que ela estabeleceu e, caso não seja possível amanutenção do contrato, a sua resolução (que significa dizer que as partes retornamao seu estado inicial) com a consequente extinção da relação de consumo. Extrai-setais conseqüências do disposto no artigo 51 do Código de Defesa do Consumidor.O primeiro problema já se verifica no momento de interesse pela oferta. Naesmagadora maioria dos casos, o consumidor é obrigado a se cadastrar, inclusivefornecendo seu endereço eletrônico, sem ter acesso aos termos do contrato do serviço
(os famosos “
Termos e Condições de Usos e a Política de Privacidade
”). Esta já é uma
grave violação aos direitos do consumidor, haja vista que não se pode impor umserviço sem que o consumidor tenha ciência de suas especificidades. Ainda que sejaum contrato de adesão, é direito do aderente de tomar conhecimento de seus termos.Isto é, nitidamente, de decorrência lógica. Como pode alguém anuir com algoque não sabe? Não faz qualquer sentido. Além disso, em alguns
sites
a opção de
 
Compras coletivas e as violações aos direitos do consumidor
Artigo nº 02José Eduardo Figueiredo de Andrade Martins
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OAB/SP nº 306.4942
anuência com os termos contratuais já vem selecionada, sem a opção do consumidorde não seleção.Fere de uma só vez os quatro primeiros incisos do artigo 6º do Código deDefesa do Consumidor: o direito básico de proteção à segurança do consumidor(entendida aqui como segurança da correta prestação do serviço), à divulgação sobre oconsumo adequado dos serviços, à informação adequada e clara sobre os diferentesserviços e a proteção conta métodos comerciais coercitivos.Adicionalmente, viola previsão explícita do artigo 46 do mesmo diploma legal,que assegura ao consumidor o direito de tomar conhecimento prévio do conteúdo docontrato. E estabelece uma penalidade ao fornecedor que descumprir tal dispositivo: aineficácia do contrato em relação às obrigações do consumidor que a ele estãovinculados.Passado este ponto, estando o consumidor de acordo com o serviço oferecido,este já encontra dificuldades com a oferta em si. É que em muitos casos o descontooferecido é falso, pois a maquiagem feita no caso faz parecer que o consumidor estádiante de uma enorme promoção. Na verdade, o fornecedor se vale de uma práticaabusiva de elevar o preço do produto ou serviço antes de conceder o desconto. Oupior: diz existir um desconto fantasioso, pois na realidade o valor é o mesmo secontratado diretamente com o fornecedor.Incorre nestes casos e demais que se assemelham na violação do disposto noartigo 39, X do Código de Defesa do Consumidor, que considera prática abusiva aelevação do preço de produtos ou serviços sem justa causa. Também pode oempresário gestor do
site
de compras coletivas violar o disposto no artigo 37, poisqualquer informação de caráter publicitário que se mostre inteira ou parcialmentefalsa é considerada publicidade enganosa, conduta expressamente proibida. Emambos os casos, viola o artigo 6º, III, que assegura como direito básico do consumidora informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços. No segundocaso, o direito básico do consumidor assegurado no mesmo artigo, mas no inciso IV,que assegura a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva.Outro problema na oferta existe em relação ao número mínimo decompradores. Pelo menos em todos os casos que pudemos verificar, não havia ainformação acerca do número mínimo de interessados na oferta para que ela seefetive. Ora, novamente, a informação passada é incompleta, defeituosa. Pode induziro consumidor em erro, novamente configurando uma publicidade enganosa, podendoele achar que a sua aquisição no
site
já concretizou totalmente o contrato de consumo,
 
Compras coletivas e as violações aos direitos do consumidor
Artigo nº 02José Eduardo Figueiredo de Andrade Martins
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OAB/SP nº 306.4943
o que não é verdade. A venda fica condicionada a um número mínimo decompradores. O consumidor, portanto, fica na expectativa de adquirir um produto outer um serviço prestado até o fim do período de oferta. Há, também novamente,infração ao artigo 6º, III do Código de Defesa do Consumidor.No próximo estágio, há a efetivação da compra. Ocorre que o consumidor searrepende de tê-la efetuado, por qualquer motivo. Pode o consumidor exercer um ditodireito de arrependimento? A resposta é afirmativa, desde que exercido no prazo desete dias, conforme o artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor. Afinal, a comprafoi realizada fora do estabelecimento comercial, é realizada entre ausentes. Nestesentido:
O direito de arrependimento existe
 per se
, sem que seja necessária qualquer justificativa do porquê da atitude do consumidor. Basta que o contrato deconsumo tenha sido concluído fora do estabelecimento comercial para queincida, plenamente, o direito de o consumidor arrepender-se
1
.
O impasse aqui apresentado se encontra na ausência de adequada informaçãoao consumidor de seu direito de arrependimento. Principalmente no caso de alguns
sites
que exigem que o consumidor pague uma multa pelo exercício desse direito. Écláusula flagrantemente abusiva, em descompasso com o artigo 51, II, IV e XV doCódigo de Defesa do Consumidor. Sendo um direito do consumidor, não cabe aofornecedor condicioná-lo ao pagamento de multa, se a lei assim não o fez.Além disso, cabe ressaltar que aqui não cabe a justificativa de que é da essênciado negócio a sua celebração fora do estabelecimento comercial. O consumidor tem apossibilidade de contratar diretamente o fornecedor do produto ou serviço noestabelecimento comercial.Havendo, portanto, o exercício do direito de arrependimento, deverá ofornecedor devolver os valores eventualmente pagos, a qualquer título, de imediato,monetariamente atualizados, nos termos do parágrafo único do artigo 49 do Código deDefesa do Consumidor.Digamos que estamos diante de um consumidor consciente, sabedor do seudireito de arrependimento. Como ele exercerá tal direito? A pergunta parece estranha,
1
GRINOVER, Ada Pellegrini
et al 
.
Código Brasileiro de Defesa do Consumidor comentado pelos autoresdo Anteprojeto
. 9. ed. Rio de Janeiro: Forense
 
Universitária, 2007. p. 560.
 

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