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Direitos Reais - Direito Das Coisas

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Direitos Reais
Direito das Coisas
 
António Manuel de Albuquerque Pereira – 2400030 – Turma 3P1Universidade Lusófona – Direito – 2006/07
1
1.
 
Acepções subjectiva e objectiva da expressão Direitos Reais
Subjectivamente identificam uma categoria de direitos subjectivos. Em sentido objectivo é umramo de direito objectivo como divisão do direito civil. Temos Direitos Reais (direito dasCoisas). Reais porque deriva da raiz
res
.
2.
 
Categorias de Direitos Reais
Direito Civil é Direito Privado. Direitos Reais é Direito Privado: Comum ou Geral.O livro dos direitos das coisas tem os chamados os
direitos reais de gozo
. Não se esgotandoestes nesta categoria. O artigo 1539º faz contraposição entre direitos reais de gozo e degarantia.Os direitos reais de garantia mantêm a sistematização tal como no código Seabra de 1867, aligação aos direitos de crédito, regulados no livro II – Direito das Obrigações (
656º a 761º 
).Além destas duas há no CC mais categorias de direitos reais por terem eficácia real, atribuindoao titular do direito poder potestativo, que são os direitos reais de aquisição, de fonte legal ouconvencional. Por exemplo: Contrato promessa com eficácia real e o Pacto de Preferência,também com eficácia real (
413º a 421º
) e múltiplos direitos de preferência legal com eficáciareal (
1409º e 1535º 
).Os direitos reais de gozo são menos bem definidos. Por isso é categoria unitária, direito real.Todos os direitos reais, além das diferenças existentes, têm em comum: a incidência sobre ascoisas, com particular utilidade de interesses de pessoas determinadas e que todos os direitosreais estão dotados de eficácia particular contra terceiros, eficácia real.
 
3.
 
Direito das Coisas como Ramo de Direito Privado
O direito das coisas é o conjunto de normas jurídicas que rege a atribuição das coisas comeficácia real.Embora sendo direito privado projecta-se juridicamente em matéria de direito publico porqueno regime dos direitos reais verifica-se a interferência de institutos próprios do direito publico.Por exemplo as expropriações e a requisição, conforme o legislador específica nos artigos
1308º e 1310º 
.Convém não esquecer as limitações ao conteúdo dos direitos reais decorrentes de razões deinteresse público. Por exemplo: A requisição de origem militar que permite a utilizaçãotemporária de bens ou serviços, ou produz uma forma de extinção de direitos sobre imóveis,mas sempre mediante indemnização.O direito das coisas tem uma marcada natureza patrimonial e constitui, ao lado dos direitos decrédito, uma das mais importantes categorias de direitos patrimoniais.
DireitosReaisGeral
(Natureza Jurídica Controvertida)
Comum
(Atribuição de poderes de uso ou fruição de
 
uma coisa)
Direito dePosseDireito de PropriedadeAs demais figuras reais
 
Direitos Reais
Direito das Coisas
 
António Manuel de Albuquerque Pereira – 2400030 – Turma 3P1Universidade Lusófona – Direito – 2006/07
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4. Assento Legal da Matéria. Fontes do Direito das Coisas
O livro III do CC constitui a sede fundamental do regime dos direitos reais. Porém, nãoconstitui a única fonte do direito das coisas, nem contem todo o regime dos direitos reais.Primeiro é de mencionar a CRP, enquanto base de todo o sistema jurídico e que contém amáxima protecção à propriedade privada, encontrando-se vigentes normas que respeitam àmatéria dos direitos reais –
n.º 2, do artigo 100º, da CRP 
, que determina a abolição daenfiteuse e da colónia.A enfiteuse – contrato pelo qual o senhorio de um prédio concedia domínio útil delereservando o domínio directo. Desmembrava o prédio – rústico ou urbano – em dois domínios,designados por directo e útil, sendo designado o primeiro titular por senhorio e o segundo porenfiteuta ou foreiro (
1491º 
). Enfiteuta ou foreiro é aquele que tem o domínio útil de umprédio, pagando foro ao senhorio directo. A enfiteuse foi abolida em 1976. Em 1981introduziu-se no sistema jurídico português um novo tipo de direito real: Direito de HabitaçãoPeriódica.Para além da CRP e do CC, as leis especiais como o CR Predial, Código de PropriedadeIndustrial, etc., também são fontes do Direito das Coisas. O CC não esgota a regulamentaçãodas relações jurídicas reais. Por exemplo, quanto ao direito de propriedade ele só se ocupa doque se refere a coisas corpóreas (
1302º 
).O regime dos direitos que recaem sobre coisas incorpóreas identifica no CC sob a designaçãocomum de “propriedade intelectual”, Direitos de Autor/Propriedade Industrial, encontrando-se regulado em diplomas avulsos – Código dos Direitos de Autor e dos Direitos Conexos.Quanto ao objecto do direito de propriedade o CC só rege sobre as águas particulares,existindo muita legislação avulsa.Para além dos aspectos já referidos, são vários os diplomas complementares ao CC queintegram o regime de várias divisões deste ramo de direito. Relativamente ao Direito dasCoisas o mais importante de todos é CR Predial que se refere aos factos relativos aos direitosque incidem sobre coisas móveis, particularmente prédios rústicos e urbanos. As coisas móveissujeitas a registo o seu regime encontra-se disperso por diversos diplomas que regem asdiferentes modalidades de coisas que integram esta categoria. È para por fim a esta situaçãoque surge o Código do Registo de Bens Móveis (que aguarda a sua entrada em vigordependente de normas suplementares, com resulta do seu preâmbulo).Para além do CR Predial e também como diploma complementar há o Código do Notariadoque tem um papel importante no regime dos direitos reais, por ser frequente nos negóciosrelativos a esses direitos, cumprimento de formalidades solenes, em que é exigível aintervenção notarial.
5. Confronto entre os direitos reais e os direitos de crédito
Primeiro importa demarcar os direitos reais da categoria dos direitos subjectivos creditórios,com que mantém relevantes relações. Até porque os direitos reais são direitos sobre umacoisa e os direitos de crédito são o direito à prestação a efectuar pelo devedor que podeconsistir num
dare
,
 facere
e
non facere
.
 
Característica dos direitos reais: a sua eficácia absoluta (
413º, 421º, 1305º 
), ou seja, os direitosreais são oponíveis
erga omnes
(contra todos), possam interferir ou entrar em relação com acoisa. O mesmo não acontece nos direitos de crédito, habitualmente integrados na categoriade direitos relativos, por contraposição àqueles.Os direitos reais são absolutos e de exclusão, dado que, o titular pode opô-los a terceiros,impedindo-os de interferir na coisa. Aqui temos a obrigação passiva universal, traduzida no
 
Direitos Reais
Direito das Coisas
 
António Manuel de Albuquerque Pereira – 2400030 – Turma 3P1Universidade Lusófona – Direito – 2006/07
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dever que recai sobre as restantes pessoas de não perturbarem o exercício dos titulares dosdireitos absolutos.Pelo contrário, os direitos de crédito são relativos, produzem efeitos apenas
inter partes
(
406º,n.º2
).Corolário da eficácia absoluta, é o titular do direito real ter o direito de sequela (direito deperseguir a coisa onde quer que ela se encontre e fazer valer o seu direito, reivindicando-a).Mas, existem excepções a este princípio (
243º e 291º 
).Mais traços distintivos entre os direitos reais e os direitos de crédito: os direitos reais comodireitos absolutos podem ser ofendidos por qualquer pessoa. Quanto aos direitos de créditos,só podem ser ofendidos pelo devedor ou devedores.Os direitos reais de gozo podem constituir-se por usucapião e, habitualmente, constituemrelações duradouras ou, até de carácter perpétuo. Os direitos de crédito constituem relaçõestransitórias ou, de curta duração. Em princípio, a obrigação nasce para se extinguir no maiscurto espaço de tempo.As obrigações extinguem-se com o seu exercício, pelo contrário, o uso não põe termo aosdireitos reais, antes os vivificam.
6. Dos direitos reais em geral6.1 Teoria clássica e Teoria moderna ou personalista
Segundo uma concepção designada por clássica, o direito real é entendido como um poderdirecto e imediato sobre uma coisa (certa e determinada).Teoria ou concepção que desprezava o conceito de relação jurídica tal como hoje secaracteriza com todos os seus elementos - (sujeito, objecto facto e garantia). No poder directoimplícita-se a ideia de domínio ou de senhorio sobre certa coisa. No poder imediato significa afaculdade (atribuída ao titular do direito) de aproveitar das utilidades da coisa semnecessidade a colaboração de outros, como se verifica nos direitos de crédito, em que aocredor assiste o direito de exigir do devedor a realização da prestação (
397.º 
).Concepção que realça a posição da coisa como objecto do direito, deixando transparecer aideia da existência de relação entre titular do direito e coisa. porém os direitos reais, como oque respeita a todos os direitos subjectivos, envolvem uma relação entre pessoas e não comcoisas ou com uma coisa certa e determinada.Concepção clássica contraposta pela dita moderna ou personalista, que constrói a noção dedireitos reais, partindo da ideia de relação jurídica. Teoria também designada porobrigacionista e define o direito real como o poder que tem o seu titular de excluir todas aspessoas de qualquer ingerência na coisa, incompatível com o seu direito.Com esta teoria, existe um vínculo pessoal entre o titular do direito real e todas as pessoas(sujeito passivo) que têm a obrigação de se abster de violar ou perturbar o titular do direito(obrigação negativa). Nos direitos de crédito, o dever de prestar recai sobre um sujeito certo edeterminado ou determináveis.Destacam-se as doutrinas eclécticas de Lisboa (Professores Oliveira Ascensão e MenesesCordeiro e Coimbra (professor Mota pinto).
 

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